Ultimas

Irmãos desaparecidos no MA teriam sido vistos em hotel no centro de SP

Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há 22 dias no Maranhão, teriam sido vistos neste sábado (24) em um hotel na região da República, no centro de São Paulo. A Polícia Civil paulista investiga a denúncia e já comunicou as autoridades maranhenses sobre o possível novo rumo do caso.

Denúncia em São Paulo muda o eixo das buscas

A informação de que duas crianças com as características de Ágatha e Allan estariam hospedadas em um hotel da República chega em um momento de exaustão das buscas em Bacabal, no interior do Maranhão. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirma, em nota, que equipes da Polícia Civil apuram a procedência da denúncia e que a polícia maranhense foi avisada oficialmente sobre o possível paradeiro dos irmãos.

O caso ganha contornos nacionais desde o início do mês, quando os irmãos somem após sair para brincar no território quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. As buscas mobilizam mais de 500 pessoas, entre policiais civis, militares da Marinha, bombeiros, voluntários e moradores da região. A suspeita de que as crianças possam ter sido levadas para outro estado amplia a investigação e pressiona as forças de segurança a agir de forma coordenada.

Desaparecimento em área quilombola e 22 dias de buscas

Ágatha e Allan desaparecem no último dia 4, ao lado do primo Anderson Kauã, de 8 anos, em uma área de mata do território quilombola São Sebastião dos Pretos. Os três saem para brincar perto de casa, em uma região cortada pelo Rio Mearim e cercada por vegetação densa. Poucas horas depois, a família perde o contato com as crianças e aciona as autoridades locais.

Três dias mais tarde, Anderson é encontrado com vida em uma área de mata no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros do ponto onde os primos haviam sido vistos pela última vez. O resgate é feito por três produtores rurais que trafegam em uma carroça a caminho do trabalho e avistam o menino em meio à vegetação. Levado para atendimento médico, ele recebe alta na terça-feira (20) e passa a colaborar diretamente com as equipes de busca.

O garoto descreve às autoridades o trajeto percorrido com Ágatha e Allan até uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”, nas proximidades do Rio Mearim. A partir do relato, policiais e bombeiros varrem a região, ampliam o raio das operações e usam barcos, drones e cães farejadores. “Varrermos toda a área indicada e seguimos avançando para além dos pontos já mapeados”, afirma, em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.

Mesmo com esse esforço, as equipes chegam ao 22º dia de buscas sem sinal dos irmãos. Em meio à angústia da família, o caso entra no protocolo Amber Alert, ferramenta de alerta rápido para desaparecimento de crianças, e passa a circular em redes sociais e canais oficiais. A visibilidade ajuda a multiplicar denúncias e avistamentos, mas também exige triagem constante das autoridades, que tentam separar boatos de pistas efetivas.

Hipóteses em aberto e pressão por respostas

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informa que nenhuma linha de investigação é descartada. A principal hipótese segue sendo a de que as crianças tenham se perdido na mata, desorientadas pela distância e pela complexidade do terreno. Outras possibilidades, como sequestro, crime organizado ou tráfico de pessoas, não são publicamente confirmadas, mas seguem sob análise, segundo investigadores envolvidos no caso.

A notícia do possível aparecimento dos irmãos em São Paulo tem efeito imediato sobre a estrutura de buscas. A partir da denúncia na capital paulista, a prioridade deixa de ser apenas “varrer” áreas rurais e passa a incluir a checagem de deslocamentos interestaduais, registros de passagens, câmeras de segurança e eventual uso de documentos falsos para movimentar as crianças. A investigação em São Paulo tenta identificar quem faz a reserva no hotel, como as duas crianças chegam ao local e se há adultos acompanhando o suposto casal de irmãos.

Em Bacabal e nas comunidades quilombolas do entorno, a informação é recebida com uma mistura de esperança e cautela. A possibilidade de que Ágatha e Allan estejam vivos reacende o otimismo de parentes e vizinhos, mas também expõe a fragilidade da rede de proteção à infância em áreas isoladas. A comoção local se converte em vigílias, correntes de oração e pressão diária sobre delegacias e órgãos de governo.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem avaliam que o caso evidencia um ponto cego histórico das políticas de proteção à infância em territórios remanescentes de quilombos. A distância de centros urbanos, a falta de estrutura de comunicação e a presença de áreas de mata extensa dificultam ações rápidas. “Quando a resposta inicial demora, o risco de deslocamento das vítimas para outras regiões aumenta muito”, resume um investigador com atuação em casos de desaparecimento de crianças.

Cooperação entre estados e próximos passos

A suposta aparição dos irmãos em um hotel na República coloca à prova a articulação entre as polícias de São Paulo e do Maranhão. A troca de informações precisa ser rápida para confirmar ou descartar a denúncia, cruzar dados de hóspedes, checar câmeras do entorno e identificar possíveis rotas utilizadas para tirar as crianças do Maranhão. Em paralelo, as equipes em Bacabal mantêm as buscas em campo, ainda sob a premissa de que não há certeza sobre a saída dos irmãos da região.

O caso também pressiona órgãos de proteção à infância e ao adolescente a rever protocolos em áreas rurais e quilombolas, onde a circulação de crianças sem supervisão de adultos é comum e vista como parte da rotina comunitária. Em São Sebastião dos Pretos, lideranças locais discutem formas de reforçar a vigilância sem romper tradições da comunidade. A família de Ágatha e Allan continua entre o silêncio e o apelo público, à espera de uma confirmação que possa encerrar semanas de incerteza.

As próximas horas são decisivas para a investigação em São Paulo, que tenta transformar uma denúncia ainda genérica em elementos concretos: identificação de responsáveis, imagens, rotas e veículos. No Maranhão, cada novo dia de buscas reforça a urgência de respostas. Até que uma pista seja confirmada, a pergunta que une policiais, familiares e a opinião pública segue sem resposta: onde estão Ágatha e Allan?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *