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Com Diniz em revezamento, Vasco enfrenta Boavista com desfalques

O Vasco enfrenta o Boavista neste domingo (25), às 20h30, no Estádio Elcyr Resende, em Saquarema, pressionado a reagir após perder o clássico para o Flamengo. Sem Barros, suspenso, e com Philippe Coutinho preservado, Fernando Diniz volta a apostar em revezamento para tentar manter o time competitivo na quarta rodada do Campeonato Carioca.

Diniz administra elenco após derrota e desgaste

A semana do Vasco é de ajustes mais do que de discursos. A derrota para o Flamengo expõe limitações, mas também acelera decisões sobre gestão de elenco em janeiro, ainda no início da temporada. Com três jogos disputados e apenas quatro pontos somados, o Cruzmaltino precisa pontuar para não perder terreno na classificação estadual.

No planejamento, Fernando Diniz volta a um caminho já testado. Diante do Nova Iguaçu, o treinador abriu mão de uma equipe totalmente titular e escolheu uma formação alternativa, mesclando peças experientes e jogadores que buscam espaço. A tendência se repete agora em Saquarema, em um jogo que mede não só a força do time principal, mas a profundidade do elenco.

O cenário é diferente do adotado por alguns rivais, que escalam times inteiros formados por atletas das categorias de base nas primeiras rodadas. Diniz prefere preservar uma espinha dorsal experiente, ao mesmo tempo em que gira o grupo para reduzir o desgaste físico típico do calendário apertado do futebol brasileiro. A opção cobra risco imediato, mas também tenta evitar lesões e quedas bruscas de rendimento.

A ausência de Barros, suspenso automaticamente, obriga o treinador a reorganizar o meio-campo. O volante vinha sendo peça importante na proteção à zaga e na saída de bola curta, marca do trabalho de Diniz. Sem ele, a responsabilidade de dar equilíbrio ao setor recai sobre nomes como Hugo Moura, Thiago Mendes e Tchê Tchê, todos cotados para iniciar a partida.

Coutinho, principal referência técnica do elenco, deve ser preservado e sequer entra em campo. O meia ainda administra minutagem após longo período de instabilidades físicas, e o clube escolhe a cautela em vez da exposição precoce em janeiro. Rayan, por sua vez, vive outro capítulo: em fase final de negociação, não volta a vestir a camisa vascaína e deixa de ser opção para um ataque que precisa de protagonismo.

Esquema alternativo, meio-campo remontado e ataque em teste

A provável escalação reforça o tom de laboratório controlado. A tendência é que o Vasco entre em campo com Léo Jardim; Paulo Henrique, Cuesta, Robert Renan e Pumita; Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê e Nuno Moreira ou Johan Rojas; Andrés Gómez e GB. A base repete a estrutura que enfrentou o Nova Iguaçu, com o treinador preservando titulares mais utilizados no começo do ano.

No desenho tático, a combinação de três meio-campistas de boa saída de bola indica um Vasco que tenta controlar o jogo com posse e circulação rápida. Hugo Moura protege a defesa, Thiago Mendes oferece qualidade no passe curto e Tchê Tchê se movimenta entre setores, ajudando na marcação e na criação. Sem Coutinho, a construção ofensiva passa mais pelos lados do campo, com Andrés Gómez responsável por acelerar a transição e abrir espaço para GB, referência no ataque.

O Boavista chega ao confronto em situação mais confortável na tabela. Soma seis pontos em três jogos, dois a mais que o Vasco, também com três partidas disputadas. Em um campeonato de turno curto, essa diferença cobra atenção imediata. Uma derrota em Saquarema significaria ver o adversário abrir cinco pontos, cenário que ampliaria o ruído em torno do trabalho de Diniz ainda em janeiro.

O jogo vale mais do que três pontos para o ambiente em São Januário. A oscilação inicial e a queda no clássico aumentam o grau de cobrança da torcida, que espera respostas rápidas após investimentos e promessas de uma temporada mais estável. Uma atuação convincente, mesmo com time alternativo, tem potencial para acalmar o clima e reforçar a imagem de que o elenco é mais profundo que em anos recentes.

O revezamento também testa jogadores que podem ganhar status diferente ao longo de 2026. Jovens como GB, além de recém-chegados como Nuno Moreira, Hugo Moura e Thiago Mendes, disputam não só um lugar imediato, mas espaço na rotação de um time que deve ter maratona de jogos em estadual, Copa do Brasil, Brasileirão e possíveis compromissos internacionais.

Confiança em jogo e sinalizações para a temporada

O duelo em Saquarema funciona como termômetro emocional e tático para o Vasco. Um resultado positivo com formação alternativa fortalece o plano de revezamento de Diniz e dá respaldo para que o treinador siga administrando minutos dos principais nomes, como Coutinho, ao longo das próximas semanas. Também abre espaço para consolidar uma base de reservas capazes de entrar sem queda brusca de rendimento.

Uma atuação ruim, com nova perda de pontos, pode acender o sinal amarelo. A crítica tende a mirar tanto a estratégia de preservação quanto as escolhas pontuais de escalação. Em ano em que o clube tenta se afastar da instabilidade recente, cada rodada de estadual carrega peso simbólico maior do que o habitual.

O caminho imediato passa por resultado e desempenho. Se o Vasco conseguir controlar o Boavista, mostrar solidez defensiva sem Barros e criar chances claras mesmo sem Coutinho, o jogo de domingo se transforma em argumento a favor do projeto. Em caso de tropeço, a cobrança por titulares em todos os jogos e por menos testes tende a ganhar volume nas arquibancadas e nas redes sociais.

O apito inicial às 20h30 marca mais uma etapa de um início de ano em que Fernando Diniz precisa equilibrar urgência por vitória e construção de uma equipe para 2026. A resposta em Saquarema pode não definir a temporada, mas ajuda a indicar que tipo de Vasco o torcedor encontrará quando os jogos decisivos chegarem.

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