Cantor de pagode Leozinho é morto a tiros em assalto no Cachambi
O cantor de pagode Leozinho, conhecido na Zona Norte do Rio, é morto a tiros durante um assalto no Cachambi, em 2026. A morte provoca forte comoção entre fãs e moradores do bairro.
Bairro em choque e luto nas redes
O corpo de Leozinho cai na mesma calçada onde, poucas horas antes, ele conversa com vizinhos sobre a agenda de shows do fim de semana. O assalto interrompe uma rotina que parecia comum para quem vive no Cachambi, na Zona Norte do Rio, e transforma a noite em luto. Em poucos minutos, vídeos e relatos começam a circular nos grupos de WhatsApp do bairro, seguidos por mensagens de incredulidade e medo.
A notícia da morte do cantor se espalha rapidamente pelas redes sociais, alimentada pelos mais de 12 mil seguidores que ele reúne no Instagram até o início de 2026. Nos comentários, fãs falam em “injustiça” e “brutalidade” e lembram o músico como um artista sempre acessível, que cumprimenta quem o reconhece na rua e posa para fotos sem pressa. O que seria mais um caso de violência urbana ganha, ali, nome, rosto e uma trajetória em construção.
Da roda de pagode ao mapa da violência
Leozinho surge nas rodas de pagode da Zona Norte ainda adolescente, animando bares pequenos e festas de bairro. Aos poucos, conquista espaço em casas de show da região, impulsionado por vídeos caseiros postados nas redes. Em 2025, começa a fechar apresentações fixas em ao menos dois bares do Cachambi e de bairros vizinhos, como Méier e Del Castilho, consolidando um público fiel. O passo seguinte seria gravar um EP, projeto que ele anuncia em lives e posts.
Ao circular entre bares, estúdios e apresentações, o cantor enfrenta a mesma rotina de deslocamentos noturnos que faz parte da vida de milhares de trabalhadores e artistas da cidade. A Zona Norte concentra áreas com alto índice de roubos e assaltos, segundo levantamentos recentes de segurança pública, e moradores relatam uma sensação crescente de vulnerabilidade em trajetos curtos, como a volta para casa após um show. “A gente sai de casa sem saber se volta. Hoje foi o Leozinho, amanhã pode ser qualquer um de nós”, desabafa um comerciante da região, que prefere não se identificar.
Amigos do músico contam que ele evita ostentar bens e costuma andar com o mínimo possível de dinheiro em espécie, por medo de assaltos. Nada disso, porém, impede a abordagem que termina em tiros e morte em uma rua conhecida do bairro. “Ele só queria trabalhar com música. Era o sonho dele, não tinha envolvimento com nada errado”, afirma uma fã que acompanha a carreira desde as primeiras rodas de pagode. O contraste entre o projeto de vida e o desfecho violento reforça a sensação de que a violência urbana se torna arbitrária e imprevisível.
Violência que atravessa a cultura e o cotidiano
A morte de Leozinho reacende discussões sobre segurança pública em áreas urbanas da Zona Norte, onde a presença de bares, casas de show e eventos de rua mantém a vida noturna intensa. Para artistas em início de carreira, a combinação de agendas apertadas, deslocamentos frequentes e cachês modestos costuma impedir investimentos em transporte privado ou em esquemas de segurança. “Quem vive de pagode em bar de bairro depende de van, ônibus, carro emprestado ou aplicativo. A gente se expõe porque não tem alternativa”, resume um músico que já dividiu palco com o cantor.
O impacto da morte também atinge diretamente a economia local. Bares que recebem pagode ao vivo, muitas vezes, sobrevivem graças ao movimento das noites de sexta e sábado, quando artistas como Leozinho puxam o público. Uma tragédia como essa tende a afastar frequentadores por medo de circular tarde pelas ruas, reduzindo faturamento e inviabilizando a contratação de bandas. Na outra ponta, famílias que dependem da renda de apresentações veem o orçamento ameaçado. Em um cenário de inflação acumulada acima de 4% ao ano em meados da década, qualquer perda de renda pesa no fim do mês.
O caso também toca uma ferida conhecida dos moradores da região: a desigualdade no acesso à segurança. Enquanto áreas mais valorizadas da cidade contam com presença ostensiva de policiamento e estruturas privadas de proteção, bairros como o Cachambi vivem uma rotina de patrulhamento irregular e respostas demoradas. Especialistas em segurança urbana apontam que, sem planejamento de longo prazo, a sucessão de casos como o de Leozinho tende a se naturalizar. A cada novo assassinato, o debate se acende por alguns dias, mas raramente se converte em políticas consistentes.
Pressão por respostas e futuro incerto
Nas horas seguintes ao crime, fãs e artistas locais começam a cobrar respostas das autoridades nas redes sociais. Hashtags com o nome de Leozinho se espalham em perfis de pagodeiros, DJs e influenciadores da Zona Norte, pedindo investigação rápida e medidas concretas. “Não dá mais para tratar isso como número de estatística”, escreve um produtor musical, em um post que ultrapassa mil compartilhamentos em menos de 24 horas.
Moradores do Cachambi discutem organizar uma vigília em homenagem ao cantor e planejam um ato público para reivindicar mais segurança no bairro. A expectativa é de que o caso volte a pressionar o poder público por ações específicas na região, como reforço de policiamento em horários de pico de bares e casas de show, melhoria da iluminação de ruas e ampliação de câmeras de monitoramento. Sem mudanças estruturais, o temor é que o nome de Leozinho se some à longa lista de vítimas da violência urbana no Rio, lembrado em rodas de pagode e postagens saudosistas, mas esquecido nas estatísticas oficiais. A pergunta que fica é se a morte de mais um jovem artista será suficiente para romper esse ciclo ou se o Cachambi continuará aprendendo a conviver com o medo como parte da paisagem.
