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Moraes autoriza nova visita de Tarcísio a Bolsonaro na Papuda

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autoriza o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a visitar Jair Bolsonaro na Papuda, em Brasília, na próxima quinta-feira (29/1). O encontro, marcado para ocorrer entre 11h e 13h, reacende a disputa por espaço na direita às vésperas da corrida presidencial de 2026. A conversa é tratada como tentativa de reorganizar o campo bolsonarista após ruídos sobre o futuro da sucessão.

Visita em meio a ruídos na direita

A autorização de Moraes libera uma nova rodada de conversas entre o ex-presidente preso e um dos principais nomes em ascensão no campo conservador. A reunião acontece uma semana depois de Tarcísio adiar, de última hora, uma visita já programada, gesto que expõe fissuras internas e amplia dúvidas sobre o alinhamento do governador com a família Bolsonaro.

O despacho do ministro enquadra o encontro na rotina de visitas do Complexo Penitenciário da Papuda, que se concentram às quartas e quintas-feiras. A janela reservada a Tarcísio vai das 11h às 13h, período em que Bolsonaro também recebe outras lideranças políticas, num vaivém que transforma a Papudinha em polo de articulação da direita.

Bastidores da sucessão bolsonarista

Nos bastidores, o adiamento da semana passada é lido como movimento calculado. Interlocutores relatam que Tarcísio evita ser empurrado para um apoio precoce à eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, hoje o nome favorito da família para herdar o capital político do pai em 2026. A ausência em Brasília, registrada na agenda oficial apenas como “despachos internos” em São Paulo, alimenta especulações sobre o grau de autonomia do governador.

Tarcísio repete em entrevistas que não pretende disputar o Planalto em 2026 e que busca a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Apesar disso, é citado com frequência por setores da direita como opção competitiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou outro candidato do PT. Essa percepção incomoda o núcleo mais próximo de Bolsonaro e pressiona aliados a se posicionarem.

O encontro autorizado por Moraes tem peso simbólico adicional porque ocorre em ambiente de forte controle judicial sobre o bolsonarismo. O mesmo ministro conduz inquéritos que investigam ataques às instituições e responsabilizam o ex-presidente por articulações golpistas. A cena de um governador em ascensão entrando no presídio, com hora marcada pelo STF, sintetiza o novo equilíbrio de forças: Bolsonaro fala, mas sob regras rígidas definidas por quem hoje o julga.

A agenda da semana na Papuda reforça esse tabuleiro. Antes de Tarcísio, Bolsonaro recebe na quarta-feira (28/1) o ministro do Tribunal de Contas da União Jorge Antônio de Oliveira Francisco, autorizado a visitá-lo entre 11h e 13h, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), liberado para o período das 8h às 10h. As conversas se somam a uma sequência de encontros que buscam preservar a coesão do grupo e construir uma narrativa de resistência política.

Impacto na direita e no xadrez de 2026

A nova visita de Tarcísio funciona como teste de fidelidade e, ao mesmo tempo, de limites. Se o governador reforça em público a disposição de manter-se em São Paulo, não consegue evitar que seu nome circule em pesquisas internas e em conversas de cúpula sobre 2026. A insistência de lideranças em vê-lo como plano B ou até plano A expõe a fragilidade do projeto de transferência automática de votos de Bolsonaro para um herdeiro escolhido.

Aliados de Flávio Bolsonaro trabalham para consolidar a imagem do senador como sucessor natural. A presença de Tarcísio na Papuda, porém, pode reforçar a leitura de que o governador é hoje o quadro com maior capilaridade administrativa e eleitoral entre os bolsonaristas. O comando do maior orçamento estadual do país e a boa avaliação em São Paulo fazem dele peça central nas negociações.

Se a visita servir para uma foto de conciliação, Bolsonaro sinaliza que pretende segurar Tarcísio em seu campo e reduzir ruídos públicos. Se o encontro for discreto, sem declarações claras sobre 2026, o silêncio também falará. A dúvida sobre quem lidera a direita nas próximas eleições continua a alimentar disputas internas, disputas que se refletem em partidos como PL e Republicanos e em bancadas no Congresso.

A engrenagem jurídica que envolve o ex-presidente adiciona outro elemento ao cálculo. Com Bolsonaro preso e alvo de processos no STF, qualquer movimento de aproximação ou distanciamento ganha leitura imediata de risco ou proteção. Governadores, senadores e ministros que cruzam os portões da Papuda equilibram solidariedade política e preocupação com a própria sobrevivência eleitoral.

Próximos passos e incertezas até 2026

A quinta-feira de visita oficializa um novo capítulo da relação entre Bolsonaro e Tarcísio e deve repercutir em notas de bastidor, declarações em off e reações públicas de aliados. A forma como o governador descreve o encontro, seja em entrevistas em São Paulo, seja em redes sociais, indicará o grau de alinhamento com a estratégia da família Bolsonaro e o espaço que reivindica na construção da chapa da direita.

O campo conservador entra em 2024 pressionado a definir lideranças, discursos e alianças, enquanto observa o avanço de investigações e o cerco judicial ao ex-presidente. A autorização de Moraes para a nova visita na Papuda não encerra a disputa; apenas oferece um palco controlado para que ela se desenrole. Resta saber se, atrás dos muros do presídio, Bolsonaro e Tarcísio costuram paz duradoura ou apenas um armistício até que a campanha de 2026 comece, de fato, nas ruas.

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