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PF diz que perícia tem acesso a provas e nega prejuízo no caso Master

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirma em depoimento, em janeiro de 2026, que os peritos têm acesso ao material apreendido no caso Master e que a investigação sobre fraudes no banco de Vorcaro não sofre prejuízos. A declaração responde a questionamentos sobre limitações impostas pelo Supremo Tribunal Federal ao uso de celulares e documentos apreendidos.

Depoimento tenta afastar dúvida sobre provas

A fala de Andrei ocorre em meio à pressão de advogados, políticos e investidores, que cobram clareza sobre o andamento do inquérito que mira um esquema complexo de fraudes financeiras no banco de Vorcaro. A disputa judicial em torno do acesso a celulares e documentos gera, nas últimas semanas, dúvidas sobre a integridade das provas e o ritmo das apurações.

Em depoimento prestado no âmbito da investigação, Andrei descreve o funcionamento da perícia após decisão do Supremo que restringe o manuseio do material sensível a apenas quatro peritos da Polícia Federal. Segundo ele, o modelo atende a determinação judicial e preserva a cadeia de custódia, expressão usada para indicar o controle rigoroso sobre quem vê e manipula as evidências. “Os peritos da Polícia Federal têm acesso ao material apreendido no caso Master e a investigação não sofreu prejuízos”, afirma, ao relatar o fluxo de trabalho dos especialistas.

Restrição do STF busca controle sem travar inquérito

A determinação do Supremo, tomada em meio a disputas processuais, impede que dezenas de investigadores acessem livremente os celulares, e-mails e documentos do banco de Vorcaro e de seus executivos. O acesso fica concentrado em quatro peritos de referência, que produzem laudos, extraem dados e encaminham apenas o conteúdo considerado relevante para as equipes de delegados e procuradores. A medida tenta equilibrar sigilo, prevenção de vazamentos e proteção de direitos individuais.

Na prática, esse filtro técnico reduz o risco de contaminação das provas, mas alimenta a percepção de lentidão. O caso Master envolve operações financeiras que, segundo fontes envolvidas na apuração, movimentam cifras na casa de bilhões de reais em contratos, derivativos e operações estruturadas. Investidores acompanham cada movimento, temendo impacto direto na confiança do mercado, na concessão de crédito e na reputação do sistema bancário brasileiro.

Impacto político, mercado em alerta e pressão por transparência

A fala de Andrei tem efeito imediato no campo político, onde setores da oposição acusam o governo de interferir na condução de investigações sensíveis. Ao reforçar que não há prejuízo ao inquérito e que o material segue analisado, o diretor-geral tenta blindar a PF de suspeitas e afastar o risco de nulidades futuras. A integridade das provas é ponto central para sustentar eventuais denúncias à Justiça e para evitar anulações em instâncias superiores.

No ambiente econômico, a mensagem de continuidade das investigações é vista como tentativa de oferecer segurança jurídica a bancos, fundos de investimento e credores do Vorcaro. Grandes operações de crédito, com prazos de 24 a 60 meses, dependem da percepção de que o caso avança com rigor e previsibilidade. Uma investigação frágil, com provas contestadas, poderia alimentar fuga de capital, aumento do custo de captação e retração em novos negócios, com reflexos em taxas de juros e acesso ao crédito para empresas de médio porte.

O que vem a seguir nas investigações

Os próximos meses devem ser decisivos para o caso Master, com a conclusão de novos laudos periciais e o cruzamento de mensagens, planilhas e registros internos do banco de Vorcaro. A restrição a quatro peritos, mantida por decisão do STF, permanece no centro do debate e pode voltar ao plenário da Corte se houver novos recursos de defesa ou pedidos da própria PF para ampliar a equipe técnica.

Enquanto o inquérito avança sob sigilo, a Polícia Federal promete informar a sociedade sobre marcos importantes, sem comprometer o processo. O depoimento de Andrei, ao afirmar que não há prejuízo nas apurações, reduz a temperatura da crise, mas não encerra as dúvidas. A investigação ainda precisa responder se o esquema no banco de Vorcaro é um caso isolado ou sintoma de fragilidades mais profundas no controle de fraudes financeiras no país.

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