Vazamento revela visual do remake cancelado de Prince of Persia
Imagens inéditas do remake cancelado de Prince of Persia: The Sands of Time vazam em janeiro de 2026 e expõem a versão mais moderna do príncipe. O material, divulgado pelo insider j0nathan em redes sociais e servidores de Discord, mostra um projeto avançado, mas travado por conflitos criativos internos na Ubisoft.
Um príncipe remodelado que nunca chega ao público
O vazamento traz à superfície um trabalho que a Ubisoft guarda a sete chaves desde o anúncio original do remake, em 2020. A captura de tela divulgada por j0nathan revela um príncipe visualmente distante do herói de 2003, com traços mais realistas, roupas menos cartunescas e um corte de cabelo alinhado ao padrão de ação contemporâneo. O personagem parece pensado para dialogar com a estética de jogos lançados após 2020, mas permanece preso a um projeto que não sai do papel.
As novas imagens circulam em servidores de Discord e perfis de X (antigo Twitter) desde a segunda quinzena de janeiro. Junto da captura de tela, aparecem artes conceituais que colocam o príncipe lado a lado com a princesa Farah. Nessas ilustrações, o cenário sugere palácios mais detalhados e uma paleta de cores menos saturada do que a vista há mais de 20 anos na versão original de The Sands of Time, lançada em outubro de 2003 para PlayStation 2, Xbox, GameCube e PC.
Bastidores marcados por disputas criativas
Os bastidores desse remake ganham contornos mais claros a partir de relatos publicados no Reddit por um usuário que afirma ter trabalhado no projeto. Em conversas com fãs, o desenvolvedor descreve um jogo em estágio avançado de produção, mas longe de ser considerado pronto para lançamento. Segundo ele, a ausência de uma direção criativa única impede o time de fechar decisões fundamentais sobre estilo visual, tom narrativo e ritmo de gameplay.
O relato indica conflitos recorrentes entre equipes e mudanças de rota quase constantes. “Cada grupo parecia ter sua própria versão do que The Sands of Time deveria ser em 2025”, diz o desenvolvedor, em uma das conversas registradas por usuários. A disputa entre manter a nostalgia do clássico de 2003 e alinhar o jogo às expectativas de um público acostumado a produções de alto orçamento após 2020 cria um impasse que o estúdio não consegue resolver.
Mesmo em meio ao vai e vem de decisões, o time tenta preservar a espinha dorsal do original. A Adaga do Tempo continua no centro da experiência, permitindo voltar alguns segundos no tempo para corrigir erros de salto e combate. A estrutura de movimentação se mantém focada em corridas em paredes, saltos precisos e uso do cenário como extensão do corpo do personagem, sem transformar o combate em um sistema excessivamente complexo.
O combate segue baseado em espadas, com ênfase em ritmo, posicionamento e no uso das arenas. Em vez de combos longos e cheios de números na tela, o objetivo é reforçar a sensação de fluidez entre plataforma e ação, marca registrada da trilogia lançada entre 2003 e 2005. O remake tenta atualizar o visual e a apresentação sem romper com o que consagra o título original, mas esbarra na falta de consenso sobre até onde essa modernização pode ir.
Impacto para a franquia e para os fãs
O cancelamento do projeto, confirmado internamente antes de qualquer data de lançamento oficial, interrompe o que poderia ser uma das principais tentativas da Ubisoft de reposicionar Prince of Persia no mercado atual. Desde 2010, quando Prince of Persia: The Forgotten Sands chega às lojas, a série perde espaço para outras franquias da própria empresa, como Assassin’s Creed, que nasce em 2007 e assume parte do DNA de exploração e acrobacias da marca persa.
O vazamento de janeiro de 2026 reacende o interesse de uma base de fãs que acompanha a série há pelo menos duas décadas. Para muitos jogadores, as imagens funcionam como prova de que existia um projeto concreto, e não apenas um anúncio distante. Ao mesmo tempo, expõem a frustração com uma Ubisoft que parece hesitar diante da responsabilidade de atualizar um clássico que vendeu milhões de cópias na geração do PlayStation 2.
No curto prazo, o episódio pressiona a empresa a esclarecer o destino da franquia, num momento em que remakes e remasterizações movimentam cifras consideráveis no mercado global. Séries como Resident Evil, Dead Space e The Last of Us mostram que relançamentos podem alcançar vendas na casa dos milhões, com ciclos de desenvolvimento menores e menor risco criativo em comparação a novas propriedades intelectuais.
Os bastidores turbulentos do remake de Prince of Persia expõem um problema que atravessa a indústria de jogos de grande porte: a dificuldade de alinhar equipes globais em torno de uma visão clara. Projetos que envolvem centenas de profissionais, distribuídos por vários países e fusos, dependem de uma direção firme desde o início. Quando essa liderança vacila, os custos sobem, os prazos se alongam e a chance de cancelamento cresce, mesmo quando parte do conteúdo já está pronta.
O futuro incerto de Prince of Persia
O vazamento não significa, por si só, a retomada imediata do remake de The Sands of Time, mas muda o clima ao redor da franquia. As imagens se espalham com rapidez pelas redes e alimentam pedidos diretos para que a Ubisoft reaproveite ideias, concepts e modelos de personagem em um novo projeto. A pressão vem tanto de fãs veteranos quanto de jogadores mais jovens, que conhecem o príncipe mais por meio de vídeos antigos do que pela experiência direta com o jogo de 2003.
A empresa, até agora, evita comentar o material vazado e mantém silêncio sobre prazos, equipes e plataformas. O cenário mais provável envolve uma revisão completa da estratégia para a marca, que pode voltar em forma de novo remake, continuação inédita ou até como participação em projetos paralelos, como animações ou séries. Até que uma decisão seja anunciada, a versão moderna do príncipe que aparece nas imagens de janeiro de 2026 permanece como um lembrete concreto de um jogo que quase existiu, mas nunca chega às lojas.
