Ciencia e Tecnologia

Brasileiros já têm 15 milhões de dispositivos com Alexa em 2025

As casas dos brasileiros se tornam mais inteligentes em 2025. Um levantamento da Amazon mostra 15 milhões de dispositivos com Alexa e 29 milhões de aparelhos conectados em uso no país.

Alexa vira peça central da casa conectada

O avanço da assistente de voz da Amazon não é discreto. A Alexa deixa de ser curiosidade tecnológica e passa a ocupar lugar fixo em salas, quartos e cozinhas do Brasil. A empresa aponta que, ao longo de 2025, a rotina doméstica incorpora comandos de voz para acender luzes, ligar o ar-condicionado, trancar portas, monitorar câmeras e operar eletrodomésticos.

Os 15 milhões de dispositivos com Alexa em uso incluem os alto-falantes Echo, que abrem caminho para um ecossistema bem maior. Em volta deles, os brasileiros espalham pelo lar lâmpadas, tomadas, interruptores, fechaduras, câmeras, aspiradores-robô e alimentadores automáticos para pets. São mais de 29 milhões de aparelhos inteligentes conectados, um salto de 32% em relação ao ano anterior, segundo a Amazon.

O crescimento responde a uma combinação de fatores: mais produtos compatíveis, mais fabricantes e preços que começam a caber no orçamento de uma faixa maior da população. A empresa fala em mais de 3.000 itens de casa inteligente à venda no Brasil, produzidos por marcas nacionais e globais. Na prática, montar uma casa conectada deixa de ser exclusividade de quem acompanha tecnologia de ponta.

Rotina automatizada, da luz da sala à panela no fogão

A Alexa se firma como uma espécie de controle remoto invisível da casa. Ao longo de 2025, brasileiros fazem mais de 4 bilhões de ações ligadas à casa inteligente, em comandos como “Alexa, apague a luz” ou “Alexa, ligue o ventilador”. Em paralelo, mais de 2 bilhões de interações pedem timers, lembretes e alarmes, que organizam desde o tempo do forno até a hora de tomar um remédio.

As chamadas rotinas ganham força ao automatizar tudo isso sem que o morador precise repetir o mesmo comando todos os dias. A luz da sala pode acender sozinha ao anoitecer, o ar-condicionado liga pouco antes de alguém chegar do trabalho, a cafeteira dispara com o despertador. A lógica é simples: a tecnologia some do campo de visão, mas passa a ditar o ritmo da casa.

O entretenimento aparece como um dos usos preferidos. A Amazon registra quase 6 bilhões de interações de áudio em 2025, em pedidos de músicas, rádios e podcasts. A casa conectada também ganha tela. Nos dispositivos Echo Show, com visor, são cerca de 700 milhões de ações relacionadas a vídeos, que vão de notícias e clipes a tutoriais de tarefas do dia a dia.

Na cozinha, a assistente de voz se converte em espécie de ajudante digital. O levantamento indica 35 milhões de ações ligadas à culinária, um crescimento de 58% em comparação ao ano anterior. A Alexa oferece acesso a mais de 200 mil receitas, ajuda a conferir ingredientes, inclui itens automaticamente na lista de compras da Amazon e dita o passo a passo do preparo enquanto o usuário mantém as mãos ocupadas.

Esse uso intenso revela mudança de comportamento. O morador deixa de interagir apenas com tela e teclado e passa a falar com a casa, que responde em luz, som, temperatura ou vídeo. O comando de voz vira atalho para um conjunto de serviços digitais, que vão do streaming de música à compra de alimentos, sem que o usuário precise pegar o celular.

Mercado aquecido, conforto em alta e dúvidas sobre privacidade

A adoção em massa de dispositivos conectados transforma o mercado de tecnologia no Brasil. Fabricantes nacionais e internacionais disputam espaço nas prateleiras físicas e virtuais com lâmpadas, câmeras, interruptores e eletrodomésticos compatíveis com Alexa. A competição amplia a oferta e pressiona preços, ao mesmo tempo em que estimula a inovação em modelos mais eficientes e fáceis de instalar.

Para o consumidor, o impacto aparece na rotina e na conta de luz. O uso mais racional de iluminação e climatização, com lâmpadas apagadas automaticamente e ar-condicionado ligado por períodos menores, tende a reduzir desperdícios. A automação também melhora a sensação de segurança com câmeras, sensores e fechaduras conectadas, que permitem monitorar a casa a distância e receber alertas em tempo real.

O ganho de conforto é imediato, mas abre discussão sobre a outra face da casa inteligente. Cada comando de voz, cada rotina e cada dispositivo extra produzem dados sobre hábitos, horários, preferências de consumo e até alimentação. Especialistas em privacidade lembram que a conveniência tem preço. O desafio está em garantir transparência sobre o uso dessas informações, limites claros para compartilhamento com terceiros e mecanismos simples de controle por parte do usuário.

Plataformas como a Alexa concentram, em um único serviço, funções que antes estavam espalhadas em diferentes aparelhos. Essa centralização cria vantagem competitiva para quem domina o ecossistema, mas também risco de dependência tecnológica. Uma falha de serviço, uma mudança de política de privacidade ou um aumento de preço podem afetar milhões de casas ao mesmo tempo.

O movimento atual também altera o jeito de consumir conteúdo digital. A interação por voz favorece acesso rápido a notícias, música, podcasts e vídeos sob demanda, sem navegação por menus complexos. Marcas e produtores de conteúdo correm para adaptar formatos e linguagem a esse novo tipo de audiência, que escuta e assiste enquanto cozinha, dirige ou arruma a casa.

Próxima etapa da casa inteligente e os limites da voz

O avanço dos dispositivos conectados indica que a casa inteligente deixa de ser tendência distante e passa a fazer parte da vida cotidiana no Brasil. A base instalada de 15 milhões de aparelhos com Alexa e 29 milhões de itens conectados em 2025 cria terreno fértil para novos serviços, como integrações com carros, condomínios e sistemas públicos.

O próximo passo aponta para automações mais complexas, que combinam sensores, inteligência artificial e análise de dados para antecipar as necessidades dos moradores. A discussão agora se desloca do deslumbramento com a tecnologia para uma pergunta prática: até que ponto os brasileiros estão dispostos a trocar privacidade por conveniência em uma casa que ouve, registra e aprende com cada comando dito em voz alta?

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