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Trump ameaça tarifa de 100% contra Canadá após acordo com China

Donald Trump ameaça impor tarifas de 100% sobre todos os produtos canadenses que entram nos Estados Unidos, neste sábado (24), em reação a um acordo comercial entre Canadá e China. O recado, publicado na rede The Truth Social, mira diretamente o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e aumenta a tensão na disputa por influência econômica sobre a América do Norte.

Pressão direta sobre Ottawa em meio a reaproximação com Pequim

O presidente dos Estados Unidos reage ao acordo assinado na semana passada entre Carney e o líder chinês Xi Jinping, que prevê redução de tarifas, facilitação do comércio e impulso ao setor de veículos elétricos. O entendimento inclui ainda a retirada de vistos entre os dois países, o que, na prática, tende a acelerar fluxos de negócios, viagens e investimentos sino-canadenses já nos próximos meses.

Trump transforma o anúncio em alerta público a Ottawa. “Se o Canadá fizer um acordo com a China, será imediatamente atingido por uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos EUA”, escreve o republicano na rede The Truth Social. A frase coloca em linha de tiro desde commodities agrícolas até automóveis, madeira, alumínio e manufaturados que cruzam diariamente a fronteira entre os dois países.

O presidente também tenta deslegitimar o líder canadense ao chamá-lo de “governador Carney”, num tom que remete a declarações anteriores em que sugere anexar o país vizinho. “Se o governador Carney pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de entrega’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está redondamente enganado”, afirma. A mensagem ecoa a preocupação central da Casa Branca: evitar que empresas chinesas usem o território canadense como rota indireta para driblar barreiras impostas por Washington.

Risco de choque comercial trilateral

A ameaça de uma tarifa de 100% sobre todos os bens canadenses tem potencial para desencadear um choque econômico imediato. Canadá e Estados Unidos movimentam, em média, centenas de bilhões de dólares por ano em comércio bilateral, com cadeias produtivas fortemente integradas, sobretudo nos setores automotivo, energético e de tecnologia. Um imposto desse porte, aplicado de forma ampla, dobra preços de importação da noite para o dia e desorganiza contratos já firmados.

Trump sustenta que a medida protege a indústria e os empregos norte-americanos, mas admite que o custo recai também sobre o vizinho do norte. “A China vai devorar o Canadá vivo, consumindo-o completamente, inclusive destruindo seus negócios, tecido social e modo de vida em geral”, escreve, ao criticar o movimento de Ottawa em direção a Pequim. O argumento combina nacionalismo econômico com um alerta sobre impacto social, numa tentativa de isolar politicamente Carney dentro do próprio Canadá.

O acordo sino-canadense busca justamente reduzir essa dependência dos Estados Unidos. Ao se aproximar de Pequim, Carney tenta abrir novas rotas para exportações e atrair investimentos em setores estratégicos, como veículos elétricos e tecnologia verde, áreas em que a China já ocupa posição global dominante. A empreitada, porém, esbarra na realidade geopolítica: o Canadá continua preso a uma fronteira de mais de 8 mil quilômetros com o maior mercado do planeta, que agora ameaça elevar tarifas a 100%.

Empresas canadenses que atuam em segmentos integrados à economia americana, como autopeças, aço, agricultura e bens de consumo, podem ser as primeiras a sentir o impacto. Um imposto adicional desse tamanho encarece produtos, reduz margens de lucro e força cortes de produção. A pressão tende a chegar rapidamente ao emprego e ao consumo doméstico, com efeito em série sobre o tecido social que o próprio Trump diz querer proteger.

Diplomacia em alerta e incerteza sobre próximos passos

Governos e empresas agora aguardam os desdobramentos imediatos. Trump ainda não apresenta um cronograma detalhado para as tarifas de 100% nem esclarece se pretende aplicá-las unilateralmente ou negociá-las dentro do acordo que hoje rege o comércio norte-americano. A simples ameaça, porém, já aumenta a incerteza e pode adiar investimentos, renegociações de contratos e novos projetos conjuntos na região.

Ottawa é pressionada a responder. Uma reação dura do Canadá, com possíveis medidas de retaliação, ampliaria o clima de disputa e abriria espaço para a China se posicionar como parceira alternativa. Um movimento mais cauteloso tentaria preservar o novo acordo com Pequim sem romper a relação histórica com Washington. Entre esses dois polos, Mark Carney precisa decidir até que ponto está disposto a testar o limite da tolerância de Donald Trump e a arriscar o equilíbrio econômico da América do Norte.

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