Megatempestade nos EUA causa atrasos e cancelamentos em Guarulhos
Ao menos nove voos internacionais são afetados nesta segunda-feira (26) no aeroporto de Guarulhos por causa de uma megatempestade de neve nos Estados Unidos. Seis chegadas e três partidas sofrem atrasos e cancelamentos, e passageiros enfrentam longas esperas e remarcações de última hora.
Tempestade nos EUA travando conexões em São Paulo
O reflexo da megatempestade se espalha pela malha aérea e chega com força ao principal aeroporto do país. Desde o início da manhã, painéis no terminal internacional exibem sucessivas mudanças de horário para voos vindos e indo para cidades americanas, em especial hubs como Nova York, Chicago e Atlanta. A neve intensa e o vento forte nos Estados Unidos fecham pistas, reduzem a visibilidade e obrigam companhias a rever de forma improvisada sua programação global.
Guarulhos sente o efeito dessa engrenagem travada. Passageiros que desembarcariam em conexões para outras capitais brasileiras acabam retidos em salas de embarque e áreas de trânsito internacional. Em alguns casos, o atraso supera três horas e compromete ligações com voos domésticos e viagens a trabalho marcadas com antecedência. Em meio à frustração, o fluxo de pessoas diante dos balcões de atendimento cresce ao longo do dia.
Impacto imediato para passageiros e companhias aéreas
A cena se repete em diferentes companhias. Famílias com crianças pequenas improvisam camas em poltronas, executivos atualizam reuniões por videoconferência no celular e turistas buscam sinal de internet para reprogramar roteiros. Um passageiro que tenta voltar de férias de Orlando descreve o clima de incerteza: “Ninguém consegue dizer com segurança se vamos embarcar hoje. Falam em previsão, mas a cada hora o horário muda”, relata, enquanto aguarda numa fila que dobra o saguão.
As empresas correm para se adaptar. Parte da operação é remanejada para o dia seguinte, outra parcela é concentrada em um número menor de voos, com aeronaves lotadas ao limite. A reorganização implica custo adicional com hospedagem, alimentação e realocação de clientes, além de pressão sobre equipes de solo. Gerentes ouvidos reservadamente admitem preocupação com o efeito em cadeia na semana, já que a malha internacional funciona como um quebra-cabeça em que a ausência de uma aeronave em um ponto desorganiza toda a sequência planejada.
Especialistas em aviação lembram que a situação expõe a vulnerabilidade de um sistema cada vez mais interligado. Uma tempestade localizada em um corredor aéreo dos Estados Unidos se traduz em filas e atrasos a milhares de quilômetros, em países que dependem dessas conexões para negócios, turismo e transporte de cargas. Em Guarulhos, o impacto não se limita aos passageiros: encomendas internacionais, remessas expressas e cargas perecíveis também sofrem com a quebra do cronograma.
Risco crescente com eventos climáticos extremos
O episódio desta segunda-feira reforça um padrão que preocupa o setor. Eventos climáticos extremos ficam mais frequentes e intensos nas últimas décadas, segundo dados de agências meteorológicas internacionais, e o transporte aéreo aparece entre os primeiros a sentir o baque. Chuvas volumosas, ondas de calor, furacões e tempestades de neve ampliam as chances de interrupções de rota, cancelamentos em série e prejuízos milionários.
Companhias e aeroportos afirmam investir em protocolos de contingência, sistemas de monitoramento meteorológico em tempo real e comunicação mais ágil com os passageiros. A resposta, porém, ainda esbarra em limitações físicas, como pistas que precisam ser fechadas por segurança, tripulações que atingem o limite legal de horas de trabalho e aeronaves que permanecem em solo por mais tempo do que o previsto. Em situações extremas, não há alternativa além de paralisar trechos inteiros da malha.
A experiência em Guarulhos ilustra esse limite. Mesmo com operações em dia no lado brasileiro, a ponte aérea internacional depende de decisões tomadas a partir das torres de controle americanas. Enquanto radares indicarem risco nas áreas sob influência da megatempestade, a ordem é reduzir pousos e decolagens, o que significa, na prática, menos voos cumpridos e mais pessoas em espera. Para o passageiro, a recomendação é acompanhar aplicativos e canais oficiais das companhias, manter documentos em mãos e preparar-se para mudanças de última hora.
Próximos dias ainda sob incerteza
A extensão do problema nos próximos dias depende da velocidade com que a tempestade se desloca e perde força sobre o território americano. Meteorologistas trabalham com janelas de 24 a 48 horas para uma estabilização parcial, mas reforçam que o restabelecimento completo da malha aérea costuma levar mais tempo. Aviões e tripulações precisam voltar a suas bases de origem, o que inclui trajetos adicionais e ajustes finos em centenas de horários ao redor do mundo.
Para quem embarca ou desembarca em Guarulhos, a segunda-feira marca apenas o início de um período de atenção redobrada. Companhias devem divulgar, ao longo da semana, planos de flexibilização, como remarcação sem multa em determinados trechos e priorização de passageiros em conexão. A crise atual abre uma nova rodada de discussão sobre preparo do sistema aéreo global diante de eventos extremos e coloca em evidência uma pergunta que ainda não encontra resposta definitiva: até que ponto a aviação consegue se adaptar a um clima cada vez mais imprevisível?
