Casaco de chefe do ICE com visual nazista acirra guerra sobre imigração
Um casaco escuro, de corte militar e gola alta, usado por um comandante do ICE em operações anti-imigração desde 2025, domina o debate político nos Estados Unidos em 2026. A peça, que lembra uniformes nazistas, vira símbolo da estratégia de linha dura da administração alinhada a Donald Trump e provoca reação dura de governadores democratas.
Símbolo de poder em plena operação de rua
O casaco entra em cena em ações de campo do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, especialmente em batidas noturnas em estados de fronteira e grandes centros urbanos. Imagens de TV e vídeos de celular mostram o comandante cercado por agentes armados, sempre com o mesmo casaco escuro, abotoado até o pescoço, ombreiras marcadas e um cinto largo que recorta a silhueta, num visual que críticos associam diretamente à iconografia do Terceiro Reich.
O governo evita comentar o desenho exato da peça, mas não nega que se trata de um uniforme não oficial, encomendado sob medida em 2025. Um assessor de segurança que acompanha as operações afirma, sob condição de anonimato, que o objetivo é “passar seriedade, disciplina e comando em situações de alto risco”. Para um governador democrata de um grande estado do Meio-Oeste, a mensagem é outra. “Quando um comandante do ICE veste um casaco que parece saído de um filme sobre a Gestapo, isso não é acidente. É uma escolha política”, diz.
Disputa visual em ano de polarização máxima
A polêmica ganha corpo em 2026, ano em que pesquisas mostram a imigração entre os três principais temas de preocupação de eleitores, ao lado de economia e segurança pública. Em estados com forte presença de imigrantes latino-americanos, 6 em cada 10 entrevistados dizem temer deportações em massa, segundo levantamentos locais. Nesse clima, qualquer imagem de operação policial na fronteira se transforma em munição política nas redes sociais em questão de minutos.
O casaco passa a circular como meme em janeiro, quando fotos de uma operação na costa do Texas viralizam no TikTok e no X. Em menos de 48 horas, o termo “ICE Gestapo” aparece em mais de 200 mil postagens, segundo empresas de monitoramento digital. Entidades de direitos civis resgatam imagens históricas da década de 1930 para mostrar a semelhança com uniformes nazistas. “Não se trata de exagero retórico. É uso calculado de símbolos de terror estatal em pleno século 21”, afirma uma pesquisadora de comunicação política de uma universidade da Costa Leste.
Cálculo político por trás de um casaco
Especialistas em imagem pública veem pouco espaço para coincidência. A peça não traz símbolos nazistas explícitos, não exibe suásticas nem insígnias históricas, mas replica elementos visuais clássicos de regimes totalitários: rigidez da modelagem, gola alta fechada, linhas verticais marcadas, ausência de identificação clara da agência. “É um uniforme pensado para intimidar, não para informar. Quem olha vê poder concentrado, não serviço público”, resume o consultor em segurança e comunicação visual de Washington.
Em off, um aliado político de Donald Trump admite que a escolha do vestuário atende a uma demanda do eleitorado mais fiel ao ex-presidente. “O povo quer ver que a fronteira está sob controle. A imagem do comandante de preto, com cara de poucos amigos, funciona. Passa autoridade, passa medo nos ilegais”, afirma. Trump evita criticar ou defender abertamente o casaco, mas repete em comícios que o ICE hoje é “mais forte do que nunca” e denuncia, sem apresentar provas, uma “invasão” de imigrantes ilegais desde 2025.
Reação democrata e pressão institucional
Governadores democratas enxergam na peça um gatilho para radicalização. O líder de um grande estado da Costa Oeste pede formalmente, em carta enviada em março de 2026, que o Departamento de Segurança Interna proíba o uso de uniformes “com qualquer referência visual a regimes totalitários do século 20”. Em reunião com a imprensa, ele afirma: “Não aceito que, em 2026, agentes federais circulem vestindo trajes que lembram aqueles que perseguiram judeus, ciganos e opositores na Europa. É um insulto à memória histórica e às comunidades imigrantes que vivem aqui”.
Organizações judaicas entram no debate e pressionam o Congresso a estabelecer parâmetros mínimos para fardas federais. Um grupo de parlamentares democratas apresenta um projeto de lei para regular a iconografia usada por forças de segurança, incluindo cores, cortes e símbolos permitidos. Republicanos acusam os rivais de exagero. “Estão vendo nazismo em um casaco porque não querem discutir imigração ilegal”, diz um senador próximo a Trump. O ICE, em nota sucinta, se limita a afirmar que “todos os uniformes cumprem os padrões internos de segurança e identificação”.
Impacto sobre imigrantes e opinião pública
As imagens do comandante em casaco escuro se somam a relatos de rondas mais agressivas em bairros com alta presença de estrangeiros. Advogados de defesa relatam aumento de 15% em prisões administrativas em 2025 e 2026 em comparação com a média dos três anos anteriores. Comunidades latino-americanas e asiáticas criam grupos de alerta em aplicativos de mensagem para avisar sobre a presença do ICE nas redondezas. “Quando a gente vê o casaco, sabe que a coisa vai ser pesada”, diz um imigrante mexicano que vive sem documentos há oito anos em um subúrbio no Sul do país.
No debate público, a peça se torna atalho visual para narrativas opostas. Setores conservadores exploram o casaco em vídeos de campanha, sempre associado a slogans de “lei e ordem” e promessas de reduzir em até 50% a entrada de imigrantes irregulares. Do outro lado, movimentos pró-imigrantes expõem as mesmas imagens em manifestações, cartazes e faixas que comparam a política atual a “um passado que o mundo jurou nunca repetir”. Pesquisas internas de partidos indicam que, entre eleitores indecisos, a associação do casaco a símbolos nazistas causa desconforto em pelo menos 40% dos entrevistados.
O que vem depois do casaco
O episódio se converte em estudo de caso para especialistas em comunicação política nos Estados Unidos e na Europa. A discussão sobre o limite entre estética de autoridade e flerte com o autoritarismo entra em congressos acadêmicos e seminários de segurança pública. Consultores de imagem que trabalham com campanhas eleitorais já tratam o casaco como um “marco visual” da política imigratória da década.
O ICE, pressionado por órgãos de controle e pela repercussão internacional, promete revisar nas próximas semanas suas diretrizes internas sobre uniformes, mas não assume a retirada imediata da peça. Enquanto isso, o casaco continua aparecendo, de forma intermitente, em novas operações. À medida que o país se aproxima de mais um ciclo eleitoral, a pergunta que se impõe é se a sociedade americana aceitará que a fronteira seja policiada não apenas por leis e agentes, mas também por símbolos que ecoam alguns dos capítulos mais sombrios do século passado.
