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Eduardo Bolsonaro diz que Tarcísio não pode enfrentar candidatura de Flávio

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirma, em 23 de janeiro de 2026, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não pode se opor à candidatura de Flávio Bolsonaro. A declaração ocorre em entrevista ao site Poder360 e expõe um novo foco de tensão no campo político da direita paulista.

Aliados em rota de colisão

Eduardo Bolsonaro, um dos principais articuladores do bolsonarismo, usa a entrevista para lembrar a origem política de Tarcísio. Ele diz que o governador “era, até ontem, um servidor público desconhecido da sociedade” e atribui ao clã Bolsonaro a projeção nacional que o levou ao Palácio dos Bandeirantes em 2022.

O recado mira diretamente a movimentação de Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e figura central nas articulações do grupo em São Paulo. Ao sustentar que Tarcísio não tem espaço para barrar a candidatura do irmão, Eduardo reforça a hierarquia interna do bolsonarismo e sinaliza que decisões eleitorais em São Paulo continuam sob influência direta da família.

A fala ocorre em um momento de reacomodação de forças na direita, a menos de dois anos das eleições municipais de 2028 e com o calendário eleitoral de 2026 já em curso. A escolha de palanques e candidaturas em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 34 milhões de eleitores em 2024 segundo o TSE, torna-se peça-chave para qualquer projeto nacional.

Disputa por influência em São Paulo

Na entrevista, Eduardo não detalha cargos ou datas, mas trata a participação de Flávio como fato consumado. Ao dizer que Tarcísio “não pode ir contra” uma eventual candidatura do irmão, o ex-deputado indica que a vontade do núcleo Bolsonaro pesa mais que a autonomia do governador em seu próprio reduto.

A declaração reabre uma questão sensível: até que ponto Tarcísio consegue se afirmar como líder com projeto próprio, sem ficar à sombra da família que o apoiou em 2022. Desde a posse, o governador tenta ampliar sua base para além do bolsonarismo raiz, aproximando-se de setores empresariais paulistas, partidos de centro e parte do mercado financeiro.

No campo conservador, a mensagem de Eduardo funciona como lembrete de dívida política. Ele reforça que a máquina bolsonarista ainda controla palanques, redes sociais e militância organizada em dezenas de cidades do interior paulista, onde o grupo de Flávio mantém influência direta sobre prefeitos e vereadores eleitos em 2020 e 2024.

Analistas ouvidos por veículos do setor político avaliam que a fala tensiona o equilíbrio interno. Um cientista político ligado a universidades paulistas resume o quadro: “Quando Eduardo diz que Tarcísio não pode ir contra Flávio, ele está delimitando o espaço do governador. É um aviso público de quem continua enxergando São Paulo como extensão do projeto da família”.

Impacto nas alianças e no xadrez eleitoral

A intervenção pública de Eduardo Bolsonaro tem efeito imediato nas conversas de bastidor. Prefeitos, deputados estaduais e federais que orbitam o bolsonarismo passam a medir o custo de se alinhar a um projeto que fortaleça Tarcísio, caso isso signifique confrontar diretamente uma candidatura de Flávio. Em partidos médios, como Republicanos e PL, dirigentes avaliam cenários com e sem o apoio explícito do senador.

Na prática, a frase de Eduardo pode limitar a margem de manobra do governador em futuras negociações. Em disputas pelo comando de diretorias estaduais, presidências de assembleias legislativas ou posições-chave em chapas majoritárias, aliados tendem a cobrar sinais claros de que Tarcísio não romperá com o núcleo Bolsonaro. Isso reduz a capacidade do governador de compor com setores que defendem um afastamento gradual da família.

O episódio também alimenta dúvidas sobre o desenho do palanque presidencial em 2026. Se Flávio assumir candidatura relevante em São Paulo, a costura para unir governadores, senadores e partidos de direita em um mesmo projeto nacional ficará mais complexa. A pressão por alinhamento pode afastar siglas que hoje negociam apoiar Tarcísio em eventual salto à cena nacional.

Em Brasília, interlocutores de diferentes legendas acompanham o movimento com atenção. Um dirigente de centro-direita resume, em reserva, o desconforto: “Ninguém sabe se conversa com o governador ou com a família Bolsonaro. Cada passo de São Paulo parece precisar de aval do Rio”.

Próximos passos e cenário em aberto

A repercussão das declarações de Eduardo Bolsonaro deve se prolongar nas próximas semanas, à medida que aliados cobrem posicionamentos públicos de Tarcísio e de Flávio. A ausência de uma resposta clara do governador pode ser lida como sinal de submissão, enquanto qualquer gesto de autonomia corre o risco de ser interpretado como ruptura.

Nos bastidores, lideranças partidárias tentam construir uma solução intermediária, em que a influência de Flávio seja preservada sem eclipsar completamente o espaço político de Tarcísio. O equilíbrio, porém, é frágil. A forma como o governador administra essa pressão vai indicar se ele consegue consolidar um projeto próprio em São Paulo ou se continuará tratado, dentro do bolsonarismo, apenas como o técnico bem-sucedido lançado pela família. A resposta a essa dúvida tende a moldar não só o mapa eleitoral paulista de 2026, mas também o peso de São Paulo na próxima disputa pelo Planalto.

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