Ofensiva do ICE em Minneapolis deixa jovem morta e criança detida
Uma operação do ICE em Minneapolis, iniciada em 7 de janeiro de 2026, termina com a morte de Renee Good, 23, e a detenção de uma criança. A ofensiva desencadeia protestos diários e pressiona a Casa Branca a responder às denúncias de abuso de força e violações de direitos humanos.
Protestos crescem nas ruas e chegam a Washington
O centro de Minneapolis vive um ciclo de tensão desde o início do ano. Agentes da agência de imigração dos Estados Unidos intensificam prisões em bairros com alta presença de imigrantes, enquanto manifestantes ocupam praças e avenidas para denunciar o que chamam de “caça ao imigrante”. A morte de Renee Good, jovem moradora da cidade, durante uma ação de contenção de protestos, transforma um conflito local em crise nacional.
Renee participa de uma manifestação contra a ofensiva do ICE quando é atingida durante um confronto entre agentes federais, policiais locais e grupos de manifestantes. Testemunhas relatam uso intenso de gás lacrimogêneo, balas de impacto e prisões em massa na noite que termina com a morte da jovem. “Eles trataram a gente como inimigo de guerra”, afirma um dos presentes ao ato, que acompanha as abordagens desde o primeiro dia de operações reforçadas.
No mesmo contexto de protestos, uma criança é detida por agentes do ICE durante uma batida em área residencial. A imagem do menor sendo conduzido por dois agentes armados circula em redes sociais, telejornais e sites de notícias. Organizações de direitos humanos denunciam a ação como “inadmissível” e cobram responsabilização imediata. Para esses grupos, o episódio simboliza o grau de radicalização das políticas migratórias na prática cotidiana.
Desde 7 de janeiro, ao menos dezenas de pessoas são presas nas operações e manifestações ligadas à ofensiva, segundo estimativas de entidades locais. Advogados que atuam em defesa de imigrantes relatam aumento expressivo na procura por ajuda jurídica, com famílias inteiras temendo sair de casa. Igrejas, centros comunitários e escolas adaptam rotinas para orientar pais e crianças sobre como reagir a abordagens de agentes federais.
Pressão sobre o ICE e a vice-presidente dos EUA
A repercussão obriga a vice-presidente dos Estados Unidos a vir a público pedir moderação. Em discurso transmitido por emissoras nacionais, ela tenta reduzir a temperatura do conflito e faz um apelo duplo: “Precisamos garantir a segurança de nossas comunidades sem perder de vista nossa humanidade. Peço calma nas ruas e responsabilidade de todas as autoridades envolvidas”. O pronunciamento ocorre após quatro dias seguidos de protestos que paralisam trechos centrais de Minneapolis e geram bloqueios de trânsito em rodovias de acesso à cidade.
A vice-presidente evita criticar diretamente o ICE, mas reconhece a gravidade das imagens. Assessores admitem, em conversas reservadas, que a morte de uma jovem e a detenção de uma criança fragilizam o discurso oficial de que as operações seguem protocolos rigorosos. Nas redes, parlamentares democratas e republicanos disputam a narrativa. Enquanto aliados do governo defendem “apuração caso a caso”, opositores acusam a Casa Branca de permitir um ambiente de “licença para a violência institucional”.
O ICE sustenta que a ofensiva em Minneapolis mira pessoas em situação migratória irregular com antecedentes criminais e insiste que não há mudança formal de diretriz desde o início do ano. Defensores públicos e organizações locais contestam. Eles afirmam que, na prática, a amplitude das batidas aumenta. Relatos indicam abordagens em escolas, paradas de ônibus e mercados de bairro, com checagens de documentos em série e clima de vigilância permanente.
O caso reacende memórias recentes na cidade. Minneapolis ainda carrega o trauma da morte de George Floyd, em 2020, e das semanas de protestos contra violência policial que se seguiram. Líderes comunitários afirmam que, seis anos depois, a promessa de uma política de segurança mais transparente convive com episódios de uso letal da força em situações de controle de protestos. “É como se nada tivesse sido aprendido”, resume uma ativista que atua em diferentes frentes desde 2020.
Impacto na política migratória e na vida cotidiana
As cenas de Minneapolis rapidamente entram no debate nacional sobre imigração, tema decisivo em anos eleitorais nos Estados Unidos. Conselheiros da Casa Branca reconhecem que a crise pode acelerar revisões em protocolos de fiscalização, mas também endurecer o discurso de setores que defendem ações mais agressivas. Pesquisas internas de partidos mostram que segurança de fronteiras e controle migratório estão entre as três principais preocupações de eleitores em ao menos 15 estados estratégicos.
Na prática, comunidades imigrantes em Minneapolis e em outras cidades se veem em estado de alerta permanente. Escolas reportam queda na frequência de alunos filhos de imigrantes, com pais temendo que deslocamentos cotidianos terminem em abordagens. Clínicas comunitárias percebem aumento na procura por atendimento psicológico, inclusive entre adolescentes. Organizações civis intensificam cursos relâmpago sobre direitos básicos em abordagens, orientando sobre o que dizer, o que não assinar e a quem recorrer em caso de detenção.
O episódio também expõe fissuras entre autoridades locais e federais. Vereadores e líderes municipais cobram transparência total sobre a cadeia de comando nas operações e exigem dados detalhados: quantas pessoas foram presas, em que circunstâncias, com que base legal. A ausência de números oficiais consolidados alimenta suspeitas de arbitrariedade. Sem respostas claras, cresce o espaço para versões conflitantes sobre o que ocorre nas madrugadas de batida e nas tardes de protestos.
Especialistas em direitos humanos afirmam que a morte de Renee Good e a detenção da criança se tornam símbolo de uma fronteira tênue entre aplicação da lei e violação de direitos fundamentais. Juristas lembram que normas internacionais proíbem o uso desproporcional da força e estabelecem proteção especial a menores em qualquer tipo de operação. “Quando uma criança termina algemada ou dentro de um veículo oficial, o Estado falhou em todas as etapas anteriores”, afirma um professor de direito internacional consultado por organizações locais.
Próximos passos e incertezas
O caso entra na agenda do Congresso, que discute convocar dirigentes do ICE para prestar esclarecimentos e apresentar dados completos das operações em Minneapolis desde 7 de janeiro. Parlamentares avaliam propor prazos concretos para revisão de protocolos de uso da força em protestos e ações migratórias em áreas urbanas densamente povoadas. Grupos de direitos civis pressionam por investigações independentes, com prazos definidos e participação de especialistas externos ao governo federal.
Investigações internas da polícia local e de órgãos federais devem levar semanas, talvez meses. Enquanto isso, a cidade tenta equilibrar luto, medo e resistência. Famílias de imigrantes organizam redes de solidariedade, manifestantes preparam novos atos e autoridades buscam evitar que um novo confronto termine em tragédia. Ainda não está claro se a morte de uma jovem e a imagem de uma criança detida vão produzir mudanças estruturais na política migratória dos Estados Unidos ou apenas se somar a uma longa lista de episódios que o país prefere esquecer.
