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Trump diz ter usado arma secreta para capturar Maduro na Venezuela

Donald Trump afirma ter usado uma arma secreta, apelidada de “descombobulator”, na operação que captura Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, em Caracas. Militares dos EUA, porém, dizem que o presidente mistura diferentes tecnologias já conhecidas, usadas para desativar as defesas venezuelanas.

Uma operação sigilosa em Fort Tiuna

A versão de Trump surge quase três semanas depois da ofensiva que leva helicópteros e tropas americanas ao complexo militar de Fort Tiuna, em Caracas, onde Maduro é capturado. A ação ocorre após uma sequência coordenada de ataques a radares, comunicações e sistemas de defesa aérea em todo o território venezuelano.

Em entrevista ao tabloide New York Post, publicada no sábado, Trump evita detalhes, mas insinua o uso de um armamento inédito. “O descombobulator, não tenho permissão para falar sobre isso”, diz o presidente. Segundo ele, o suposto dispositivo “fez com que [o equipamento inimigo] parasse de funcionar” durante a operação.

A descrição alimenta especulações, mas não encontra respaldo técnico direto. Um alto funcionário americano, ouvido pela CNN sob reserva, afirma que o presidente provavelmente confunde diferentes capacidades militares já em uso. “O descombobulator, na prática, não existe como arma única”, resume o assessor, citando a combinação de ataques cibernéticos, sistemas acústicos e, possivelmente, armas de energia dirigida.

Documentos e relatos obtidos pela CNN indicam que a missão de 3 de janeiro começa com uma onda de ataques a instalações estratégicas venezuelanas. Mais de 150 aeronaves decolam de cerca de 20 bases em terra e no mar, segundo o general da Força Aérea Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA. Bombardeiros, caças, aviões de inteligência e drones de ataque avançam quase ao mesmo tempo sobre alvos de defesa aérea.

Especialistas ouvidos pela emissora avaliam que os EUA usam drones de ataque de sentido único contra sistemas instalados na região costeira de Higuerote, onde a Venezuela concentra parte de sua defesa antiaérea. O objetivo é abrir corredores seguros para helicópteros de penetração, que seguem para Caracas com tropas de operações especiais.

Vídeos gravados na madrugada da operação mostram rajadas rápidas de disparos no interior de Fort Tiuna. Analistas militares identificam o som como compatível com helicópteros MH-60 Black Hawk, armados com canhões automáticos de 30 milímetros, em ação direta. As imagens sugerem combate intenso por alguns minutos, antes de um aparente cessar-fogo na área onde as aeronaves pousam.

A localização exata em que Maduro é detido, dentro do amplo complexo militar, ainda não vem a público. Também permanece em sigilo o roteiro detalhado da ação em terra, desde o desembarque até o momento em que o então presidente venezuelano é rendido e levado sob custódia.

Armas não convencionais e guerra cibernética

Mais do que um apelido de efeito, o “descombobulator” expõe uma tendência já em curso nas forças armadas de grandes potências: o uso combinado de ferramentas cibernéticas, armas não letais e plataformas tradicionais de ataque. No caso venezuelano, fontes americanas admitem o emprego de ataques digitais capazes de derrubar sistemas de alerta antecipado e redes de comunicação militar.

Além da camada invisível de códigos, os EUA recorrem a sistemas acústicos desenvolvidos há anos para controle de multidões e proteção de navios. Esses equipamentos emitem ondas sonoras direcionais, em alta intensidade, que desorientam, provocam dor aguda e forçam a retirada de pessoas de uma área específica.

A Casa Branca ajuda a alimentar o mistério ao destacar um relato dramático vindo do lado venezuelano. Dias após a captura, a secretária de imprensa Karoline Leavitt republica declarações atribuídas a um segurança de Maduro, que descreve uma espécie de investida sonora durante o ataque. “Lançaram alguma coisa que era como uma onda sonora muito intensa”, afirma o suposto agente. “De repente, senti como se minha cabeça estivesse explodindo por dentro. Todos nós começamos a sangrar pelo nariz. Alguns estavam vomitando sangue. Caímos no chão, sem conseguir nos mover.”

O depoimento, até agora não verificado de forma independente, reforça a hipótese de uso de armas acústicas ou de energia dirigida em escala tática. Os militares americanos mantêm há anos um sistema conhecido como Active Denial System (ADS), descrito como uma arma “de raio de calor”. O equipamento dispara um feixe de ondas eletromagnéticas que atinge pouco mais de 800 metros, penetra a camada superficial da pele e causa uma sensação intensa de aquecimento, fazendo o alvo se afastar do feixe.

O Pentágono classifica o ADS como não letal, embora testes internos já tenham registrado queimaduras e efeitos prolongados em alguns voluntários. Não há, até o momento, confirmação oficial de que o sistema seja usado na operação contra Maduro. A simples possibilidade, porém, alimenta o debate sobre os limites éticos e legais dessas tecnologias em cenários de guerra e de intervenção estrangeira.

Analistas lembram que a América Latina tem histórico sensível de ações encobertas e intervenções diretas dos EUA desde a Guerra Fria. O uso de armas secretas e ataques cibernéticos em uma capital sul-americana, em 2026, recoloca esse passado no centro das discussões diplomáticas, agora sob a lente de um arsenal muito mais sofisticado.

Diplomacia em alerta e dúvidas sobre o futuro

A revelação pública de Trump ocorre enquanto governos da região tentam medir o alcance jurídico e político da operação. A captura de um presidente em exercício, em seu próprio quartel-general, com apoio de tecnologias pouco transparentes, reabre questionamentos sobre soberania, direito internacional e a fronteira entre guerra e polícia internacional.

Diplomatas consultados em Brasília e em outras capitais latino-americanas avaliam, em privado, que o episódio pode aprofundar o isolamento da Venezuela, mas também desgastar a imagem de Washington. Países que já criticam sanções econômicas e embargos veem na operação um novo patamar de interferência, marcado por meios tecnológicos difíceis de rastrear e de responsabilizar.

Nos Estados Unidos, a narrativa do “descombobulator” reforça a imagem de poderio militar diante da base política de Trump, mas pressiona o Pentágono e o Congresso a esclarecer o que, de fato, foi usado em campo. Parlamentares democratas e republicanos discutem abrir audiências para investigar o emprego de armas não letais avançadas e de ferramentas cibernéticas ofensivas sem transparência pública.

Especialistas em direito internacional alertam que a normalização desse tipo de armamento pode baixar o custo político de intervenções futuras. Ataques digitais e armas de energia dirigida deixam poucos rastros visíveis, o que dificulta a comprovação de violações e reduz a capacidade de resposta de organismos multilaterais.

A própria Venezuela tenta construir sua versão dos fatos, enquanto aliados de Maduro falam em “sequestro” e “guerra tecnológica”. A batalha agora se desloca para foros diplomáticos e tribunais internacionais, em meio à disputa por imagens, depoimentos e relatórios periciais.

O detalhe técnico que hoje aparece como curiosidade — um nome informal, “descombobulator”, mencionado em uma entrevista — pode se tornar peça central em futuras investigações sobre o arsenal real empregado em Caracas. Até que documentos oficiais sejam divulgados, a operação de Fort Tiuna permanece cercada por sigilo e versões conflitantes, e a pergunta decisiva segue sem resposta: onde termina a propaganda política e onde começa a nova face da guerra moderna?

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