Vazamento revela visual do remake cancelado de Prince of Persia
Imagens inéditas do remake cancelado de Prince of Persia: The Sands of Time surgem nas redes neste sábado (24.jan.2026), publicadas pelo insider j0nathan. O material mostra o príncipe com visual modernizado e artes conceituais do projeto, que nunca chegou às lojas.
Príncipe reimaginado e bastidores conturbados
O vazamento começa em perfis de redes sociais e se espalha por servidores de Discord em poucas horas. As capturas mostram um príncipe distante do herói de 2003, com traços mais realistas, roupa menos caricata e um visual pensado para dialogar com jogos de ação lançados nos últimos dez anos. A ideia, segundo o material divulgado, é atualizar a estética sem abandonar a fantasia oriental que marca a série.
As artes conceituais trazem o protagonista ao lado da princesa Farah em cenas de palácio, terraços elevados e corredores estreitos. O tom lembra superproduções recentes da própria Ubisoft, mas com cenários mais contidos. O foco continua na relação entre os dois personagens e na sensação de travessia por espaços fechados, característica central do título original lançado há 23 anos para PlayStation 2, Xbox e PC.
As imagens circulam em paralelo a relatos de um desenvolvedor que afirma ter trabalhado no projeto antes do cancelamento. Em mensagens anônimas em um fórum do Reddit, o profissional descreve uma produção avançada em conteúdo, mas travada em decisões criativas. “O jogo não estava pronto. Faltava uma direção clara”, escreve, em resposta a perguntas de fãs curiosos sobre o estágio do remake.
O insider j0nathan, conhecido por antecipar anúncios da Ubisoft e de outras grandes editoras, não comenta a origem do material, mas reforça que se trata de uma versão posterior àquela que gerou críticas em 2020, quando o primeiro anúncio do remake enfrentou rejeição aberta do público. As novas imagens indicam uma revisão pesada no visual do príncipe e em elementos de iluminação, textura e enquadramento de câmera.
Entre fidelidade ao clássico e pressão por novidade
Os relatos de bastidores descrevem um estúdio pressionado para equilibrar memória afetiva e expectativas de um mercado transformado. Segundo o desenvolvedor que participa das conversas no Reddit, a equipe preserva a estrutura básica do jogo original: progressão linear, foco em plataforma, lutas com espada em arenas pequenas e uso intenso da Adaga do Tempo para voltar alguns segundos na ação. “A adaga é o coração do jogo, isso nunca muda”, afirma.
As mudanças aparecem na superfície. O combate dispensa combinações exageradas de golpes e efeitos, apostando em leitura de movimento, desvio e contra-ataque. O ritmo lembra mais um duelo de esgrima do que um espetáculo pirotécnico. A equipe tenta modernizar animações e câmera sem transformar o título em um jogo de mundo aberto, padrão dominante da Ubisoft desde a década passada.
O problema, segundo o mesmo relato, está na ausência de uma visão única. Diretores e lideranças internas divergem sobre o grau de liberdade do jogador, a intensidade da reescrita de diálogos e até o tom do protagonista. Em certos períodos, o príncipe soa mais irônico e verborrágico, próximo de heróis contemporâneos de ação; em outros, volta a ser contido e melancólico, como no jogo de 2003. Cada mudança implica regravação de falas, ajustes de cenas e retrabalho em animação facial.
Esse zigue-zague consome meses de produção e aumenta custos em um período em que a Ubisoft já revê projetos e fecha estúdios menores. O remake de Prince of Persia passa a disputar orçamento com apostas mais seguras, como continuações de Assassin’s Creed e expansões de grandes franquias. Nesse cenário, um projeto que ainda busca identidade perde espaço na fila de prioridades.
O vazamento de janeiro de 2026 expõe o que poderia ter sido a versão mais coesa do remake. Nas imagens divulgadas, o príncipe assume aparência menos genérica, com barba rala, armadura leve e tecido marcado por sujeira e desgaste. A linguagem visual sugere um herói exausto e pragmático, mais próximo de personagens de séries atuais de fantasia do que da estética quase teatral do início dos anos 2000.
Impacto entre fãs e pressão sobre a Ubisoft
A reaparição do projeto, mesmo por vias não oficiais, reacende a disputa em torno de remakes de jogos consagrados. Entre comentários em redes e fóruns, a reação mistura nostalgia e frustração. Parte da comunidade lamenta que um jogo aparentemente próximo de uma forma final nunca chegue às prateleiras. Outros lembram o histórico recente da Ubisoft, que anuncia, reestrutura e adia projetos de maneira recorrente.
O caso também alimenta um debate mais amplo sobre preservação de clássicos. Prince of Persia: The Sands of Time vende mais de 14 anos como referência de design de plataforma em 3D e ainda hoje aparece em listas de “melhores de todos os tempos”. A ausência de uma versão atualizada, compatível com consoles lançados após 2020, deixa uma lacuna em um momento em que remakes e remasterizações respondem por fatias significativas do catálogo de grandes editoras.
Nos bastidores da indústria, o vazamento funciona como lembrete dos riscos de produções longas sem liderança firme. Jogos de grande porte hoje exigem orçamentos na casa das dezenas de milhões de dólares e ciclos de desenvolvimento que podem ultrapassar cinco anos. Cada mudança de rumo criativo representa investimento que não se converte em produto final. Para equipes que passam anos em um projeto cancelado, o resultado é desgaste profissional e invisibilidade.
A Ubisoft não comenta oficialmente o novo vazamento nem detalha o estágio em que o remake é abandonado. Em comunicados anteriores sobre reestruturações internas, a empresa fala em “foco em projetos com maior potencial” e “otimização de portfólio”, sem citar títulos específicos. A ausência de uma posição atualizada deixa aberta a interpretação de que o material vazado representa um caminho descartado, não necessariamente um ponto de retorno.
O que pode acontecer com Prince of Persia agora
A exposição dessas imagens, ainda que fora dos canais oficiais, aumenta a pressão para que a Ubisoft dê um destino à marca Prince of Persia. Desde o lançamento de novos capítulos em 2024 e 2025, a série volta a ocupar espaço no calendário da empresa, mas The Sands of Time permanece como peça-chave para qualquer estratégia de longo prazo. O remake cancelado se transforma em símbolo das oportunidades perdidas, mas também em protótipo de soluções visuais que podem renascer em outro projeto.
O histórico recente da indústria mostra que cancelamentos não significam necessariamente o fim de uma ideia. Conceitos reaproveitados, personagens redesenhados e trechos de código podem migrar para novos jogos, inclusive com outro nome. A discussão despertada pelo vazamento de 24 de janeiro de 2026 coloca a Ubisoft diante de um dilema conhecido: como honrar um clássico de 2003, sem repetir o passado nem diluir o que o tornou único. A resposta, por enquanto, continua presa em artes conceituais e capturas de tela que escapam pelos cantos da internet.
