Ubisoft reafirma desenvolvimento de Beyond Good and Evil 2 após anos de silêncio
A Ubisoft confirma que Beyond Good and Evil 2 segue em desenvolvimento ativo e permanece no portfólio da empresa. A declaração, enviada ao site Eurogamer.net e válida até janeiro de 2026, encerra meses de especulação sobre um possível cancelamento do projeto.
Silêncio longo, ambição intacta
A confirmação chega em um momento em que o jogo se aproxima de duas décadas de idas e vindas. Anunciado pela primeira vez em 2008 e reapresentado com um trailer na E3 2017, Beyond Good and Evil 2 se torna um dos projetos mais longevos da indústria. Nesse intervalo, as informações oficiais são raras e o silêncio prolongado alimenta rumores recorrentes de que o título teria sido arquivado.
Em resposta ao Eurogamer, um porta-voz da Ubisoft afirma que o jogo “permanece parte do nosso portfólio” e se encaixa na estratégia atual da empresa, centrada em grandes aventuras de mundo aberto. O executivo acrescenta que o estúdio vê no projeto uma oportunidade singular: “Acreditamos que o gênero de fantasia está sendo negligenciado e Beyond Good and Evil 2 nos coloca em uma posição privilegiada nesse espaço”. A mensagem não traz datas nem promessas de nova apresentação, mas funciona como um recado claro ao mercado e aos fãs: o investimento continua.
Um prequel ambicioso em mundo aberto
Os sinais de que o desenvolvimento segue vivo aparecem de forma discreta nos últimos anos. Em 2025, a Ubisoft abre vagas específicas para Beyond Good and Evil 2, entre elas a de designer de som técnico, função dedicada a criar e integrar efeitos e trilhas ao motor do jogo. Na descrição, o estúdio define o projeto como uma “aventura de ação em mundo aberto” ambientada em um universo de ficção científica, concebido como prequel direto do clássico cult de 2003.
O título é construído sobre o Voyager, motor proprietário da Ubisoft pensado para oferecer transições fluidas entre cidades, planetas e o espaço. A promessa é de uma experiência de exploração espacial contínua, com viagens entre diferentes corpos celestes sem telas de carregamento visíveis. O jogador assume o papel de pirata espacial em um sistema solar povoado por colônias híbridas, faunas exóticas e facções rivais, com foco em narrativa e liberdade de movimento, tanto em modo solo quanto em cooperativo online.
Beyond Good and Evil 2 se distancia do escopo relativamente contido do original, lançado há 23 anos, ao apostar em um universo escalável, com múltiplos planetas e grandes cidades verticais. Na prática, o projeto se alinha à guinada recente da Ubisoft, que prioriza franquias de mundo aberto como Assassin’s Creed, Far Cry e os novos projetos em Star Wars e Avatar. O jogo surge como peça de um tabuleiro mais amplo, em que a editora francesa procura consolidar sua presença em experiências de longa duração, com conteúdo expansível e forte componente cooperativo.
Impacto para o mercado e para os fãs
A decisão de manter Beyond Good and Evil 2 em desenvolvimento, mesmo após quase 18 anos desde o primeiro anúncio, reforça a disposição da Ubisoft em sustentar projetos de alto risco e alta expectativa. Em um cenário em que grandes editoras frequentemente cancelam jogos após alguns anos de pré-produção, a sobrevida do título funciona como sinal aos investidores de que a empresa ainda aposta em novas propriedades e não apenas em sequências anuais de franquias consolidadas.
Para a comunidade, a mensagem tem peso simbólico. O original de 2003 vende menos do que o esperado à época, mas conquista status de obra cult ao longo dos anos, graças à mistura de aventura, investigação e comentário social em um universo de ficção científica. Fãs acompanham cada menção ao projeto desde 2017, muitas vezes com frustração diante da falta de prazos claros. A confirmação de desenvolvimento ativo não resolve a espera, porém reacende o debate sobre o alcance criativo que o jogo pode ter em uma geração de consoles mais poderosa, com PlayStation 5 e Xbox Series S|X já há mais de quatro anos no mercado.
O movimento também dialoga com uma lacuna apontada pela própria Ubisoft. Segundo o porta-voz, o gênero de fantasia, sobretudo quando misturado à ficção científica e à exploração espacial, recebe menos atenção do que shooters militares, jogos de corrida e esportes. Beyond Good and Evil 2 tenta ocupar esse espaço ao oferecer pirataria espacial, sistemas sociais complexos e um tom mais irreverente, em contraste com a seriedade de boa parte dos títulos de grande orçamento.
O que esperar de Beyond Good and Evil 2
A ausência de data de lançamento e de janela aproximada mantém o projeto em uma espécie de limbo público. Internamente, porém, a abertura de vagas em áreas-chave indica que o estúdio ainda estrutura equipes, refina ferramentas e ajusta o escopo. O uso do Voyager, que precisa dar conta de mundos vastos, viagens espaciais e modos cooperativos estáveis, ajuda a explicar por que o desenvolvimento se estende por tantos anos e atravessa mudanças tecnológicas entre gerações de console.
No curto prazo, a expectativa do mercado é por uma nova apresentação ainda antes do fim de 2026, seja em um evento próprio da Ubisoft, seja em vitrines digitais como Summer Game Fest ou Gamescom. A forma como a empresa mostrará o jogo pode influenciar não apenas a recepção de Beyond Good and Evil 2, mas também o apetite de outras editoras por experiências abertas em cenários de fantasia e ficção científica. Depois de tanto tempo de espera, a principal pergunta já não é apenas quando o jogo será lançado, mas se ele conseguirá corresponder ao peso histórico que carrega.
