São Paulo confirma Rafinha como novo coordenador de futebol
O São Paulo confirma nesta 24 de janeiro de 2026 a contratação de Rafinha como novo coordenador de futebol. O ex-lateral assume o cargo deixado por Muricy Ramalho, que sai por problemas de saúde e desgaste com a instabilidade política do clube.
Escolha em meio à turbulência política
A decisão parte do presidente Harry Massis Júnior, que inicia as primeiras mudanças na estrutura do futebol desde que assume o comando após a gestão de Julio Casares. O novo dirigente tenta reduzir danos internos em um ano em que o clube admite viver um ambiente de disputa intensa nos bastidores, com conselheiros divididos e pressões sobre orçamentos e diretrizes esportivas.
Rafinha, que encerra a carreira como jogador profissional há poucos meses, volta ao Morumbis em uma função de comando. A avaliação da cúpula tricolor é direta: ele é respeitado no vestiário, fala a linguagem dos jogadores e, sobretudo, circula com naturalidade entre setores que hoje se olham com desconfiança. Dirigentes tratam a nomeação como uma tentativa de blindar o elenco principal da disputa política que se acentua desde o fim de 2025.
Nos bastidores, conselheiros relatam que a escolha passa também pela urgência. A saída de Muricy, anunciada em comum acordo, abre um vácuo em uma área estratégica às vésperas das competições de 2026, com pré-temporada em curso e janela de transferências ainda aberta. A diretoria entende que não pode prolongar indefinições em um departamento que lida diariamente com contratações, renovação de contratos e cobrança de resultados.
Saída de Muricy expõe desgaste interno
Muricy Ramalho deixa o cargo após semanas de incômodo com decisões internas e com o tom da disputa política. O ex-técnico, símbolo de estabilidade em momentos de pressão, se diz cansado da escalada de conflitos nos bastidores. Além disso, enfrenta problemas de saúde recentes, que pesam na conversa final com a diretoria.
Interlocutores relatam que Muricy cobra maior clareza sobre projetos de médio prazo, especialmente em temas como uso da base, política salarial e planejamento para competições continentais. A transição entre a gestão de Julio Casares e o comando de Harry Massis Júnior aumenta a sensação de incerteza. A saída, descrita oficialmente como “em comum acordo”, escancara a dificuldade do clube em manter um eixo único de decisões em meio à troca de poder.
O movimento não é isolado. Desde o fim de 2025, o São Paulo revisa contratos de comissão técnica, reorganiza departamentos e discute cortes de gastos em diferentes áreas. O futebol, que consome a maior parte do orçamento anual, torna-se o terreno mais sensível. Nesse cenário, a presença de um coordenador com acesso direto ao elenco e boa relação com diferentes alas internas passa a ser vista como peça-chave.
Rafinha vira escudo do elenco em ano de pressão
Rafinha assume com a missão de ser esse escudo. Campeão por diversos clubes e voz ativa no vestiário durante a passagem como lateral, ele conhece o peso das arquibancadas e a rotina de cobrança diária. A nova gestão acredita que essa bagagem, acumulada em mais de 20 anos de carreira profissional, reduz ruídos entre jogadores, comissão técnica e diretoria.
O coordenador terá papel direto em negociações do dia a dia: renovação de contratos, gestão de prêmios, cobranças por desempenho e mediação em eventuais conflitos. A ideia é que decisões estratégicas, como reforços e saídas, passem por uma ponte mais estável entre o campo e o gabinete presidencial. Em um clube que atravessa mudanças políticas, o desenho tenta impedir que disputas entre conselheiros respinguem na preparação do time.
Na prática, o sucesso da aposta depende de como Rafinha equilibra a proximidade com o elenco e a lealdade às diretrizes da nova direção. O ex-lateral chega com o rótulo de “querido” pelos atletas, algo que agrada ao presidente no curto prazo, mas que também exige pulso firme em momentos de corte de gastos ou de saídas impopulares. O cargo cobra decisões que, muitas vezes, contrariam o vestiário.
Desafios imediatos e próximos passos
O São Paulo entra em 2026 pressionado por resultados e por uma reorganização administrativa que avança aos poucos. Rafinha encontra um elenco em formação, com jogadores que somam milhões de reais em salários mensais e contratos de longo prazo. Qualquer ajuste de rota, do tipo que a política atual pode impor, passa inevitavelmente pela sua mesa.
A nova gestão mede o impacto da mudança justamente no campo. A expectativa é que o ambiente interno, guiado agora por um ex-jogador de confiança dos atletas, segure o time no eixo enquanto o clube redefine prioridades no conselho e no orçamento. Nos bastidores, a pergunta que permanece é se a força simbólica de Rafinha será suficiente para atravessar um ano eleitoral duro, segurar crises de vestiário e ainda entregar desempenho em campo. A resposta começa a ser escrita já nas primeiras rodadas da temporada.
