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Sinner supera calor extremo e câimbras e avança às oitavas em Melbourne

Jannik Sinner sofre com câimbras, calor extremo e interrupção por teto fechado, mas vira sobre Eliot Spizzirri neste sábado (24) e avança às oitavas do Australian Open.

Virada sob o teto fechado e sequência impressionante

O placar final de 4/6, 6/3, 6/4 e 6/4 conta só parte da história em Melbourne. Sob um calor sufocante, com a Escala de Estresse do Calor no nível máximo, o número 2 do mundo deixa a quadra central encharcado de suor, mancando em alguns momentos, mas ainda vencedor. Aos 24 anos, Sinner emenda a 17ª vitória seguida no Australian Open e a 18ª no circuito, sequência iniciada no fim de 2025, quando fecha a temporada com títulos em Viena, Paris e no ATP Finals.

O triunfo o coloca pela quinta vez em sete participações nas oitavas de final em Melbourne, onde busca o tricampeonato seguido e o quinto título de Grand Slam. O rival agora é o compatriota Luciano Darderi, número 25 do ranking, que mais cedo elimina o russo Karen Khachanov, 18º do mundo, por 7/6(5), 3/6, 6/3 e 6/4. O confronto italiano promete clima menos hostil que o deste sábado, mas o torneio já deixa claro que não poupará o corpo de ninguém.

Do outro lado da rede, Eliot Spizzirri confirma que não é passageiro na chave. O americano de 24 anos, 85º do ranking e algoz de João Fonseca na primeira rodada, pressiona o bicampeão desde o início, leva o primeiro set e lidera o terceiro quando o calor e as câimbras ameaçam virar a partida do avesso.

Calor no limite, câimbras e a virada de roteiro

O início sugere uma tarde normal para Sinner. Ele confirma o saque com autoridade, quebra o serviço de Spizzirri e abre 4/2 após uma direita cruzada que arranca aplausos. A rotina desaba quando o americano devolve a quebra no sétimo game, cresce nas devoluções e volta a quebrar o italiano com subidas firmes à rede. No décimo game, confirma o saque e fecha o set inicial em 6/4, silencendo parte da Rod Laver Arena.

O segundo set começa ainda pior para o favorito. Spizzirri quebra logo no primeiro game, vence um rali longo no seguinte e parece instalar a dúvida na cabeça do bicampeão. Sinner responde com três pontos quase perfeitos, devolve a quebra na sequência e muda o tom da partida. Passa a errar menos, mexe mais o adversário com bolas mais fundas e variações de ritmo. A recompensa vem no quarto game, com nova quebra construída com uma curtinha precisa e uma passada no contrapé.

Spizzirri não recua. Corre por todas as bolas, pressiona o saque do italiano e ainda arranca dois set points no nono game. Sinner encontra primeiros serviços no limite, salva ambas as chances e fecha a parcial em 6/3. O empate em 1 a 1 parece recolocar a lógica no jogo, mas o corpo do italiano decide intervir.

No início do terceiro set, as cãibras surgem em diferentes partes do corpo. Ele se movimenta com dificuldade visível, perde o saque e vê Spizzirri abrir 3/1. A temperatura em Melbourne não dá trégua. O índice oficial de calor do torneio, que cruza temperatura do ar, umidade, radiação solar e vento, atinge o nível 5, o máximo da Escala de Estresse do Calor. O jogo é interrompido para o fechamento do teto retrátil, medida prevista pelo protocolo quando o risco físico atinge o limite aceitável.

O retorno muda o cenário. Com a quadra protegida do sol direto, Sinner aposta em agressividade pura. Dispara duas bolas vencedoras, recupera a quebra e encurta os pontos. As trocas ficam mais curtas, o nível do americano cai, e o número 2 do mundo, mesmo sem recuperar a mobilidade ideal, administra melhor os momentos de pressão. Spizzirri comete dupla falta em break point no nono game, entrega o saque e vê o rival fechar o set em 6/4, abrindo 2 a 1 na partida.

O roteiro se repete no quarto set. Spizzirri consegue nova quebra, abre 3/1 e parece pronto para empurrar o jogo ao limite do quinto set. Sinner corta a reação na raiz, devolve a quebra no quinto game e volta a subir o nível quando precisa. No sétimo game, encaixa duas bolas vencedoras decisivas, volta a quebrar o americano e assume a dianteira por 4/3. A partir daí não se complica mais no saque e encerra o duelo com mais um 6/4, depois de 4 sets disputados sob condições que beiram o insuportável.

Protocolo de calor, desgaste e disputa pelo tricampeonato

O Australian Open transforma o calor em personagem principal há anos, mas o sábado em Melbourne reforça a centralidade do tema. O torneio adota a Escala de Estresse do Calor, que leva em conta temperatura, irradiação, umidade e vento para medir o risco físico dos atletas. Quando o índice atinge o nível 5, como ocorre durante o duelo entre Sinner e Spizzirri, os organizadores podem suspender partidas externas ou fechar os tetos retráteis das principais quadras, como a Rod Laver Arena.

A pausa obrigatória, adotada para preservar a saúde dos tenistas, não elimina o desgaste acumulado em quadra aberta. Em um esporte em que as partidas podem ultrapassar quatro horas e não há substituições, cada minuto sob sol forte cobra preço na musculatura, na hidratação e na cabeça. A sequência de cãibras em Sinner, mesmo em um jogador acostumado a treinos de alta carga, expõe o limite tênue entre o espetáculo e o risco físico.

A situação também recoloca na pauta a discussão sobre horários de início das partidas, janelas de descanso entre rodadas e distribuição de jogos entre quadras abertas e cobertas. Jogadores de ranking mais baixo, em quadras sem teto, ficam mais expostos a interrupções longas e a calendários apertados, o que pode afetar rendimento e aumentar o risco de lesão. O sábado em Melbourne funciona como lembrete de que a tecnologia do teto retrátil não basta sozinha.

Para Sinner, a vitória vale mais do que a vaga nas oitavas. Ele preserva a sequência invicta que carrega desde outubro de 2025, mantém a confiança de quem chega rodado de títulos grandes e ganha uma espécie de certificado físico logo na primeira semana do torneio. Superar um rival em ascensão, já adaptado ao calor local e embalado pela vitória sobre João Fonseca, reforça sua condição de favorito a mais um título em Melbourne.

Confronto italiano e a maratona até o fim do Slam

O próximo capítulo dessa campanha coloca Sinner diante de um rosto conhecido, mas menos acostumado aos holofotes dos grandes palcos. Luciano Darderi, 25º do ranking, chega às oitavas após derrubar Karen Khachanov, veterano de ótimas campanhas em Grand Slams. O duelo italiano vale muito mais do que uma vaga nas quartas: pesa na corrida pelo ranking, na disputa interna por espaço no circuito e na afirmação da Itália como potência recente do tênis masculino.

A forma como Sinner lida com a recuperação física nas próximas 48 horas deve pesar no roteiro da segunda semana. O calendário de um Slam exige quatro vitórias em sete dias para chegar à decisão, quase sempre atravessando variações de clima, tipos de quadra e estilos de adversários. Cada set jogado agora pode cobrar juros no fim do torneio.

Os organizadores, pressionados por previsões de mais dias de calor extremo, terão de calibrar novamente o uso dos protocolos de pausa e de teto fechado. Jogadores e treinadores já cobram regras ainda mais claras sobre horários e condições de jogo. A pergunta que fica para Melbourne, e para os demais Slams, é até que ponto o limite físico do atleta seguirá sendo empurrado antes que o clima imponha mudanças mais profundas no calendário e na forma de organizar o espetáculo.

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