Enzo Bizzotto homenageia Fernandão com cadeira reservada em casamento
Enzo Bizzotto, filho de Fernandão, homenageia o pai morto ao reservar uma cadeira com seu retrato no próprio casamento, neste domingo, 25 de janeiro de 2026, em Vila Nova-GO. A imagem do ex-capitão do Internacional ocupa lugar de destaque na cerimônia e reacende a memória do ídolo entre familiares, amigos e torcedores.
Uma cadeira vazia que diz muito
O cenário é um salão simples, decorado com flores claras e luz amarela suave, em Vila Nova-GO. Entre os bancos ocupados por familiares e padrinhos, uma cadeira chama atenção. Sobre ela, o retrato de Fernandão, com o sorriso que os colorados conhecem de cor, ocupa o espaço reservado ao pai do noivo. Não é um detalhe discreto. É o centro emocional da cerimônia.
Enzo caminha em direção ao altar sabendo que aquele assento vazio tem peso de estádio lotado. O gesto, planejado com antecedência, busca transformar a ausência física do pai em presença simbólica, no dia que ele considera o mais importante da vida adulta. Amigos próximos relatam que a decisão amadurece ao longo de meses, desde que a data é marcada. A cadeira ao lado da família é, para ele, a forma mais concreta de dizer que Fernandão continua ali.
Memória de um ídolo que não sai de campo
A morte de Fernandão, em junho de 2014, em um acidente de helicóptero aos 36 anos, ainda é lembrada como uma das perdas mais traumáticas do futebol brasileiro recente. O ex-atacante, capitão do Internacional campeão da Libertadores e do Mundial em 2006, segue sendo referência para uma geração inteira de torcedores gaúchos. Dez anos depois do acidente, a figura do camisa 9 permanece presente em cânticos, faixas e homenagens no Beira-Rio.
No casamento do filho, a homenagem ganha outra dimensão. Deixa o campo e entra no espaço doméstico, íntimo. Familiares relatam que, desde a adolescência, Enzo tenta manter vivo o legado do pai com pequenos rituais, como visitar estádios onde ele jogou e manter objetos guardados com cuidado. Ao colocar o retrato na cadeira, o filho transforma esse luto em narrativa pública, que cruza a vida familiar com a memória coletiva do clube.
A repercussão nas redes sociais é rápida. Fotos da cadeira com o retrato de Fernandão circulam em perfis de torcedores do Internacional, páginas dedicadas ao ídolo e contas de comentaristas esportivos. Em poucos minutos, centenas de mensagens comentam o gesto, algumas com relatos pessoais de como o ex-atacante marcou a infância e a juventude de quem hoje passa dos 30 anos. A celebração íntima em Goiás se espalha por milhares de telas no Rio Grande do Sul.
Impacto emocional além da família
O gesto de Enzo toca um ponto sensível em muitas famílias brasileiras que perderam parentes cedo. A cadeira reservada com a foto funciona como símbolo universal de luto e continuidade. Em um país que registra mais de 1,3 milhão de casamentos por ano, segundo dados mais recentes do IBGE, a cena de alguém tentando incluir um ente morto em um momento de celebração encontra eco imediato.
Entre torcedores e ex-companheiros de Fernandão, o casamento em Vila Nova-GO se transforma em mais um capítulo de um vínculo construído ao longo de quase duas décadas. Para muitos colorados, Fernandão não é apenas o capitão da Libertadores de 2006, mas o rosto de um período raro de conquistas. Quando o filho escolhe o pai como presença central em um rito de passagem, reforça essa ideia de continuidade: o herói do campo se converte em referência de caráter, família e memória afetiva.
Nas redes, alguns torcedores relatam que pretendem repetir o gesto em suas próprias cerimônias. Outros apontam que a homenagem poderia inspirar ações oficiais do Internacional em 2026, ano em que o Mundial de 2006 completa 20 anos. Em números ainda preliminares, publicações com a imagem da cadeira e do retrato somam milhares de curtidas e compartilhamentos em poucas horas, o suficiente para atrair a atenção de programas esportivos de TV e rádio.
Legado em campo e fora dele
A homenagem de Enzo ocorre em um momento em que clubes brasileiros intensificam ações de memória e celebração de ídolos. O Internacional, que ao longo dos últimos anos inaugura estátuas, painéis e espaços dedicados à sua história, encontra nesse episódio um exemplo espontâneo de como o legado de Fernandão segue forte fora dos planos oficiais de marketing. A cadeira reservada em um casamento em Goiás diz tanto quanto um busto de bronze diante de um estádio cheio.
Especialistas em cultura do futebol apontam que gestos simbólicos como o de Enzo ajudam a consolidar narrativas que vão além de títulos e estatísticas. A história de um ídolo passa a incluir também cenas de intimidade, como o quadro apoiado em uma cadeira vazia, cercada de flores e votos de felicidade. Esses episódios alimentam um ciclo em que a memória esportiva se mistura a ritos familiares, criando um território comum entre torcedores, jogadores e suas famílias.
Nos próximos meses, a cena do casamento tende a ser resgatada em programas esportivos, documentários e conteúdos especiais que revisitam a trajetória de Fernandão e do Internacional de 2006. A imagem da cadeira com o retrato já nasce com potencial de se tornar ícone, ao lado de gols decisivos e erguer de taças. Enquanto isso, Enzo segue a própria vida, casado, carregando um sobrenome pesado no futebol, mas amparado por um gesto simples que reafirma um vínculo: o pai não está mais ali, mas continua ocupando seu lugar.
