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Ataque armado em jogo de futebol no México deixa 11 mortos e 12 feridos

Um ataque a tiros durante um jogo de futebol em um campo público no centro do México deixa 11 mortos e 12 feridos na noite desta segunda-feira (26). As vítimas participavam ou acompanhavam a partida quando homens armados abrem fogo contra jogadores e torcedores. A ação transforma um momento de lazer em uma das maiores tragédias recentes da região.

Campo de bairro vira cenário de guerra

O gramado improvisado, cercado por ruas comerciais e casas simples, costuma reunir famílias após o trabalho, crianças correndo à beira do campo e vendedores ambulantes de comida. Nesta segunda-feira, pouco depois do início da partida, o ambiente barulhento se converte em gritos, correria e silêncio abrupto, interrompido apenas pelo som dos disparos. Testemunhas relatam que o ataque dura poucos minutos, tempo suficiente para espalhar corpos pelo gramado e pela arquibancada improvisada.

Moradores contam que muitos correm para se proteger atrás de carros estacionados, muros e estruturas metálicas do entorno. Pessoas se jogam no chão, protegem crianças com o próprio corpo e tentam arrastar feridos para fora da linha de tiro. Ambulâncias chegam em seguida, escoltadas por viaturas policiais, em uma operação de resgate que se estende pela madrugada. A maioria das vítimas é levada para hospitais públicos da região central, que entram em alerta máximo para receber os feridos por arma de fogo.

Medo, rotina quebrada e pressão por respostas

O ataque atinge um espaço que simboliza a tentativa de manter alguma normalidade em meio à violência crônica que marca partes do interior e do centro do México. Campos como o palco da tragédia funcionam como pontos de encontro, onde moradores buscam afastar, por algumas horas, as notícias de confrontos, desaparecimentos e disputas criminais. A invasão armada desse território cotidiano acende um sinal de alerta adicional para comunidades já pressionadas por índices elevados de homicídios.

Autoridades locais confirmam a abertura de investigação para identificar os atiradores e esclarecer o que motiva a ação, mas evitam antecipar hipóteses. Fontes ligadas à segurança afirmam, sob reserva, que linhas de apuração consideram desde disputa criminal até possível ajuste de contas ligado a moradores da região. Nenhuma dessas versões é confirmada oficialmente até o fim da noite. “Estamos trabalhando com todas as frentes e não vamos descartar nenhuma possibilidade”, diz um agente envolvido na investigação, que pede para não ter o nome divulgado por não estar autorizado a falar publicamente.

Forças de segurança sob escrutínio

Após o ataque, o governo local anuncia o envio de reforços policiais para a área central e para outros campos de futebol da cidade. Viaturas permanecem em patrulha constante, e agentes montam barreiras em vias de acesso à região. O objetivo declarado é impedir novas ações e aumentar a sensação de segurança, sobretudo em eventos esportivos e culturais. O campo onde ocorre o ataque é isolado para perícia, com marcações no chão indicando cápsulas de munição espalhadas pelo gramado e pelas laterais.

Moradores, porém, relatam que o medo supera a presença policial. Pais discutem se mantêm filhos em escolinhas de futebol de bairro. Donos de pequenos comércios avaliam fechar mais cedo nos próximos dias. “Se até um jogo de futebol vira alvo de ataque, a gente sente que não tem mais lugar seguro”, afirma um comerciante que assiste à movimentação de viaturas na rua principal. A fala ecoa um sentimento que cresce a cada novo episódio de violência em espaços públicos.

Tragédia expõe fragilidade de espaços de lazer

A dimensão do ataque, com 11 mortos e 12 feridos em uma única ação, pressiona autoridades municipais e estaduais a revisar protocolos de segurança em eventos esportivos amadores. Organizações comunitárias que administram campos e ligas de futebol de bairro cobram apoio para instalar iluminação adequada, câmeras e saídas de emergência. Especialistas em segurança ouvidos por veículos locais argumentam que pontos de encontro previsíveis, como jogos semanais, tendem a se tornar alvos fáceis quando o poder público não garante presença mínima de fiscalização.

O episódio se soma a uma série de ataques em locais de convivência, como bares, festas populares e quadras esportivas, registrados no México ao longo da última década. Relatórios de organizações civis apontam que a disseminação de armas de fogo e a atuação de grupos criminosos em cidades médias ampliam o risco de eventos com múltiplas vítimas, mesmo em situações que não envolvem diretamente disputas entre facções. Em vários desses casos, comunidades relatam a mesma sequência: incredulidade inicial, luto coletivo e, logo em seguida, adaptação forçada a novas rotinas de medo.

O que vem a seguir para a comunidade e para o poder público

As primeiras horas após o ataque são dedicadas à identificação das vítimas, ao atendimento dos 12 feridos e ao mapeamento da cena do crime. Equipes de perícia recolhem projéteis e analisam imagens de câmeras próximas na tentativa de traçar a rota de fuga dos atiradores. Delegados responsáveis pelo caso prometem divulgar, nos próximos dias, uma primeira linha de investigação mais consolidada e eventuais retratos falados de suspeitos. A expectativa é de que a pressão social por respostas rápidas cresça à medida que famílias enterrarem parentes e amigos.

A tragédia, ocorrida em 26 de janeiro de 2026, tende a se tornar referência em debates sobre violência armada e segurança em espaços públicos no centro do México. A forma como o caso será conduzido pode influenciar decisões futuras sobre orçamento para policiamento comunitário, regras de uso de áreas de lazer e responsabilidade de organizadores de eventos esportivos, ainda que amadores. A pergunta que permanece aberta é se a morte de 11 pessoas em um jogo de futebol será suficiente para romper a rotina de promessas não cumpridas ou se vai se somar a um histórico de casos que chocam por alguns dias e desaparecem sem mudanças estruturais.

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