Palmeiras aposta em Vitor Roque e força máxima para reagir contra o São Paulo
Palmeiras prepara mudanças e força máxima para encarar o São Paulo neste sábado (24), às 18h30, na Arena Barueri, pelo Campeonato Paulista. Pressionado pela goleada de 4 a 0 sofrida diante do Novorizontino, o time de Abel Ferreira ganha reforços importantes, como Vitor Roque, Andreas Pereira e Felipe Anderson, para tentar virar a página no primeiro clássico do ano.
Reação urgente após a pior derrota da era Abel
O treino desta sexta-feira, na véspera do duelo, marca a tentativa de retomada de controle em um ambiente pouco comum para o clube desde o fim de 2020. A derrota por 4 a 0 para o Novorizontino, no meio de semana, é a mais pesada da gestão Abel Ferreira e acende alerta tanto no vestiário quanto na arquibancada.
A resposta vem no campo de treinamento. Vitor Roque e Andreas Pereira participam novamente de toda a atividade com o grupo e passam a ser opções reais para iniciar o clássico. Felipe Anderson, que também treina sem restrições, surge como alternativa para dar mais criatividade ao meio-campo e aproximar o time do gol, algo que faltou na rodada anterior.
Abel e sua comissão usam o dia para afinar posicionamentos, simular cenários de pressão e ajustar a marcação alta, ponto que falha de forma evidente na goleada em Novorizonte. O discurso interno é de tratar o tropeço como um acidente raro, mas com consequências práticas. Uma nova atuação abaixo do padrão pode comprometer o planejamento para o Paulistão e aumentar a pressão logo em janeiro.
Novidades, desfalques e o risco calculado no clássico
O desenho da escalação indica um Palmeiras mais encorpado e próximo da força máxima possível para o momento. A presença de Vitor Roque, centroavante de mobilidade, altera a dinâmica ofensiva e oferece uma referência de velocidade entre os zagueiros são-paulinos. Andreas Pereira, com bom passe em média distância, tende a ser peça-chave na ligação entre defesa e ataque.
Felipe Anderson, que chega com o peso de ter rodado por grandes centros europeus, surge como opção para atuar por dentro, entre as linhas, ou aberto, atraindo marcação e abrindo espaços para infiltrações. O trio, se utilizado desde o início, muda o eixo técnico de um time que, na última partida, mostrou dificuldades para criar e reagir diante da desvantagem.
As boas notícias ofensivas convivem com baixas importantes. Lucas Evangelista, Paulinho e Figueiredo seguem em tratamento no departamento médico e estão fora do clássico, reduzindo alternativas para mudanças de meio-campo e ataque ao longo do jogo. O elenco também perde Facundo Torres, negociado nesta sexta-feira com o Austin FC, dos Estados Unidos, em uma movimentação que altera o desenho de elenco logo no começo da temporada.
No ambiente interno, a ausência de Torres é tratada como parte de um processo maior de renovação do grupo, que também envolve o futuro de peças centrais, como Raphael Veiga. O meia observa propostas e, segundo apuração recente, sinaliza abertura para “novos ares”, com interesse do América despertando debates sobre a reconstrução gradual do time. O clássico surge como um teste prático para avaliar o quanto a nova espinha dorsal suporta pressão em jogos grandes.
Clássico como termômetro para o Paulistão e para Abel
O encontro com o São Paulo, sempre cercado de simbologia, ganha contornos de exame precoce para o projeto de 2026. Um resultado positivo devolve ao Palmeiras tranquilidade na tabela e alivia a cobrança sobre o treinador, que constrói sua autoridade com títulos, mas passa a conviver com questionamentos naturais após uma goleada histórica. Uma nova derrota, porém, reforça o clima de desconfiança e empurra o clube para um início de temporada turbulento.
Dentro do elenco, o discurso é de foco e reação. Ramón Sosa, um dos destaques ofensivos, tenta blindar o grupo e traduz o sentimento do vestiário. “A partida anterior foi difícil, mas é futebol e isso pode acontecer. Agora já estamos pensando no clássico contra o São Paulo e sabemos que será um jogo muito importante”, afirma o paraguaio, em entrevista à TV oficial do clube.
O atacante lembra a lembrança recente que fortalece o discurso de confiança. “A última partida contra o São Paulo que ganhamos foi muito especial para mim, foi meu primeiro clássico contra São Paulo e fiquei muito feliz. Agora vamos enfrentá-los de novo e estamos nos preparando para vencer novamente”, diz, apontando para a busca por uma repetição do roteiro recente.
Fora das quatro linhas, o duelo deste sábado também repercute em um cenário mais amplo do futebol brasileiro. Palmeiras e São Paulo protagonizam um dos confrontos mais constantes da década, período em que o clube alviverde se firma no topo nacional ao lado de Flamengo e, mais recentemente, Fluminense. O desempenho no Paulistão, mesmo em janeiro, influencia a percepção sobre quem larga na frente na corrida por títulos em 2026.
O que está em jogo na Arena Barueri
O jogo na Arena Barueri coloca em disputa mais do que três pontos. Para o torcedor palmeirense, uma vitória em clássico após a derrota por 4 a 0 representa um ajuste de rota imediato e a confirmação de que o tropeço é exceção. Para o São Paulo, o cenário é de oportunidade para explorar o momento de instabilidade do rival e testar sua própria maturidade sob pressão.
Abel Ferreira planeja usar o que tem de melhor fisicamente disponível, mesmo com a maratona de jogos do início de temporada. A tendência é de um Palmeiras mais agressivo, com marcação adiantada e circulação rápida de bola, tentando encurralar o São Paulo nos minutos iniciais para retomar a confiança da arquibancada. O risco é claro: um gol sofrido cedo pode reacender fantasmas da goleada para o Novorizontino e tornar o ambiente ainda mais pesado.
A noite de sábado em Barueri funciona, na prática, como um laboratório de alto nível para o restante do Paulistão. A atuação de Vitor Roque, Andreas Pereira e Felipe Anderson pode acelerar decisões sobre a hierarquia do elenco e influenciar movimentações de mercado nas próximas semanas. O desempenho coletivo, com ou sem vitória, indicará se o Palmeiras mantém a capacidade de se reinventar rapidamente ou se entra em 2026 sob o peso de dúvidas mais profundas.
O apito inicial às 18h30 encerra a fase de diagnósticos e discursos e abre espaço para a resposta que realmente importa no futebol: o que o time mostra em campo. A partir do que acontecer na Arena Barueri, o Palmeiras descobre se a reação começa já em janeiro ou se o ano será marcado, desde cedo, por uma corrida atrás do prejuízo.
