Tempestade Fern deve atingir dois terços dos EUA em janeiro de 2026
A Tempestade Fern se aproxima dos Estados Unidos e coloca em alerta cerca de metade da população do país para janeiro de 2026. O sistema promete neve intensa, gelo e frio extremo em dois terços do território, com risco direto à infraestrutura e à segurança pública.
País se prepara para um inverno de risco
O cenário que autoridades federais e estaduais desenham é o de um inverno raro pela abrangência e pela severidade. A projeção é que a Fern atinja, em graus diferentes, regiões que vão das planícies centrais ao Nordeste, passando pelo Meio-Oeste industrial e pelos grandes corredores de transporte do país. Na prática, algo em torno de 170 milhões de pessoas pode sentir os efeitos diretos do sistema.
Modelos meteorológicos apontam para dias seguidos de temperaturas abaixo de zero, acúmulo de neve acima de 30 centímetros em áreas urbanas e formação de gelo sobre estradas e linhas de transmissão. A combinação entre vento, frio extremo e solo encharcado aumenta o risco de quedas de árvores, rompimento de cabos e bloqueio de rodovias interestaduais que sustentam o fluxo diário de mercadorias e trabalhadores.
Neve, gelo e energia em xeque
O ponto mais sensível está na mobilidade e no fornecimento de energia. A experiência recente com ondas de frio intensas, como a que atingiu o Texas em 2021 e deixou mais de 4 milhões de pessoas sem luz em pleno inverno, ainda orienta a tomada de decisão. A diferença agora está na escala: a Fern deve avançar sobre uma área que concentra parte expressiva do PIB americano e dos principais hubs logísticos do país.
Projeções internas de governos estaduais trabalhadas com dados dos serviços meteorológicos indicam risco elevado de estradas totalmente bloqueadas por gelo em trechos de interesse federal, como segmentos das interestaduais I-70, I-80 e I-95. Em cidades médias e pequenas, o temor é perder rapidamente o acesso a hospitais, delegacias, unidades de resgate e centros de distribuição de alimentos quando o gelo cobrir pistas e calçadas. “Não é apenas uma questão de desconforto. Estamos lidando com um evento que pode impedir ambulâncias de chegar a quem precisa”, alerta um coordenador de emergências de um grande estado do Meio-Oeste.
Infraestrutura sob pressão
A rede elétrica entra no centro da preocupação. Camadas de gelo sobre cabos e torres de transmissão tendem a se multiplicar com a queda brusca de temperatura e a umidade elevada. Em algumas regiões, técnicos estimam que poucos milímetros de gelo acumulado já sejam suficientes para derrubar fiações antigas. Em áreas densamente povoadas, uma falha em cadeia pode significar apagões em bairros inteiros, com impacto direto em sistemas de aquecimento, iluminação pública e comunicação.
Empresas de energia ajustam cronogramas de manutenção e reforçam equipes de campo, mas reconhecem limites. A extensão geográfica da tempestade dificulta o envio rápido de técnicos de outros estados, como costuma ocorrer em desastres mais localizados. “Mesmo com caminhões e equipes de prontidão, não existe solução mágica quando dois terços do país enfrentam, ao mesmo tempo, neve pesada e formação de gelo”, admite um executivo do setor elétrico, sob reserva.
Impacto direto no cotidiano e na economia
Orientações de governos locais começam a moldar a rotina das próximas semanas. Estados mais expostos recomendam que famílias estoquem alimentos, água e remédios para ao menos 72 horas, além de checar sistemas de aquecimento e vedação de janelas. A recomendação inclui atenção especial a idosos, pessoas em situação de rua e moradores de áreas rurais isoladas, que podem ficar incomunicáveis se as redes caírem e as estradas congelarem.
Os reflexos econômicos se desenham antes mesmo da chegada da Fern. Empresas de logística revisam rotas e já consideram atrasos na entrega de cargas perecíveis e insumos industriais. Varejistas reforçam estoques de mantimentos básicos, cobertores e equipamentos de aquecimento doméstico. A interrupção de voos em grandes aeroportos, frequente em episódios de neve intensa, pode reverberar na cadeia global de viagens e transporte de mercadorias, ampliando custos e pressionando prazos.
Serviços públicos e saúde em alerta máximo
Equipes de resgate e defesa civil trabalham com cenários que vão de acidentes em série nas rodovias até evacuações emergenciais de bairros inteiros, principalmente em áreas sujeitas a quedas de energia prolongadas. Planos para abertura de abrigos aquecidos em ginásios, escolas e centros comunitários avançam com base em mapas de vulnerabilidade social e na experiência de outras emergências climáticas recentes.
Na saúde, redes hospitalares se organizam para manter geradores abastecidos e equipes extras de plantão. O histórico de outros invernos rigorosos mostra aumento de internações por hipotermia, agravos respiratórios e complicações cardiovasculares. O frio extremo tende a afetar de forma desproporcional populações mais pobres, que vivem em residências mal isoladas e com acesso limitado a aquecimento confiável.
Risco climático e a conta da adaptação
A aproximação da Fern reacende o debate sobre preparo para eventos extremos em um país que se acostuma a ver recordes climáticos sucessivos. Governos estaduais e prefeituras discutem a necessidade de acelerar investimentos em redes elétricas mais resilientes, enterramento de cabos em zonas urbanas e revisão de códigos de construção para incorporar exigências de isolamento térmico e resistência a tempestades de neve.
Especialistas em clima apontam que episódios como o previsto para janeiro de 2026 tendem a se tornar mais frequentes, ainda que com características distintas em cada região. A Tempestade Fern, dizem, funciona como um teste de estresse para uma infraestrutura projetada em outro século. A recuperação, depois que o sistema passar, deve exigir dinheiro público, planejamento e tempo. A principal dúvida, por enquanto, é se essa preparação virá na velocidade necessária ou apenas depois que o país contar, mais uma vez, os prejuízos.
