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Chuvas fortes causam desmoronamentos e deixam famílias ilhadas em MG

Chuvas intensas nas últimas 24 horas provocam desmoronamentos, quedas de árvores e famílias ilhadas em Minas Gerais até este sábado (24). Bombeiros e Defesa Civil correm para conter os riscos em cidades como Formiga, Várzea da Palma e na região metropolitana de Belo Horizonte.

Volume de água transforma ruas em cenário de emergência

Em Formiga, no Centro-Oeste mineiro, o acumulado chega a 110,8 milímetros de chuva em um dia, segundo o Corpo de Bombeiros. O volume supera com folga o que muitos municípios registram em quase metade de janeiro e pressiona a estrutura de drenagem da cidade. Vídeos que circulam nas redes mostram ruas tomadas pela água, carros submersos até a metade e moradores tentando sair de casa por muros e janelas.

O aumento rápido do nível da água provoca desmoronamentos de barrancos e encostas, além da queda de árvores sobre vias, imóveis e veículos. Em alguns bairros, famílias ficam ilhadas após alagamentos bloquearem as saídas das ruas. “A água sobe muito depressa, a gente não consegue sair nem a pé, nem de carro”, relata uma moradora de Formiga em vídeo compartilhado em grupos de mensagens.

Os bombeiros registram pelo menos 57 acionamentos no município, entre operações de resgate, retirada preventiva de moradores e vistorias em áreas com risco iminente. A prioridade é evitar vítimas em deslizamentos de terra e em casas comprometidas pela infiltração. As equipes também monitoram pontos de alagamento em cruzamentos e avenidas por onde passam ambulâncias e veículos de emergência.

O cenário se repete, com menor intensidade, em outras regiões do estado. Na região metropolitana de Belo Horizonte, temporais derrubam árvores, interrompem ruas e atingem imóveis em diferentes bairros. Motoristas enfrentam bloqueios repentinos, enquanto equipes de poda trabalham para liberar faixas de rolamento e evitar que galhos enrosquem na fiação elétrica.

Árvores caídas, casas em risco e cidades em vigilância

Em todo o estado, autoridades contabilizam 48 árvores caídas em vias públicas em 24 horas. Uma cai sobre um veículo e outras dez atingem imóveis, segundo balanço preliminar dos órgãos de emergência. Na região metropolitana de Belo Horizonte, são 18 quedas em ruas e sete diretamente sobre casas ou prédios. Cada ocorrência exige isolamento, avaliação de estrutura e, em alguns casos, abrigo provisório para as famílias.

Em Várzea da Palma, no Norte de Minas, os bombeiros percorrem bairros afetados pela chuva e avaliam rachaduras em paredes e trincas em lajes. Uma residência é classificada com risco de desabamento e precisa ser esvaziada. O imóvel fica sob responsabilidade da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. Os moradores saem às pressas levando documentos e poucas roupas em sacolas. “A orientação é não voltar até nova vistoria”, reforça um técnico da Defesa Civil local.

O número de chamados pressiona o atendimento e exige trabalho em turnos contínuos das equipes. Viaturas circulam em ritmo constante entre áreas alagadas, imóveis vulneráveis e pontos de queda de barreira. Nas redes sociais, moradores usam transmissões ao vivo para avisar vizinhos sobre ruas bloqueadas e trechos perigosos, enquanto órgãos públicos tentam centralizar informações oficiais e conter boatos.

Autoridades estaduais tratam o período como fase crítica do verão chuvoso. A experiência de anos recentes, com mortes em deslizamentos na Grande BH e no interior, reforça a preocupação com encostas ocupadas e margens de rios. A recomendação é que, diante de qualquer sinal de movimentação de solo, moradores abandonem o imóvel e busquem abrigo seguro, mesmo antes de uma vistoria formal.

Risco permanece alto com previsão de mais chuva

A Defesa Civil de Minas orienta a população a redobrar a atenção nos próximos dias, com previsão de novos volumes elevados de chuva ao longo do fim de semana. A principal recomendação é evitar áreas alagadas, pontes estreitas e passagens em que a água corre com força. “Atravessar a pé ou de carro uma rua com correnteza pode ser fatal, mesmo que a água pareça baixa”, alerta um comunicado do órgão.

Equipes pedem que moradores fiquem atentos a sinais de deslizamento, como rachaduras recentes em paredes, portas e janelas que passam a enroscar, postes e árvores inclinados e estalos vindos do solo ou de muros. Em áreas de encosta e margens de rios, a orientação é não dormir em cômodos voltados para barrancos, sair de casa em caso de suspeita e acionar imediatamente os bombeiros ou a Defesa Civil.

Prefeituras de cidades mais afetadas estudam reforçar abrigos temporários, ampliar equipes de limpeza de bocas de lobo e revisar pontos crônicos de alagamento. Técnicos avaliam a necessidade de interdições preventivas em áreas mapeadas como de alto risco, especialmente em loteamentos irregulares e ocupações em fundos de vale. A continuidade das chuvas pode agravar problemas em redes de drenagem antigas e pressionar ainda mais a infraestrutura local.

Especialistas lembram que, além da resposta emergencial, o estado precisa avançar em políticas de ocupação do solo e prevenção de desastres. A combinação de chuvas intensas, encostas frágeis e construções em área de risco se repete ano após ano e cobra um preço alto das famílias mais vulneráveis. Enquanto novos volumes de chuva se aproximam, Minas entra em mais um fim de semana em alerta, tentando equilibrar o socorro imediato com a necessidade de evitar a próxima tragédia.

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