Santi, Alex Telles e Danilo comandam vitória do Botafogo
Santi Rodríguez, Alex Telles e Danilo comandam a vitória do Botafogo sobre o Bangu na noite deste sábado (24), no Nilton Santos, pelo Campeonato Carioca. O trio dita o ritmo da equipe, garante o 2 a 0 e eleva a expectativa sobre o time de Martín Anselmi para a sequência da temporada.
Trio assume o protagonismo e controla o jogo
O Botafogo entra em campo pressionado pela necessidade de afirmação depois de semanas de desconfiança sobre o elenco principal. Sai do Nilton Santos com um desempenho sólido, liderado por três jogadores que mudam o nível coletivo. Santi Rodríguez é o mais perigoso do ataque, se movimenta entre as linhas, cria jogadas e abre o placar. Alex Telles reorganiza o lado esquerdo, melhora a saída de bola e converte, com categoria, o pênalti que define o placar. No meio, Danilo dita o ritmo com passes curtos e viradas de jogo, segura o time quando precisa e acelera quando encontra espaço.
O jogo marca a primeira atuação realmente consistente do Botafogo no Carioca, com controle territorial e poucas falhas atrás. Neto faz uma partida segura no gol, com nota 6,5, e a defesa evita sustos mesmo quando o Bangu tenta pressionar em bolas longas. Mateo Ponte e Marçal, ambos avaliados com 6,5, cumprem bem o papel pelos lados, fecham espaços e participam da construção ofensiva. Newton, também com 6,5, mostra adaptação à nova função e ajuda na saída desde a defesa.
No meio-campo, além de Danilo, que recebe 7,0 e se firma como referência, Allan aparece com chutes de fora da área e bons passes, embora perca uma disputa física perigosa. Vitinho, com 6,5, se destaca nas recuperações e chega com frequência ao ataque. O Botafogo ocupa o campo adversário, gira a bola com paciência e, pela primeira vez no campeonato, parece confortável ao assumir o protagonismo da partida.
Na frente, Santi Rodríguez, melhor em campo com 7,5, se move o tempo todo, abre espaços para Arthur Cabral e busca o um contra um. O uruguaio marca um gol, participa de outras jogadas perigosas e reforça a sensação de que pode ser o termômetro ofensivo do time em 2026. Arthur Cabral ainda deixa o campo com a sensação de que falta o gol. Ele tem pelo menos três chances claras, incomoda a zaga, prende os zagueiros e recebe nota 6,0. Ao lado deles, Álvaro Montoro demonstra lucidez nos passes, com 6,5, mas não consegue ser tão decisivo como em jogos anteriores.
Vitória fortalece o projeto de Anselmi e muda o ambiente
O 2 a 0 sobre o Bangu vale mais do que três pontos na tabela do estadual. A atuação desmonta, ao menos por uma noite, o clima de desconfiança que cerca o clube desde o fim de 2025. Anselmi, avaliado com 7,5, vê sua ideia de jogo se aproximar do que promete desde a apresentação: um time dominante, que produz muito no ataque e tenta controlar o ritmo do início ao fim. “O Botafogo foi dominante e controlou o jogo no Nilton Santos. Poderia vencer o Bangu por diferença maior. O time produz muito, mas ainda fica exposto em alguns momentos”, analisa o treinador após a partida.
Os números ajudam a explicar a sensação de superioridade. O Botafogo finaliza mais, ocupa o campo ofensivo durante boa parte dos 90 minutos e concede poucas oportunidades claras ao adversário. Mesmo quando mexe na equipe, com entradas de Jordan Barrera e Artur, ambos com 5,5, o time mantém o controle da bola, embora perca intensidade na criação. Matheus Martins, com 6,5, sofre o pênalti convertido por Alex Telles e ainda perde boa chance, sinal de que o setor ofensivo tem opções para além dos titulares.
Na defesa, a entrada de Alexander Barboza no fim, com nota 6,0, ajuda a segurar o resultado e a esfriar qualquer tentativa de reação do Bangu. O sistema ainda se expõe em alguns momentos, como admite o próprio Anselmi, mas já mostra evolução em relação às atuações anteriores. A combinação de uma zaga mais segura com um meio-campo que protege melhor a frente da área reduz o risco de apagões, tão frequentes em temporadas recentes.
O contexto do Campeonato Carioca também torna o resultado simbólico. Em um torneio de pontos corridos na fase inicial, cada tropeço pesa na luta pelas semifinais. A vitória deste sábado mantém o Botafogo na parte de cima da tabela e afasta, pelo menos por enquanto, qualquer ameaça de crise. A torcida, que vinha alternando apoio e cobranças, deixa o estádio mais confiante, com a sensação de que o time principal começa a responder em campo.
Confiança em alta e pressão por regularidade
O desempenho de Santi Rodríguez, Alex Telles e Danilo cria um novo tipo de pressão interna: a obrigação de manter o padrão. Os três se tornam referências imediatas no elenco e puxam o sarrafo para cima. A partir de agora, cada partida passa a ser comparada a este 2 a 0 contra o Bangu, em que o Botafogo alia controle, criatividade e boa proteção defensiva. A comissão técnica ganha argumento para sustentar a ideia de um time propositivo, enquanto a diretoria vê reforçada a aposta em peças experientes para liderar o projeto.
As notas distribuídas ao elenco ajudam a compor o retrato de um grupo mais equilibrado do que em outros momentos recentes. Ninguém recebe pontuação abaixo de 5,5, o que indica um nível mínimo de competitividade em todos os setores. A base do time reage bem às mudanças, e jogadores como Nathan Fernandes, improvisado e avaliado com 6,0, mostram que podem oferecer alternativas táticas úteis ao longo do ano. O desempenho coletivo também pode influenciar o mercado: atuações consistentes no estadual costumam servir de vitrine para futuras transferências e até convocações.
O Botafogo, que nos últimos anos alterna campanhas boas com quedas bruscas de rendimento, tenta transformar o Carioca de 2026 em um laboratório controlado para a temporada. A reação contra o Bangu, em 24 de janeiro, às 23h, atualizada poucos minutos depois, marca um ponto de inflexão simbólico. O time ainda não é dominante por 90 minutos, mas demonstra capacidade de impor seu jogo, criar mais do que o adversário e decidir com jogadores que fazem a diferença.
As próximas rodadas vão indicar se o 2 a 0 é início de uma curva ascendente ou apenas uma atuação acima da média em um calendário ainda em aquecimento. Anselmi ganha tempo, a torcida recupera parte da confiança e o elenco sente que tem condições de brigar por títulos em 2026. A resposta agora depende de uma pergunta que o Botafogo se faz há anos: como transformar uma boa noite no Nilton Santos em um padrão que resista a estádios cheios, decisões e pressão constante?
