Apple prepara pin inteligente com Siri e ChatGPT para 2027
A Apple desenvolve em sigilo um pin inteligente em miniatura, com câmeras e inteligência artificial integrada, previsto para chegar ao mercado a partir de 2027. O dispositivo deve rodar a nova Siri turbinada pelo ChatGPT e mira o nascente segmento de vestíveis com IA.
Um novo tipo de dispositivo no ecossistema Apple
O projeto, revelado pelo site The Information, descreve um eletrônico do tamanho aproximado de um AirTag, pensado para ser preso à roupa, mochilas ou acessórios. Ele funciona como um broche digital sempre à mostra, capaz de escutar comandos de voz, capturar imagens e acionar recursos avançados de IA sem exigir que o usuário tire o celular do bolso.
Fontes ouvidas pelo site afirmam que o aparelho está em “estágios muito iniciais” de desenvolvimento e ainda depende da aprovação de protótipos internos. O cronograma, por enquanto, mira uma possível estreia em 2027, mas o produto pode ser adiado ou até cancelado se não atingir o padrão de qualidade da empresa. A Apple, procurada, não comenta o assunto.
A iniciativa surge em meio à disputa aberta por um novo tipo de computador pessoal, menor que o celular e pensado para ficar grudado ao corpo. Em 2026, a OpenAI, dona do ChatGPT, prepara seu próprio dispositivo físico, em parceria com o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive. A corrida envolve não só quem faz o melhor software de IA, mas também quem encontra o formato de hardware que as pessoas aceitam usar todos os dias.
IA vestível vira prioridade estratégica
O pin da Apple nasce como resposta direta à pressão do mercado de inteligência artificial, que cresce em ritmo acelerado desde o fim de 2022, quando chatbots conversacionais se popularizam. Em vez de se limitar ao iPhone, a empresa busca uma nova peça para o seu ecossistema, capaz de manter o usuário conectado à Siri e ao ChatGPT em tempo integral, sem a intermediação constante da tela.
O dispositivo deve rodar a versão reformulada da assistente Siri, anunciada com foco em IA generativa e integração profunda ao ChatGPT. Na prática, o pin poderia interpretar perguntas complexas, descrever o que vê pela câmera, resumir reuniões, traduzir conversas e registrar memórias em tempo real. Tudo isso depende, porém, de avanços importantes em miniaturização de câmeras, chips de IA e gestão de bateria em um corpo do tamanho de uma moeda de pouco mais de 3 centímetros.
O histórico recente desse tipo de produto mostra que a tarefa não é simples. Em 2023, a startup Humane lança o AI Pin com grande expectativa e marketing agressivo. O aparelho, vendido por centenas de dólares, promete revolucionar a computação pessoal, mas acaba criticado por falhas de desempenho, limitações de uso diário e custo elevado. O caso se torna exemplo de como a ideia de um pin inteligente é sedutora em demonstrações, porém difícil de sustentar na rotina.
A Apple tenta se diferenciar justamente na integração entre hardware e software. Ao conectar o pin ao iPhone, ao Apple Watch e ao iCloud, a empresa pode distribuir o processamento de IA entre o aparelho do usuário, a nuvem e seus novos chips com aceleração de inteligência artificial. O resultado esperado é um dispositivo discreto, que escuta e responde rápido, sem exigir uma conexão constante de alto desempenho.
Disputa por atenção, privacidade e novos hábitos
Se vingar, o pin inteligente abre um novo flanco na disputa pela atenção do usuário. Um acessório sempre ligado ao corpo tende a se tornar o primeiro ponto de contato com o mundo digital, antes mesmo do celular. Isso tem impacto direto no mercado de smartphones, hoje liderado pela própria Apple, e pressiona concorrentes a acelerar projetos similares de IA vestível.
A presença de câmeras em um dispositivo tão pequeno também reacende o debate sobre privacidade. Um pin capaz de gravar e analisar o ambiente em tempo real levanta dúvidas em locais como escolas, escritórios, transporte público e eventos. A empresa terá de mostrar, com clareza, como indica que o aparelho está gravando, quais dados são processados localmente, quanto tempo ficam armazenados e quem tem acesso a esse material.
Desenvolvedores enxergam, ao mesmo tempo, uma nova frente de negócios. Um aparelho previsto para chegar ao mercado por volta de 2027 oferece um horizonte de pelo menos dois anos para criar aplicativos e serviços desenhados para interações rápidas por voz e gestos, sem tela. Setores como tradução simultânea, assistência a pessoas com deficiência visual, monitoramento de saúde e segurança pessoal aparecem entre os primeiros candidatos a explorar esse formato.
O movimento também pressiona rivais diretos da Apple, como Google, Samsung e empresas focadas em IA generativa, a apresentarem respostas concretas. A OpenAI, que promete um novo hardware para 2026, entra nessa disputa com vantagem no software, mas sem a mesma tradição em desenhar produtos de consumo em massa. A pergunta é se o consumidor está pronto para trocar parte do tempo de tela por um assistente preso à gola da camisa.
O que observar até 2027
Os próximos anos serão decisivos para entender se o pin inteligente deixa os laboratórios e ganha as vitrines. Até 2027, a Apple precisa provar internamente que o produto é confiável, útil e seguro o bastante para justificar a estreia de uma nova categoria de dispositivo. A experiência do fracasso do AI Pin serve como alerta sobre o risco de lançar cedo demais uma tecnologia ainda imatura.
O sucesso ou o cancelamento desse projeto vai indicar o quanto a empresa está disposta a arriscar para não ficar para trás na corrida da IA. Se o lançamento se confirmar, o pequeno broche digital pode inaugurar uma fase em que falar com a inteligência artificial sem tirar nada do bolso deixa de ser experimento e passa a ser hábito. Resta saber se o usuário vai aceitar carregar esse futuro preso à roupa todos os dias.
