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Fluminense domina Fla-Flu na década e expõe fragilidade do Flamengo

O Fluminense vence o Flamengo por 2 a 1 no último domingo (25), no Maracanã, e confirma uma escrita improvável: é o time que mais derrota o rival na década. Desde 2021, o Tricolor soma 12 vitórias em 29 clássicos, superando com folga qualquer outro adversário rubro-negro no período. A vantagem se impõe mesmo diante de uma diferença brutal de investimento entre os clubes.

Flu vira pedra constante no sapato do rival mais rico

O triunfo que coloca o Fluminense na liderança do Grupo A, com nove pontos, não vale só pela largada no Campeonato Brasileiro. O resultado consolida um recorte que muda o eixo da rivalidade. Em cinco anos, nenhum time fere tanto o Flamengo quanto o Tricolor. São 12 vitórias tricolores, contra 5 de Athletico-PR e Atlético-MG, além de 4 de Botafogo, Fortaleza e São Paulo no mesmo período.

O clássico mais recente mantém uma tendência que nasce em 2021. De lá para cá, Fla e Flu se enfrentam 29 vezes. O Fluminense vence 12, o Flamengo leva 9, e 8 jogos terminam empatados. No saldo de gols, o equilíbrio é quase matemático: 30 a 27 para o lado das Laranjeiras. O dinheiro rubro-negro não desaparece, mas não encontra tradução automática em campo quando a bola rola em um Fla-Flu.

O Maracanã vira palco dessa inversão silenciosa de forças. O Flamengo empilha taças nacionais e internacionais e reforça o elenco a cada janela, enquanto o Fluminense opera com um orçamento bem menor. A diferença, em tese, deveria produzir domínio rubro-negro também nos clássicos. O placar acumulado conta outra história.

O período entre 2021 e 2022 marca a sequência mais contundente tricolor. O time emenda quatro vitórias seguidas em Fla-Flus e permanece invicto por quase 10 meses. A série inclui o título Carioca de 2022, conquistado justamente em cima do rival mais rico. Em 2023, o roteiro se repete: novo título estadual, nova ferida aberta na Gávea e mais um capítulo de um duelo em que a camisa e o ambiente parecem nivelar as diferenças.

Nem tudo, porém, é favorável ao Fluminense nessa história recente. A eliminação na Copa do Brasil de 2023, em duelo de mata-mata, deixa uma cicatriz. O primeiro jogo termina 0 a 0. Na volta, com mando tricolor no Maracanã, o Flamengo vence por 2 a 0 e avança. O episódio vira contrapeso em um período em que o rival coleciona conquistas importantes, ainda que encontre resistência recorrente no clássico.

Clássico expõe limites do investimento e fortalece o elenco tricolor

O número que mais incomoda o Flamengo não está no caixa, mas no campo. Desde 2021, o time mais rico do país encontra no Fluminense o adversário que mais o vence. A diferença financeira, que se traduz em elencos mais caros, folha salarial robusta e poder de reposição, não encontra respaldo direto nos 29 Fla-Flus do período. A rivalidade, somada à organização tática, reduz a distância.

O recorte mais recente reforça esse quadro. Nos últimos cinco clássicos, o balanço registra duas vitórias para cada lado e um empate. O Fluminense vence justamente os dois compromissos mais recentes, ambos por 2 a 1, contra um Flamengo dirigido por Filipe Luís. O técnico argentino Zubeldía leva a melhor nos dois confrontos diretos, resultado que alimenta a confiança tricolor e aumenta a pressão sobre o novo comandante rubro-negro.

O efeito dentro do vestiário é imediato. Jogadores do Fluminense chegam ao clássico com a memória recente de decisões favoráveis. A torcida transforma o estádio em termômetro dessa confiança. O cântico que diz que vencer o Fla “é normal” ganha respaldo numérico. Do outro lado, o grito de alívio vira lamento e rende a ironia que ecoa no estádio: “Ai, Jesus”. A frase sintetiza o incômodo de um clube acostumado a impor respeito, mas que tropeça com frequência no vizinho.

O desempenho em Fla-Flus também projeta efeitos fora das quatro linhas. A imagem de carrasco valoriza atletas tricolores no mercado e fortalece a posição do clube em negociações. Nomes como John Kennedy, que volta a se firmar como algoz rubro-negro, ganham peso esportivo e comercial. A sequência positiva em clássicos ajuda a atrair atenção de patrocinadores, amplia exposição midiática e reequilibra, em parte, uma disputa que parecia resolvida apenas no campo financeiro.

No Flamengo, a leitura é menos confortável. A constatação de que o time mais derrotado na década pelo Fluminense é justamente o seu escancara fragilidades. A concentração em decisões, o ajuste tático em jogos grandes e a gestão emocional em clássicos voltam à pauta. A diretoria precisa lidar com um torcedor que aceita pouco mais do que vitórias, sobretudo em jogos contra um rival historicamente usado como medida de grandeza.

Calendário, pressão e o próximo capítulo do Fla-Flu

A vitória que confirma a escrita traz consequência imediata para o Fluminense. Com o 2 a 1 no Maracanã, o time de Zubeldía alcança nove pontos e assume a liderança do Grupo A no Brasileiro. O foco agora se desloca para o duelo contra o Grêmio, nesta quarta-feira (28), às 19h30, em mais um teste de força para um elenco que equilibra ambição e limitação orçamentária.

O clássico recente, porém, não fica preso à tabela. O novo Fla-Flu reafirma a rivalidade como um dos motores do calendário nacional. Cada confronto passa a carregar um enredo próprio: o clube de maior investimento tentando recuperar a autoridade em campo, e o rival de orçamento menor disposto a preservar a condição de maior algoz da década. O próximo encontro entre os dois, ainda sem data definida em mata-matas mais pesados, tende a chegar carregado de contas, memórias e cobranças. A pergunta que fica é se o Flamengo consegue transformar dinheiro em vantagem também no clássico ou se o Fluminense seguirá escrevendo, rodada a rodada, uma década em que o favoritismo insiste em trocar de lado.

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