Tempestade de inverno cancela mais de 17 mil voos nos EUA
Uma forte tempestade de inverno paralisa a aviação nos Estados Unidos entre sábado (25) e segunda-feira (26). Mais de 17 mil voos são cancelados, com maior impacto na costa leste, no pior dia para viagens aéreas em cinco anos.
Domingo marca recorde de cancelamentos desde o auge da pandemia
O domingo (25) se transforma no símbolo do caos aéreo. Até as 14h20 no horário da costa leste, sistemas de monitoramento registram mais de 10.800 voos cancelados em todo o país, segundo o site FlightAware. O volume só perde para 30 de março de 2020, quando 12.143 voos deixam de decolar nos primeiros dias de paralisação provocada pela Covid-19, de acordo com a consultoria de aviação Cirium.
O cenário atual tem origem bem diferente. A responsável é uma intensa tempestade de inverno que avança sobre os Estados Unidos com frio rigoroso, ventos cortantes e neve contínua. Na prática, o mau tempo derruba a visibilidade, cobre pistas de gelo e reduz a margem de segurança para pousos e decolagens. Equipes em solo correm para limpar áreas operacionais, mas a neve volta a cobrir o asfalto em poucos minutos, segundo relatos de funcionários de aeroportos à imprensa americana.
Passageiros enfrentam incerteza, filas e noites em aeroportos
A tempestade ganha força já no sábado (24), quando mais de 4.100 voos são cancelados preventivamente. Companhias aéreas decidem reduzir a malha em grandes hubs da costa leste, como Nova York, Boston, Filadélfia e Washington, para evitar pousos arriscados. Em muitas rotas, a alternativa é suspender toda a operação. A medida tenta preservar segurança e dar algum grau de previsibilidade às equipes, mas atinge em cheio os passageiros.
Milhares de pessoas passam o fim de semana em aeroportos lotados, em filas para remarcação e em busca de acomodação de última hora. Telões exibem sucessivas telas vermelhas, com a palavra “cancelado” substituindo horários de saída. Em entrevistas às TVs americanas, viajantes relatam frustração e cansaço. “Eu tinha compromisso de trabalho na segunda-feira, mas agora não sei quando vou conseguir embarcar”, diz um passageiro em Nova York. Outro resume a sensação ao canal local: “A gente entende que é por segurança, mas é desesperador não ter resposta clara”.
Companhias redesenham malha e se preparam para efeito cascata
A decisão de cancelar em massa se repete na projeção para segunda-feira (26). Até a tarde de domingo, mais de 2.200 voos já aparecem como cancelados para o início da semana, número que tende a crescer à medida que as previsões meteorológicas confirmam a permanência do frio extremo. Especialistas em aviação alertam que, mesmo quando a neve diminuir, o sistema não se normaliza de imediato. Aviões e tripulações fora de posição, horários estourados de jornada de trabalho e filas de passageiros reacomodados provocam um efeito cascata que pode durar dias.
Para as companhias, o impacto financeiro é significativo. Cancelamentos em larga escala significam perda de receita, custos extras com realocação, alimentação e hospedagem de passageiros, além de horas adicionais de equipes e de manutenção. Empresas americanas anunciam políticas de flexibilização, com remarcações sem multa e possibilidade de crédito futuro, em uma tentativa de reduzir o desgaste com clientes e evitar congestionamento em centrais de atendimento. Ainda assim, muitos viajantes relatam dificuldade para falar com atendentes e para encontrar assentos disponíveis em novos voos.
Clima extremo expõe fragilidade da infraestrutura aérea
A onda de frio atual reabre o debate sobre a resiliência da infraestrutura de transporte dos Estados Unidos diante de eventos climáticos extremos. Nevascas fortes fazem parte do inverno no país, mas a combinação de temperaturas abaixo de zero por vários dias, vento intenso e volume de gelo nas pistas cria um patamar de risco maior. Em aeroportos antigos ou saturados, a capacidade de limpar rapidamente todas as áreas operacionais e retomar a rotina é limitada.
Analistas lembram que o recorde de 2020 tem origem em uma crise sanitária global sem precedentes, enquanto o pico de 2026 está ligado exclusivamente ao clima. A comparação, dizem, ajuda a dimensionar a gravidade da tempestade atual. “Quando você se aproxima dos números da pandemia por causa do tempo, significa que o sistema operou no limite”, avalia um consultor ouvido pela imprensa americana. Governos locais e administrações aeroportuárias são pressionados a investir em equipamentos de remoção de neve, sistemas de aquecimento de pistas e planos de contingência mais robustos para proteger passageiros e funcionários.
Próximos dias mantêm alerta máximo para quem precisa viajar
Metereologistas indicam que o frio intenso e a instabilidade atmosférica devem continuar afetando a costa leste e parte do centro dos EUA nos próximos dias. A tendência é de uma retomada gradual dos voos, com prioridade para rotas mais movimentadas e conexões essenciais. A normalização completa, porém, depende da redução consistente da neve e do gelo, além da realocação de aeronaves e tripulações para suas bases de origem.
Passageiros recebem recomendações claras: checar o status do voo antes de sair de casa, considerar mudanças de rota, avaliar o adiamento de viagens não essenciais e se preparar para esperas longas. Companhias aéreas ajustam a malha dia a dia, de olho nas próximas rodadas de previsões. A pergunta que permanece é até que ponto o setor conseguirá adaptar sua operação a um clima cada vez mais extremo, sem transformar cada nova tempestade em um novo recorde de cancelamentos.
