UE questiona poder de Trump sobre Conselho de Paz e expõe racha global
A União Europeia questiona, em documento interno datado de 23 de janeiro de 2026, a concentração de poderes de Donald Trump sobre o chamado Conselho de Paz. O texto, obtido pela agência Reuters, levanta dúvidas sobre a imparcialidade e a eficácia do órgão, hoje sob forte influência do ex-presidente dos Estados Unidos.
Pressão sobre a influência de Trump
O documento circula entre diplomatas em Bruxelas e em capitais europeias desde o início da semana e acende um sinal de alerta na política externa do bloco. A UE afirma que o controle exercido por Trump sobre o Conselho de Paz cria um “risco real de captura política” de uma instância pensada para mediar conflitos, e não para servir a agendas nacionais ou pessoais.
A análise interna descreve a estrutura atual do conselho como “opaca” e “excessivamente personalizada” na figura de Trump, que se apresenta como fiador de negociações sensíveis em ao menos três regiões de conflito. Sem citar países, o texto menciona disputas territoriais, crises humanitárias e impasses de desarmamento em curso até 2026, cujas mesas de diálogo passam, direta ou indiretamente, pelo círculo de confiança do ex-presidente.
Conselho sob suspeita
O Conselho de Paz surge, nos últimos anos, como espaço alternativo a fóruns tradicionais, como o Conselho de Segurança da ONU. Na prática, funciona como mesa paralela de negociação, reunindo governos, enviados especiais e representantes de grandes doadores privados. A crítica europeia se concentra no fato de que Trump ocupa simultaneamente a presidência do conselho, controla a agenda de encontros e indica mediadores para as principais mesas de diálogo.
Diplomatas que acompanham as discussões dizem, sob reserva, que pelo menos 70% das decisões relevantes do conselho, entre 2024 e 2025, passam pela aprovação direta de Trump ou de seus assessores mais próximos. O número, citado no documento, é apresentado como evidência de concentração de poder em uma instância que deveria garantir pluralidade e equilíbrio. “Nenhum processo credível de paz pode depender quase exclusivamente da vontade de um único ator”, afirma um trecho do texto interno.
Negociadores europeus relatam desconforto crescente com a forma como o conselho conduz missões de mediação e distribui recursos. A UE calcula que, em dois anos, mais de US$ 500 milhões em projetos ligados ao Conselho de Paz se concentram em zonas de interesse direto de aliados de Trump, enquanto outras regiões em crise aguardam, há mais de 18 meses, a aprovação de planos de apoio emergencial.
O documento obtido pela Reuters reforça que a preocupação não se limita a divergências políticas com o ex-presidente. O texto argumenta que a legitimidade de qualquer órgão de mediação depende de regras claras, transparência de financiamento e mecanismos de controle independentes sobre quem define prioridades e resultados.
Tensões na governança global
A crítica europeia expõe uma disputa mais ampla pelo comando de instâncias multilaterais e pela narrativa em torno da paz e da segurança internacionais. Ao contestar a influência de Trump, a UE sinaliza que não aceita a transformação do Conselho de Paz em plataforma de projeção de poder de um único líder ou grupo político. A mensagem reforça atritos que ganham força desde 2020, quando o ex-presidente passa a atuar de forma mais direta em mediações fora da estrutura tradicional da diplomacia americana.
Analistas ouvidos por diplomatas europeus apontam risco de fragmentação. Com uma parte dos países gravitando em torno do Conselho de Paz e outra ainda presa às dinâmicas lentas da ONU, acordos negociados em uma frente podem ser esvaziados na outra. A UE alerta que esse descompasso compromete a previsibilidade das negociações e abre margem para acordos de bastidor, com pouca prestação de contas.
A suspeita de interferência política também preocupa governos de médio porte, que enxergam no Conselho de Paz uma rara chance de colocar temas sensíveis na mesa. Se o órgão passa a ser percebido como extensão da estratégia pessoal de Trump, esses países tendem a recuar, o que reduz a diversidade de vozes e enfraquece a capacidade de construir compromissos duradouros.
No campo interno, a posição europeia pode influenciar diretamente o desenho de futuras políticas externas do bloco. A discussão sobre a influência de Trump alimenta, em Bruxelas, o debate sobre a criação de mecanismos próprios de mediação, com orçamento estável e prazos definidos de mandato para seus dirigentes. A ideia, ainda embrionária, é reduzir a dependência de estruturas externas e reforçar a autonomia estratégica da UE até o fim desta década.
Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente
O reposicionamento europeu pressiona Trump e seus aliados a justificar a arquitetura atual do Conselho de Paz. Se o bloco endurece o tom, governos que hoje orbitam em torno da influência do ex-presidente podem ser forçados a escolher entre laços financeiros e credibilidade internacional. Organizações civis que atuam em zonas de conflito, muitas financiadas por fundos ligados ao conselho, temem cortes ou redirecionamentos de recursos em meio à disputa.
Setores ligados à defesa e à indústria de armamentos acompanham de perto a movimentação. Cada impasse em fóruns multilaterais tende a prolongar crises e aumentar a demanda por equipamentos e serviços de segurança. A UE, ao insistir em transparência e limites ao poder individual dentro do Conselho de Paz, tenta evitar que a mediação de conflitos se transforme em instrumento para travar ou acelerar negociações conforme interesses específicos.
O documento também aponta caminhos. Entre as sugestões, estão a criação de um mecanismo externo de auditoria sobre as decisões do conselho e a exigência de mandatos temporários e rotativos para a presidência do órgão. A UE pretende discutir essas propostas com parceiros até o fim de 2026, na tentativa de construir alguma forma de código de conduta para instâncias informais de mediação.
O movimento, porém, abre uma pergunta central para os próximos meses: o Conselho de Paz aceita dividir poder e revisar suas regras ou consolida o modelo atual, centrado em Trump? A resposta tende a definir não apenas o futuro do órgão, mas também o rumo de parte das negociações diplomáticas mais sensíveis desta década.
