Trump envia Tom Homan a Minnesota para liderar caça a fraude e imigrantes
Donald Trump envia Tom Homan a Minnesota nesta segunda-feira (26), com a missão de liderar investigações de suposta fraude eleitoral e endurecer ações contra imigrantes ilegais. O movimento amplia o peso político dos protestos no estado e reforça a pauta de segurança de fronteiras no centro do debate nacional.
Envio relâmpago em meio a protestos e pressão política
Homan, ex-diretor interino do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), assume um papel informal de “czar da fronteira” em Minnesota e passa a comandar operações em campo. Ele se reporta diretamente a Trump e coordena ações do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do ICE no estado, foco de protestos ligados às alegações de fraude eleitoral e à política migratória mais rígida.
Na manhã de segunda-feira, Trump anuncia a decisão em uma postagem no Truth Social. “Estou enviando Tom Homan para Minnesota hoje à noite. Ele não esteve envolvido naquela área, mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá. Tom é firme, mas justo, e se reportará diretamente a mim”, escreve o ex-presidente, ao vincular a ida do aliado ao cenário de tensão nas ruas.
A Casa Branca confirma o envio e afirma que Homan ajudará a “gerenciar investigações de fraude no estado”. Em comunicado à CNN, a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, detalha o escopo da função: “Tom Homan gerenciará as operações do ICE em campo em Minnesota e coordenará com outros as investigações de fraude em andamento”. O governo não apresenta, até agora, dados concretos que sustentem a dimensão das suspeitas.
Trump vai além e associa diretamente as alegações de fraude à onda de manifestações. Segundo ele, a suposta fraude “é ao menos parcialmente responsável pelos protestos violentos e organizados que ocorrem nas ruas”. Na mesma mensagem, menciona a deputada democrata Ilhan Omar, representante de Minnesota e alvo frequente de críticas da direita. “O Departamento de Justiça e o Congresso estão de olho em Ilhan Omar. O tempo dirá tudo”, escreve.
Fronteira, urnas e o cálculo político em Minnesota
A escolha de Homan não é casual. Aos 63 anos, o ex-chefe do ICE se torna um dos rostos mais conhecidos da política migratória dura no governo Trump, notadamente após 2017, quando defende publicamente o aumento de detenções e deportações. Agora, o ex-presidente o desloca para um estado distante da fronteira com o México, com pouco mais de 5,7 milhões de habitantes, mas central na disputa política recente.
Minnesota vota nos democratas em eleições presidenciais desde 1976, mas Trump tenta transformar o estado em vitrine de sua narrativa sobre desordem urbana, imigração e sistema eleitoral sob suspeita. A decisão de levar ao estado um personagem identificado com a repressão migratória sinaliza que a Casa Branca aposta em um elo direto entre segurança de fronteiras, combate ao crime e integridade do voto.
Karoline Leavitt reforça essa linha em nova postagem nas redes sociais, ao definir o foco da missão: Homan deve “continuar prendendo o pior do pior entre os estrangeiros ilegais criminosos”. A frase acena à base conservadora, que vê na imigração irregular um vetor de insegurança, e prepara terreno para operações mais visíveis, com prisões e imagens de impacto.
O envio de um “czar da fronteira” a mais de 2 mil quilômetros dos principais pontos de entrada terrestre do país também amplia o alcance simbólico da pauta migratória. Ao atrelar investigações de fraude a uma força-tarefa de imigração, a Casa Branca mistura dois temas explosivos no debate americano atual: confiança nas urnas e presença de imigrantes sem documentação. Especialistas ouvidos em Washington veem risco de contaminação política em apurações que deveriam seguir trilhas técnicas, com auditorias, números e transparência.
A pressão recai ainda sobre Ilhan Omar, uma das vozes mais progressistas no Congresso, frequentemente citada por Trump como inimiga política. Ao dizer que o Departamento de Justiça e o Congresso estão “de olho” na deputada, o ex-presidente sinaliza que o trabalho de Homan em Minnesota tem também um componente de cerco político a adversários locais, embora não haja, até o momento, acusações formais contra a parlamentar.
Investigações, riscos e o que está em jogo adiante
Na prática, a presença de Homan em Minnesota pode resultar em aumento imediato de operações do ICE, com foco em estrangeiros considerados criminosos perigosos pelo governo. Prisões mais frequentes, transferências para centros de detenção em outros estados e deportações aceleradas tendem a afetar comunidades imigrantes, em especial na região de Minneapolis e Saint Paul, onde se concentram milhares de estrangeiros, incluindo refugiados e trabalhadores temporários.
Lideranças locais temem que o ambiente de investigação e o discurso sobre “o pior do pior” contaminem também imigrantes sem antecedentes criminais, que vivem e trabalham há anos no estado. Advogados de direitos civis alertam que, em operações amplas, erros de identificação e detenções injustificadas costumam crescer, especialmente quando a pressão política por resultados é alta e prazos são curtos.
As investigações de suposta fraude eleitoral, por sua vez, ganham um grau extra de tensão. Com Trump e a Casa Branca tratando o tema como gatilho para protestos “violentos e organizados”, qualquer divulgação parcial de dados ou vazamento seletivo de informações pode inflamar novas manifestações. Republicanos veem a chegada de Homan como sinal de que o governo leva a sério as denúncias, enquanto democratas acusam a Casa Branca de usar a máquina federal para intimidar opositores.
Os próximos meses definem se a aposta em Homan fortalece a narrativa de Trump sobre lei, ordem e eleições confiáveis ou se amplia o desgaste institucional. Investigações de fraude costumam levar semanas ou meses, e não há, até agora, prazo oficial para a conclusão dos trabalhos em Minnesota. O envio do “czar da fronteira” coloca o estado no centro do tabuleiro nacional e abre uma questão que nem o governo nem a oposição conseguem responder hoje: a ofensiva em nome da segurança vai produzir provas sólidas ou apenas mais combustível para a polarização?
