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Santi Moreno reage às críticas e vira herói do Fla-Flu no Maracanã

Santi Moreno transforma vaias em aplausos na vitória do Fluminense por 2 a 1 sobre o Flamengo, na noite de 25 de janeiro de 2026, no Maracanã. Criticado nas últimas semanas, o colombiano participa diretamente do gol que abre o placar e muda o humor da torcida tricolor.

Da desconfiança à consagração em 90 minutos

O clássico começa sob desconfiança para Moreno. Parte da torcida do Fluminense ainda trata o meia-atacante com impaciência, marcada por atuações irregulares desde a chegada ao clube. A chuva forte que cai sobre o estádio pouco antes do apito inicial parece anunciar mais uma noite confusa, dentro e fora de campo.

O temporal alaga o gramado em poucos minutos e interrompe o Fla-Flu aos nove. A partida fica parada por cerca de 40 minutos, enquanto poças se formam e jogadores tentam manter o aquecimento. Quando o árbitro Alex Gomes Stéfano autoriza o reinício, o jogo volta pesado, arrastado, com cada passe sujeito a um desvio imprevisível na água.

O primeiro susto vem aos 25. Carrascal balança a rede para o Flamengo, mas está à frente da linha de defesa, em claro impedimento. O bandeirinha anula o lance sem precisar do árbitro de vídeo. A resposta do Fluminense aparece no fim do primeiro tempo, quando Kevin Serna testa o goleiro Andrew, que faz defesa impressionante à queima-roupa e segura o 0 a 0.

O intervalo traz mais expectativa do que certezas. O gramado ainda pesado exige força física e atenção redobrada. A pressão se concentra em Moreno, que sente a responsabilidade. Ele sabe que parte da arquibancada o enxerga como símbolo das dúvidas sobre o elenco. A resposta vem em campo, em uma jogada simples, direta e eficiente.

A jogada que muda o jogo e a relação com a torcida

O segundo tempo mal começa e o ritmo muda. Aos seis minutos, Moreno recebe no meio, tabela com John Kennedy e acelera em direção à área rubro-negra. O passe em profundidade encontra Kevin Serna, cara a cara com Andrew. O colombiano, até então discreto, executa com calma: toque cruzado, 1 a 0 Fluminense.

A comemoração nas arquibancadas vem com alívio e surpresa. O jogador que era alvo de críticas se torna protagonista da construção do gol. Nas redes sociais, o tom muda instantaneamente. “Hoje o Santi joga como se valesse contrato novo”, escreve um torcedor tricolor no X, antigo Twitter. Outro resume o sentimento da noite: “Critiquei muito, mas hoje é para aplaudir de pé”.

O gol destrava o time. Aos 20, em bola parada, a defesa do Flamengo falha no corte e John Kennedy aproveita a sobra na pequena área. Chuta de esquerda e amplia para 2 a 0. O clássico ganha contornos de afirmação para o Fluminense, que controla o resultado mesmo sob pressão. O Flamengo desconta aos 27, em cabeçada de Everton Cebolinha, mas não consegue empatar.

O outro lado do Maracanã vive noite de frustração. Nas redes sociais, torcedores rubro-negros se dividem entre críticas ao sistema defensivo e à atuação individual de jogadores. Sobram cobranças para Léo Ortiz, que se enrola na saída de bola no primeiro gol tricolor, e para o sistema de marcação que permite a sobra para John Kennedy no segundo.

A arbitragem também entra na mira. Decisões de Alex Gomes Stéfano geram revolta entre flamenguistas, que classificam alguns lances como “maluquice” em postagens. A queixa mais forte mira a condução da partida em um gramado pesado, com dúvidas sobre critérios de faltas e uso do cartão amarelo. O clima de inconformismo aumenta a carga dramática do clássico.

Impacto direto no elenco, na arquibancada e no campeonato

A vitória por 2 a 1, em um Fla-Flu marcado por chuva, paralisação e polêmicas, faz mais do que somar três pontos para o Fluminense. O resultado reforça a imagem de um time capaz de competir em cenário adverso e fortalece a confiança em peças que ainda buscavam afirmação. Moreno simboliza esse movimento.

O colombiano chega ao clássico sob crítica constante. Questionado por rendimento irregular e pelo custo de sua contratação, enfrenta uma base de torcedores descrente. O Fla-Flu, um dos jogos mais vigiados do calendário, vira vitrine. Ao participar da jogada do primeiro gol e se manter ativo na criação, ele oferece argumento concreto para permanecer no time e ganhar sequência.

O efeito psicológico é imediato. Jogadores abraçam Moreno após o gol, em gesto que ecoa nas cadeiras do Maracanã. A relação com a arquibancada, até então fria, ganha contornos de trégua. Nas redes, antigos críticos admitem mudança de postura e enxergam no desempenho da noite um possível ponto de virada na passagem do atleta pelo clube.

O Flamengo sente o impacto em outra direção. A derrota para o maior rival, em janeiro, acende alertas internos. A estreia do goleiro Andrew, elogiado pela defesa no primeiro tempo, passa a ser relativizada por torcedores que lamentam a atuação do sistema defensivo como um todo. Comentários com tom de “coitado” se multiplicam ao tentar isolar o jovem arqueiro da responsabilidade pelo revés.

As discussões se estendem à arbitragem e ao planejamento da temporada. Em ano de Campeonato Carioca, competições nacionais e possivelmente torneios continentais, o desempenho em clássicos serve de termômetro. Uma derrota em jogo grande, ainda em janeiro, pressiona projetos e antecipa debates que, em tese, só chegariam mais adiante.

O que o Fla-Flu projeta para a temporada

O jogo deste 25 de janeiro de 2026 não se encerra no apito final. A atuação de Santi Moreno abre nova janela para o Fluminense ajustar o meio-campo e explorar o potencial do colombiano. A comissão técnica ganha argumento para mantê-lo entre os titulares em compromissos do Campeonato Carioca e em torneios mais longos ao longo do ano.

A relação com a torcida também entra em fase diferente. A mudança de percepção em um clássico pesado tende a aumentar a paciência com eventuais oscilações futuras. Se Moreno transforma a atuação contra o Flamengo em padrão, não em exceção, o Fla-Flu deste início de temporada pode ser lembrado como o ponto em que sua trajetória no clube muda de rota.

No Flamengo, a partida força revisão imediata de postura defensiva e gestão de elenco. O clube precisa decidir se trata o resultado como acidente em noite de chuva ou como sinal de alerta. As próximas rodadas do estadual vão indicar se a equipe reage com ajustes táticos, troca de peças ou apenas com discurso de que ainda é cedo.

O clássico deixa uma pergunta em aberto em ambos os lados do Maracanã: a noite de chuva e virada de humores é um capítulo isolado ou o primeiro indício do que será a temporada de 2026 para Fluminense, Flamengo e, sobretudo, para Santi Moreno?

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