Lula acusa dono do Master de golpe de R$ 40 bi e cobra bancos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusa o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de aplicar um golpe de mais de R$ 40 bilhões no sistema financeiro. Em declaração recente, Lula diz que os bancos brasileiros terão de arcar com o rombo e critica quem ainda defende o banqueiro, afirmando que falta vergonha a esses apoiadores.
Lula eleva o tom e mira o sistema financeiro
A fala do presidente expõe a dimensão política e econômica do caso Master, que deixa de ser apenas um escândalo empresarial e passa a ser tratado como ameaça sistêmica. Ao citar um “golpe de mais de R$ 40 bilhões”, Lula busca dimensionar o impacto da operação atribuída a Vorcaro e reforça a ideia de que o prejuízo não ficará restrito a um único banco.
O presidente afirma que as perdas serão absorvidas pelo conjunto das instituições financeiras, em especial bancos médios e grandes que se expuseram a operações estruturadas pelo Master. Na visão do governo, a conta tende a chegar também ao consumidor comum, na forma de crédito mais caro, restrição de empréstimos e menor disposição ao risco no curto prazo.
A crítica de Lula a quem ainda tenta blindar Vorcaro revela também o desconforto com a defesa pública do empresário em setores do mercado e da política. O presidente diz que falta vergonha aos que minimizam as suspeitas de fraude e lembra que a cifra de R$ 40 bilhões representa mais do que muitos programas sociais executam em um ano inteiro de orçamento.
Golpe bilionário pressiona bancos e reguladores
O caso se insere em um ambiente ainda marcado pelos efeitos da alta de juros entre 2021 e 2023, quando crescem as dívidas em atraso e os bancos revisam carteiras de crédito. Em meio a esse cenário, o suposto golpe associado ao Master reforça dúvidas sobre a qualidade dos ativos negociados e a eficiência dos mecanismos de controle interno das instituições.
Ao apontar que os bancos terão de “pagar a conta”, Lula chama atenção para a forma como se espalham as perdas. A exposição a operações vinculadas ao Master pode se materializar em provisões bilionárias, aumento de reservas para calotes e reavaliação de carteiras que, até pouco tempo, eram tratadas como seguras. Um rombo acima de R$ 40 bilhões representa, em alguns bancos médios, mais de um ano de lucro, o que ajuda a explicar a apreensão no setor.
No plano regulatório, a fala do presidente pressiona o Banco Central e outros órgãos de supervisão a mostrar respostas rápidas. Internamente, técnicos discutem se os procedimentos de fiscalização foram suficientes para identificar, com antecedência, fragilidades na concessão e na negociação de créditos ligados ao grupo de Vorcaro. A suspeita de que títulos sem lastro ou com valor inflado tenham circulado por diferentes carteiras reacende o temor de riscos em cadeia.
Especialistas em regulação bancária apontam que episódios dessa escala costumam gerar um efeito de endurecimento das regras. Normas sobre transparência de operações estruturadas, exigência de garantias reais e cruzamento de dados entre instituições tendem a ser revistas. O resultado imediato pode ser um mercado mais cauteloso, com impacto direto sobre empresas de médio porte que dependem de crédito para manter investimentos e folha de pagamento.
Pressão por investigações e mudanças nas regras
A acusação pública feita pelo presidente aumenta a expectativa por investigações mais profundas sobre as operações do Master e os vínculos da instituição com outros agentes do sistema financeiro. Procuradores, delegados e técnicos de órgãos de controle passam a ser cobrados a detalhar qual fatia dos mais de R$ 40 bilhões já aparece formalmente em inquéritos, auditorias e relatórios de supervisão.
No Congresso, parlamentares governistas e de oposição discutem convocar executivos e reguladores para explicar o alcance do prejuízo e a possibilidade de responsabilização civil e criminal. A pressão política tende a alimentar propostas de mudança na legislação, com foco em punição a fraudes, aumento de transparência em operações de crédito e reforço da proteção a correntistas e investidores de varejo.
Dentro do governo, assessores econômicos avaliam como o caso pode interferir na confiança no sistema bancário, peça central para a retomada do crescimento prevista para 2026. A equipe de Lula tenta equilibrar o discurso duro contra o suposto golpe de Vorcaro com a necessidade de evitar qualquer sinal de instabilidade que possa provocar corrida por saques ou encarecer a captação de recursos pelos bancos.
A narrativa presidencial, ao mesmo tempo, busca colocar o tema da regulação financeira no centro do debate público. A partir de um episódio que envolve cifras de mais de R$ 40 bilhões, o Planalto pretende sustentar a tese de que fraudes dessa natureza têm custo social elevado, atingindo desde quem financia a casa própria até empresas que dependem de capital de giro. O desfecho das investigações e a reação dos reguladores devem mostrar se o caso Master será lembrado apenas como mais um escândalo ou como ponto de virada na forma como o país vigia seu sistema financeiro.
