Ciencia e Tecnologia

Vocalista do Asas Morenas revela inspiração em Thundercats e viraliza

O nome do vocalista da banda sergipana Asas Morenas nasce de um grito clássico de Thundercats e encontra novo fôlego em 2026. Vídeos em que ele abre os braços, em alusão direta ao desenho dos anos 80, viralizam nas redes e levam o grupo além das fronteiras de Sergipe.

Do desenho da TV ao palco em Sergipe

A história começa em Aracaju, ainda na infância do cantor, quando as tardes de TV aberta giram em torno de Thundercats. O protagonista Lion-O ergue a espada, abre os braços e convoca a equipe com o bordão que ecoa em muitas casas brasileiras entre 1986 e 1990. A cena cola na memória de uma geração e, anos depois, vira marca de palco.

O vocalista, batizado em homenagem ao universo do desenho, transforma a lembrança em identidade artística. Ao assumir a frente do Asas Morenas, grupo que circula em bailes e festas pelo interior sergipano desde meados dos anos 2010, ele decide levar a referência para o corpo. O gesto dos braços abertos, repetido a cada refrão, vira assinatura visual e ajuda o público a reconhecer a banda mesmo em palcos improvisados.

A rotina de shows em cidades como Itabaiana, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro constrói uma base fiel. A banda percorre cerca de 20 apresentações por mês em alta temporada, com cachês que variam de R$ 8 mil a R$ 15 mil, segundo produtores locais. Esse circuito regional, quase sempre documentado por celulares de fãs, prepara o terreno para a explosão recente nas redes.

Os primeiros vídeos com milhões de visualizações começam a circular no fim de 2025, em cortes de 15 a 30 segundos no TikTok e no Instagram. O enquadramento é simples: câmera de baixo para cima, som comprimido, vocalista ao centro, braços totalmente abertos no auge do refrão. Em poucos dias, trechos específicos ultrapassam 3 milhões de visualizações e se espalham em páginas de memes, perfis de nostalgia e contas dedicadas a cultura pop dos anos 80 e 90.

Gesto antigo, engajamento novo

A viralização não depende apenas do carisma do vocalista. A associação direta com Thundercats cria uma ponte entre quem cresceu vendo o desenho e quem o conhece apenas por referências na internet. Usuários de 30 a 45 anos compartilham os vídeos explicando a origem do movimento. Adolescentes e jovens adultos replicam a pose em challenges de dança. A combinação empurra o Asas Morenas para um público que nunca tinha ouvido falar da banda.

Em menos de dois meses, o perfil do grupo no Instagram salta de algo em torno de 15 mil para mais de 120 mil seguidores, segundo dados divulgados pela própria banda em 15 de janeiro de 2026. No TikTok, os vídeos com a hashtag ligada ao nome do vocalista somam mais de 25 milhões de visualizações. Produtores de eventos relatam aumento de 30% na procura por datas com a banda para o primeiro semestre do ano.

A identificação com Thundercats também funciona como atalho de comunicação. O gesto dos braços abertos dispensa explicação detalhada: remete de imediato ao herói do desenho, à ideia de convocação coletiva e à estética exagerada dos anos 80. Especialistas em cultura pop apontam que esse tipo de referência clara ajuda a organizar a memória afetiva do público em torno de imagens simples. A repetição do movimento, show após show, reforça a marca visual e alimenta novos cortes virais.

A estratégia não é formalizada em planos de marketing, mas emerge da prática de palco. A banda mantém repertório voltado ao romântico e ao brega, com letras sobre amores interrompidos, retomadas e saudade. O contraste entre a sonoridade sentimental e a performance inspirada em um desenho de ação produz o tipo de estranhamento que costuma render compartilhamentos. Nas caixas de comentários, seguidores misturam risos, elogios e confissões de nostalgia.

Cultura pop, mercado local e próximos passos

O efeito imediato da viralização é concreto. Casas de show em Sergipe relatam lotação próxima a 100% em apresentações recentes do Asas Morenas. Em uma casa na zona norte de Aracaju, a capacidade de 1,5 mil pessoas é atingida em menos de uma hora de bilheteria aberta, segundo relato de organizadores. Contratantes de outros estados do Nordeste, como Bahia e Alagoas, começam a sondar agendas para junho e julho, período de festas juninas, quando a demanda por atrações regionais aumenta até 40%.

O interesse reacende o debate sobre como bandas locais se apropriam de referências globais para se destacar em um mercado saturado. No caso do Asas Morenas, o vínculo com Thundercats não se resume ao nome ou ao gesto dos braços abertos. A estética de figurinos, com cores fortes e ombreiras discretas, dialoga com o visual exagerado dos anos 80, ainda que em versões adaptadas ao calor sergipano e aos palcos ao ar livre. Essa escolha visual ajuda a criar uma narrativa coesa em fotos, vídeos e materiais de divulgação.

A repercussão também acende um sinal para outras bandas em Sergipe, que veem na história um possível modelo. Produtores locais estimam que ao menos dez grupos iniciam, nas últimas semanas, ajustes de figurino e performance para explorar suas próprias referências de cultura pop. O movimento pode fortalecer o circuito musical do estado, gerar novas parcerias com influenciadores digitais e atrair marcas interessadas em associar produtos a memórias afetivas dos anos 80 e 90.

O Asas Morenas trabalha agora na gravação de novos clipes e em um miniálbum previsto para o segundo semestre de 2026, com pelo menos seis faixas inéditas. A expectativa é transformar o interesse espontâneo das redes em público recorrente, capaz de sustentar uma agenda nacional e ampliar a receita da banda para patamares acima de R$ 100 mil mensais. O passo seguinte, admitem pessoas próximas à equipe, é definir até que ponto a referência a Thundercats continuará central ou dará espaço a novas camadas de identidade.

A trajetória recente mostra que um gesto simples, repetido no palco de uma banda regional, pode reorganizar trajetórias e recolocar Sergipe no mapa da cultura pop brasileira. O desfecho ainda está em aberto: o público dirá se a conexão com um desenho dos anos 80 será apenas um gatilho de nostalgia ou o alicerce de uma carreira de longo prazo.

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