Blocos com Ivete, Anitta e Monobloco arrastam multidões no Rio em 2026
Ivete Sangalo, Anitta, Lexa, Ludmilla e blocos tradicionais como o Monobloco voltam a tomar as ruas do Rio no Carnaval de 2026. Entre trios elétricos, cordões e foliões fantasiados, a cidade espera reunir milhões de pessoas em quatro dias de festa, com impacto direto na economia e na imagem turística do país.
Cidade vira passarela a céu aberto
Desde o primeiro cortejo, a cena se repete em diferentes bairros: avenidas fechadas, som no máximo, vendedores ambulantes disputando espaço com fantasias e adereços brilhantes. No Centro, em Copacabana, Ipanema e na Zona Norte, o calendário oficial prevê centenas de desfiles entre o sábado, 14 de fevereiro, e a terça-feira, 17, em uma engrenagem que funciona minuto a minuto.
No meio da manhã, Ivete sobe ao trio elétrico para comandar um percurso que deve durar cerca de cinco horas, com paradas estratégicas para câmeras de TV e transmissões por streaming. “O Carnaval de rua do Rio é uma das festas mais bonitas do mundo. A energia daqui é diferente”, afirma a cantora, em declaração à imprensa pouco antes da saída do bloco.
Perto dali, o Monobloco reúne ritmistas, cantores e dançarinos que misturam marchinhas, funk e samba, em um repertório que já virou parte da memória recente da cidade. O grupo celebra duas décadas de desfiles consecutivos e ocupa um lugar de destaque na programação oficial, atraindo tanto foliões antigos quanto turistas de primeira viagem.
Na Zona Sul, o Bloco da Anitta arrasta uma multidão que disputa cada metro de asfalto para acompanhar a artista. Com hits recentes e sucessos que ultrapassam fronteiras, ela transforma a orla em palco internacional. “É a nossa forma de mostrar o Brasil para o mundo”, diz a cantora, ao comentar o alcance global de suas apresentações nas redes, que somam dezenas de milhões de visualizações a cada carnaval.
Lexa, à frente do Bloco da Lexa, reforça a presença do pop e do funk no circuito. O Fervo da Lud, de Ludmilla, leva um recorte da cultura de periferia para a avenida, com bailarinos, DJs e participações de convidados. A cada parada do trio, o público reage com coros, coreografias e celulares erguidos, em uma disputa silenciosa por registrar o melhor ângulo da festa.
Cultura, turismo e economia em movimento
Os números ajudam a dimensionar o alcance da folia. A prefeitura estima que o Carnaval de rua de 2026 movimente mais de R$ 5 bilhões na economia carioca, entre hospedagem, alimentação, transporte, serviços e comércio popular. A expectativa é de pelo menos 5 milhões de foliões circulando pelos principais corredores da cidade ao longo do período oficial, com picos nos fins de semana de blocos pré-carnavalescos.
Redes hoteleiras da Zona Sul e do Centro registram taxas de ocupação acima de 90% desde o início de fevereiro. Donos de bares e restaurantes relatam aumento de até 40% no faturamento em comparação a meses de baixa temporada. Nas ruas, vendedores de bebidas e de comida rápida montam uma economia paralela, baseada em jornadas exaustivas e ganhos concentrados em poucos dias. “É o momento de fazer o dinheiro do ano”, conta um ambulante que acompanha o circuito dos grandes trios há mais de dez carnavais.
O impacto não se limita ao caixa. O Carnaval reforça a projeção do Rio como vitrine cultural do Brasil. Imagens de trios lotados, fantasias criativas e blocos tradicionais circulam em telejornais, portais e redes sociais em vários idiomas. Agências de turismo calculam que mais de 30% dos visitantes estrangeiros que escolhem o Brasil em fevereiro têm o Rio como destino principal, atraídos justamente pela combinação de praia, música e festa de rua.
Especialistas em cultura popular lembram que os blocos funcionam como espaço de encontro de diferentes camadas sociais, ainda que nem todos ocupem a rua com o mesmo conforto. A presença de artistas como Ivete, Anitta e Ludmilla ajuda a aproximar públicos distintos, mas também reforça disputas por espaço, acesso e visibilidade. Em paralelo aos grandes trios, sobrevivem blocos menores de bairro, com cortejos sem patrocínio e foco em tradições locais.
A cada ano, o debate sobre segurança pública reaparece. Para 2026, o planejamento prevê reforço de efetivo policial, instalação de câmeras adicionais em pontos de maior concentração e ampliação de equipes de limpeza urbana. A prefeitura divulga metas de reduzir em pelo menos 15% os registros de ocorrências em relação ao ano anterior, em meio a críticas sobre assédio, furtos e superlotação.
Desafios do crescimento e próximos carnavais
O sucesso do Carnaval de rua pressiona a cidade a rever rotas, regras e limites. Moradores de bairros com maior concentração de trios reclamam de bloqueios prolongados, barulho acima do permitido e ocupação de calçadas. Secretarias municipais discutem, junto a organizadores de blocos, formas de distribuir melhor os desfiles, levando parte da programação para áreas menos saturadas, como trechos da Zona Oeste e bairros da Zona Norte com infraestrutura adequada.
Organizadores projetam para 2027 um calendário ainda mais robusto, com mais atrações internacionais convidadas e maior integração com plataformas de streaming e transmissões globais. O interesse de patrocinadores cresce à medida que o Carnaval se consolida como vitrine para marcas de bebidas, telefonia e bancos digitais, que disputam espaços em trios, camarotes e ações nas ruas.
As decisões tomadas após o Carnaval de 2026 devem definir o equilíbrio entre festa e rotina urbana nos próximos anos. A discussão passa pela preservação de blocos tradicionais, pelo incentivo a novos grupos de periferia e pela criação de regras claras para limitar impactos em transporte, meio ambiente e vizinhança. A cada fevereiro, a cidade testa esse pacto informal entre moradores, foliões, artistas e poder público.
No fim de mais um desfile, quando o som do último trio elétrico se apaga, a pergunta que fica é até onde o Rio consegue expandir sua maior festa sem perder o caráter popular que transformou o Carnaval de rua em cartão-postal e em motor econômico ao mesmo tempo.
