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Implosão do Torre Palace lança destroços e quebra vidros de hotel vizinho

A implosão do antigo Hotel Torre Palace, às 10h deste domingo (25/1), em Brasília, derruba o primeiro hotel de luxo da capital e espalha destroços pelo Setor Hoteleiro Norte. Fragmentos atingem o Nobile Suites Monumental, quebram ao menos cinco vidraças e tomam de concreto e poeira a fachada do prédio vizinho, sem registro de feridos.

Fim de um ícone em poucos segundos

O relógio marca 10h em ponto quando o Torre Palace começa a ruir. Em menos de dez segundos, a estrutura que domina a paisagem do Setor Hoteleiro Norte por mais de cinco décadas desaparece em uma nuvem densa de poeira. O prédio, fechado havia 13 anos, deixa para trás apenas um monte de escombros cercado por máquinas, tapumes e equipes de emergência.

No Nobile Suites Monumental, a poucos metros da área isolada, o impacto aparece nas janelas. Pelo menos cinco vidraças estilhaçam com a força do deslocamento de ar e a queda dos resíduos. A calçada e a entrada do hotel ficam cobertas por fragmentos de concreto, vidro e ferragens, exigindo uma operação imediata de limpeza para liberar o acesso. Hóspedes retirados preventivamente pela manhã acompanham à distância a movimentação de funcionários e bombeiros.

A demolição é planejada ao detalhe. Técnicos distribuem cerca de 165 quilos de explosivos em aproximadamente mil pontos da estrutura. O objetivo declarado é fazer o prédio descer sobre si mesmo, reduzindo o alcance dos destroços. Antes da sequência de detonações, sirenes tocam, mensagens são enviadas por celular e drones registram, do alto, os últimos instantes do edifício que inaugura o conceito de luxo em Brasília nos anos 1970.

O entorno passa por uma operação de guerra. Detran, Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros formam uma força-tarefa para esvaziar hotéis e comércios em um raio de até 300 metros. Vias N1 e N2 têm trechos interditados, estacionamentos são bloqueados e o trânsito desviado para a W3 Norte. Mesmo com as restrições, moradores, turistas e curiosos se concentram em pontos considerados seguros, como as proximidades da Torre de TV, à espera do estrondo.

Demolição controlada expõe riscos de obras urbanas

A cena confirma um paradoxo conhecido de grandes implosões urbanas: o procedimento é calculado para ser seguro, mas não elimina o risco de danos materiais. Técnicos preveem que parte dos escombros pode ultrapassar o perímetro imediato, o que leva à ampliação da área de isolamento. Ainda assim, a queda controlada do Torre Palace lança resíduos além do esperado e atinge a fachada do Nobile Suites Monumental.

Funcionários do hotel correm para conter a entrada de poeira no saguão e afastar curiosos das áreas afetadas. Os fragmentos de vidro espalhados pelo chão exigem isolamento rápido. Equipes de vistoria fazem uma avaliação inicial das estruturas e, até o fim da manhã, não identificam danos aparentes à estabilidade do prédio. A prioridade é garantir que não haja risco para hóspedes e trabalhadores, antes de autorizar a retomada total das atividades.

A Defesa Civil coordena inspeções nos edifícios vizinhos, entre eles o Brasília Tower Hotel e o LET’s Idea Brasília Hotel, que não sofrem avarias visíveis. Engenheiros analisam fachadas, esquadrias e lajes para detectar fissuras ou deformações provocadas pelo impacto da onda de choque. O procedimento é padrão em demolições desse porte, mas ganha peso extra depois do efeito concreto sobre o Nobile Suites.

No cenário mais imediato, o prejuízo é material. O hotel afetado precisa substituir vidraças, revisar instalações e reforçar a limpeza em áreas comuns e unidades mais expostas à poeira. A conta exata ainda depende de laudos técnicos e de negociações com seguradoras e responsáveis pela implosão. A ausência de feridos, porém, afasta o risco de um desastre humano em uma operação que concentra, ao mesmo tempo, explosivos, estruturas envelhecidas e alta densidade urbana.

Terreno liberado e debate sobre memória urbana

A queda do Torre Palace encerra, na prática, uma novela que se arrasta por 13 anos de abandono. O prédio, que já recebe autoridades, artistas e turistas nos primeiros anos de Brasília, passa a simbolizar, mais recentemente, o esvaziamento de parte do Setor Hoteleiro Norte. As imagens deste domingo marcam o fim desse capítulo e abrem uma disputa silenciosa sobre o futuro do terreno, em uma das áreas mais valorizadas da região central.

O governo local aposta na demolição como passo necessário para “destravar” novos projetos. O lote volta ao jogo do planejamento urbano, em um momento em que o centro de Brasília tenta se reinventar, com misto de moradias, serviços e turismo. A liberação da área, porém, levanta questionamentos sobre critérios de preservação de edifícios marcantes e sobre o destino de construções antigas que não encontram novo uso econômico.

Nas próximas semanas, as atenções se voltam para o chão que sobra. Equipes iniciam a remoção gradual dos escombros, trabalho que tende a se estender por vários dias, com caminhões entrando e saindo do Setor Hoteleiro Norte. Laudos técnicos detalhados vão apontar se o impacto sobre o Nobile Suites Monumental e demais prédios vizinhos exige reparos estruturais ou apenas intervenções pontuais.

O desfecho da implosão também deve repercutir nos protocolos de segurança de futuras demolições no Distrito Federal. A combinação de danos materiais, ausência de vítimas e forte exposição pública cria um laboratório a céu aberto para engenheiros, gestores e órgãos de controle. A pergunta que fica, enquanto a poeira baixa sobre o antigo endereço do Torre Palace, é como conciliar a renovação da cidade com a segurança e a memória de quem a habita.

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