Vazamento revela visual e bastidores do remake cancelado de Prince of Persia
Imagens inéditas do remake cancelado de Prince of Persia: The Sands of Time vazam nas redes em janeiro de 2026. O material mostra um príncipe modernizado, a presença de Farah e expõe conflitos criativos que levaram ao fim do projeto.
Um clássico reimaginado que não sai do papel
O vazamento parte do criador de conteúdo e insider j0nathan, conhecido por antecipar informações sobre grandes lançamentos. Em suas redes sociais e em servidores de Discord, ele publica capturas de tela e artes conceituais que revelam como a Ubisoft pretendia atualizar o jogo lançado em 2003. As imagens circulam desde a segunda quinzena de janeiro e alimentam debates em comunidades de fãs no Brasil e no exterior.
O príncipe aparece com um visual mais contemporâneo, com traços mais realistas, roupas menos fantasiosas e uma silhueta próxima ao padrão dos jogos de ação atuais. A diferença em relação ao modelo de 2003 é evidente já no rosto, mais marcado, e na postura do personagem, que abandona parte do ar cartunesco do original. Ao lado dele, a princesa Farah surge em artes conceituais que atualizam roupas e adereços, mas preservam a ideia de parceria central para a história.
As imagens se somam a relatos de bastidores que começam a surgir em paralelo. Em um tópico no Reddit, um usuário que afirma ter trabalhado no projeto descreve um desenvolvimento avançado, mas longe de estar pronto para chegar ao mercado. Nas mensagens, ele fala em ciclos de mudança sucessivos e em uma disputa silenciosa por controle criativo dentro da produção.
Conflitos criativos travam o avanço do remake
O desenvolvedor relata que o remake tenta modernizar cenários e personagens sem romper com a base do jogo de 2003. “A ideia é atualizar o visual e a fluidez, não reinventar tudo”, diz ele em uma das interações, reproduzida por fãs em capturas de tela. Na prática, o projeto mantém a Adaga do Tempo como núcleo da experiência, com o mesmo conceito de voltar alguns segundos na ação para corrigir erros ou escapar da morte.
A estrutura do gameplay, segundo o relato, permanece próxima do original. O jogo continua a apostar em acrobacias em paredes, corridas em penhascos estreitos e saltos calculados, integrando plataforma e combate em um único fluxo. O combate segue direto, baseado em espadas, desvios e uso do cenário, sem combos exagerados ou sistemas de personalização complexos. O objetivo declarado é preservar o ritmo que consagrou The Sands of Time no início dos anos 2000.
O que muda de forma mais profunda é o entorno do projeto. O desenvolvedor afirma que sucessivas trocas de direção e disputas por uma “visão criativa única” minam a confiança da equipe. “Cada nova liderança queria deixar a própria marca. Isso gerava retrabalho e um jogo que nunca parecia definitivo”, afirma. O resultado é um ciclo de revisões que se estende por meses, com ajustes em tom, direção de arte e até no equilíbrio entre nostalgia e inovação.
As informações ajudam a explicar por que o remake, anunciado com expectativa de renovar um clássico de mais de 20 anos, acaba engavetado. Em vez de uma linha clara, o projeto se fragmenta em interpretações diferentes sobre o quanto é possível mexer em um ícone sem perder sua identidade. Em meio a esse impasse, a Ubisoft opta por cancelar a versão em desenvolvimento e, segundo o relato, redistribui parte da equipe para outras produções internas.
Impacto para a franquia e para os fãs
O vazamento reacende a discussão sobre o futuro de Prince of Persia, série que vive de altos e baixos desde o fim da trilogia iniciada em 2003. Entre 2003 e 2010, a franquia emplaca pelo menos quatro títulos principais e vende milhões de cópias em consoles e PC. Nos últimos 10 anos, porém, o príncipe perde espaço para outras marcas da própria Ubisoft, como Assassin’s Creed, e volta ao noticiário mais por rumores do que por lançamentos.
As novas imagens mostram que a publisher chega a apostar em uma releitura de médio porte, focada em reaproximar o público do jogo original sem, ao menos por enquanto, se comprometer com uma continuação inédita. Para parte dos fãs, o material vazado é frustração e alívio ao mesmo tempo. Frustração por ver um projeto visualmente consistente que não chega às lojas; alívio por constatar que, apesar das mudanças, a essência do jogo parece preservada em mecânicas e ritmo.
Dentro da indústria, o episódio reforça um alerta conhecido. Remakes de clássicos carregam risco duplo: decepcionam veteranos se mudam demais e afastam novos jogadores se mudam de menos. Em um cenário em que orçamentos de grandes produções ultrapassam facilmente a casa dos US$ 100 milhões, erros de direção criativa se tornam mais caros a cada ano. Um projeto que avança sem consenso interno tende a consumir tempo, salários e tecnologia sem garantia de retorno.
O caso também recoloca em pauta a forma como vazamentos moldam a percepção do público. Ao expor uma versão de bastidor, incompleta e sem contexto oficial, o material pressiona a Ubisoft a se posicionar e dá munição tanto a defensores quanto a críticos da abordagem proposta. Para além da curiosidade, o vazamento funciona como radiografia de um processo que normalmente permanece trancado em reuniões e documentos internos.
O que pode acontecer com Prince of Persia daqui para frente
A circulação das imagens e dos relatos cria um novo ponto de partida para discussões sobre o futuro da série. Fãs voltam a cobrar nas redes um plano claro para o príncipe, seja em forma de remake, remasterização fiel ou um jogo totalmente inédito. A lembrança de que o original completa 23 anos em 2026, contados desde o lançamento em 2003, alimenta expectativas de um aniversário à altura.
Do lado da Ubisoft, o episódio tende a reforçar a necessidade de definir cedo o grau de liberdade criativa em projetos que lidam com memórias afetivas. Sem uma direção firme, cada vazamento vira um julgamento público antecipado. Enquanto a empresa mantém silêncio sobre o material de j0nathan e sobre o relato no Reddit, a dúvida persiste: o príncipe volta em uma nova tentativa de remake, em um jogo inédito ou permanece preso no tempo que ele mesmo controla? A resposta, por ora, está congelada em algumas artes conceituais e capturas de tela que nunca deveriam ter visto a luz do dia.
