Hulk decide, Atlético-MG vira sobre o Cruzeiro e reage no Mineiro
O Atlético-MG vence o Cruzeiro por 2 a 1 de virada neste domingo (25), na Arena MRV, e conquista a primeira vitória em 2026. Hulk marca o gol decisivo, reacende a confiança alvinegra e pressiona o rival celeste em pleno clássico com volta de torcida visitante.
Virada em clássico tenso e Arena MRV dividida
O clássico começa com cara de recomeço para os dois lados, mas é o Atlético que transforma a tarde em ponto de virada. Diante de mais de 2,5 mil cruzeirenses liberados novamente como torcida visitante, algo que não ocorria em Belo Horizonte desde 2023, o time alvinegro responde à pressão da arquibancada e do calendário. A vitória por 2 a 1, construída com gols de Bernard e Hulk após o Cruzeiro sair na frente com Kaio Jorge, recoloca o Galo na briga pela liderança do Grupo A do Campeonato Mineiro.
O contexto pesa. O Atlético chega ao clássico ainda sob desconfiança, em busca de recuperação na temporada e precisando reagir no estadual. Com o resultado, vai a sete pontos na chave, empata com o Democrata-GV e passa a mirar a ponta com mais convicção. O Cruzeiro, de Tite, acumula a terceira derrota em 2026, estaciona nos seis pontos e vê o North abrir vantagem na liderança com oito.
O clima de decisão fica claro desde o apito inicial. Aos três minutos, Hulk cobra falta da direita e encontra Victor Hugo livre na área. A cabeçada sai por cima da meta de Cássio e acende a torcida atleticana. Em seguida, Dudu tem duas chances na entrada da área, mas finaliza mal nas duas. O Cruzeiro responde com velocidade: Christian entra na área como elemento surpresa, prefere o passe para Kaio Jorge, e a zaga alvinegra alivia. No lance seguinte, o camisa 19 aparece de novo, chuta mascado após cruzamento de Christian e assusta Everson.
O gol celeste amadurece e vem ainda no primeiro tempo. Wanderson faz lançamento longo às costas da defesa atleticana, Kaio Jorge arranca em diagonal e finaliza com calma, mantendo o bom retrospecto em clássicos. A bola entra e silencia parte da Arena MRV. A resposta do Atlético vem mais no grito do que no jogo naquele momento, enquanto Tite tenta controlar o ritmo à beira do campo.
O primeiro tempo ainda guarda sustos de outra natureza para o torcedor atleticano. Aos 30 minutos, o lateral-direito Ángelo Preciado, um dos reforços da temporada, se machuca sozinho após dividida com Kaiki. Sente dores, deixa o gramado e vira preocupação para a sequência do ano. Pouco depois, o estádio ferve em reclamação. Bernard entra na área, cai em disputa com Kaiki e pede pênalti. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda manda seguir. Jogadores dos dois lados se encaram, formam um pequeno tumulto que dura poucos segundos e é contido rapidamente.
Pressão, reação alvinegra e Cruzeiro sob cobrança
O intervalo muda o comportamento do Atlético. O time volta mais adiantado, marca alto e não permite que o Cruzeiro troque passes com conforto na saída de bola. A pressão funciona logo nos primeiros minutos da etapa final. Após roubada no campo ofensivo, Dudu acelera pela direita e cruza rasteiro. Bernard fecha na área, se joga de carrinho e empata o clássico, premiando a postura mais agressiva do Galo.
O gol reorganiza o jogo e devolve confiança ao Atlético. A torcida, que já ensaiava vaias no fim do primeiro tempo, passa a empurrar o time a cada dividida. Hulk, discreto nos minutos iniciais, começa a receber mais bolas em condições de decidir. Aos 25 minutos, o camisa 7 assume o protagonismo: parte para cima da marcação, conduz a bola com força, corta para dentro e finaliza com precisão no canto direito de Cássio. O goleiro se estica, mas não alcança. É o 2 a 1 que vira o placar e reafirma a fama do Cruzeiro como uma de suas vítimas favoritas.
O Cruzeiro tenta reagir, mas sente o golpe. Tite mexe na equipe, empurra o time para frente e passa a jogar com mais homens no ataque. Matheus Pereira e Gerson assumem a criação, buscando infiltrações na intermediária. A chance mais clara vem nos minutos finais, em uma jogada que reúne justamente os dois. Matheus aciona Gerson, recebe de volta e vê o camisa 10 cruzar na medida para Arroyo. Na pequena área, com Everson já batido, o equatoriano finaliza por cima e desperdiça a bola do empate. O lance resume a tarde celeste: criação razoável, definição falha.
O resultado expõe momentos distintos dos rivais. O Atlético, pressionado por desempenho irregular e em início de temporada sob cobrança, ganha combustível emocional com uma virada em clássico dentro de casa. A vitória alimenta a confiança da torcida e oferece margem para o técnico ajustar a equipe com mais calma. O Cruzeiro, ao contrário, vê crescer a temperatura interna após a terceira derrota em 2026, em um ano em que a expectativa é de consolidação do projeto sob Tite e de protagonismo regional.
Disputa embolada, calendário pesado e próximos capítulos
O Mineiro entra em fase mais aguda com a tabela embolada no topo. Com sete pontos, o Atlético iguala o Democrata-GV no Grupo A e volta a mirar a liderança imediata, em um cenário em que cada rodada passa a ter peso de mata-mata. O Cruzeiro permanece com seis pontos, vê o North chegar a oito e se aproxima de uma zona desconfortável para quem mira, ao menos, a liderança de chave e uma campanha sólida desde janeiro.
As próximas rodadas testam a consistência da reação atleticana e a capacidade de resposta cruzeirense. No sábado (31), o Atlético visita o Pouso Alegre, às 16h30 (de Brasília), no Manduzão, com a missão de transformar a virada no clássico em sequência positiva. Um tropeço pode devolver o time ao terreno da dúvida. No domingo (1º), às 20h, o Cruzeiro encara o Betim fora de casa, na Arena Urbsan, sob a obrigação tácita de reagir imediatamente para não ver a confiança se esvair ainda em fevereiro.
A volta da torcida visitante em clássico, com cerca de 2,5 mil cruzeirenses presentes na Arena MRV, adiciona outro componente para os próximos encontros entre os rivais. O ambiente dividido, ainda que em proporção menor, potencializa a rivalidade e recoloca à prova os esquemas de segurança, a relação entre organizadas e a experiência do torcedor comum. A tendência é que os próximos clássicos, no Mineiro ou no Brasileiro, sejam disputados não apenas em campo, mas também nas arquibancadas, onde cada canto passa a pesar tanto quanto um desarme ou um chute de fora da área.
