Raphael Veiga sinaliza saída do Palmeiras e mira América do México
Raphael Veiga manifesta em janeiro de 2026 o desejo de deixar o Palmeiras e abre conversas para defender o América do México. A negociação ainda é inicial, mas envolve um possível empréstimo com opção de compra e pode encerrar a passagem do maior artilheiro do clube neste século.
Calendário, desgaste e espaço no elenco pesam na decisão
O meia de 30 anos busca “novos ares” após quase uma década ligado ao Palmeiras e enxerga no futebol mexicano uma oportunidade de recomeço em um ambiente menos sufocado por jogos. O calendário da Liga MX, com número menor de partidas em relação à maratona brasileira, agrada ao jogador, que convive com desgaste físico e alterna entre a titularidade e o banco no time de Abel Ferreira.
Dirigentes do Palmeiras classificam a tratativa com o América como “embrionária”, mas admitem internamente que a movimentação pode ser boa para todas as partes. Veiga carrega um dos salários mais altos do elenco, com remuneração mensal robusta e bonificações por metas esportivas, o que pressiona a folha em um momento em que a diretoria de futebol busca espaço para trazer um reforço considerado pronto para a temporada.
No México, o técnico André Jardine coloca o camisa 10 no topo da lista de desejos para qualificar o meio-campo. O treinador pede à diretoria um armador experiente e identifica em Veiga o perfil de jogador capaz de decidir jogos em competições de mata-mata. Mauricio, também meia do Palmeiras, aparece como alternativa em conversas preliminares, mas o foco recai sobre o camisa 23 alviverde.
Negócio começa por empréstimo e redesenha plano esportivo
A tendência na mesa de negociação é que o América proponha um empréstimo de um ano, com opção de compra ao fim do vínculo. O clube mexicano evita, neste primeiro momento, um investimento alto em um atleta que chega aos 30 anos, ainda que reconheça o peso de um jogador com 109 gols pelo Palmeiras e dez títulos conquistados. Uma oferta definitiva não está descartada, mas depende da evolução das conversas e da disposição alviverde em negociar.
Para o Palmeiras, a eventual saída libera uma fatia relevante da folha salarial e abre espaço para reconfigurar o elenco em 2026. A diretoria enxerga a chance de investir em um atleta já pronto, possivelmente mais jovem, para manter o nível competitivo em Campeonato Paulista, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, competições que empilham mais de 70 partidas em um ano cheio. O movimento também reduz a pressão por minutos para um jogador que, nos últimos meses, alterna entre jogos como titular e participações saindo do banco, algo incomum para um protagonista recente do clube.
Veiga é hoje o maior artilheiro do Palmeiras no século XXI, com 109 gols, e o principal goleador da história do Allianz Parque, com 57 bolas na rede no estádio inaugurado em 2014. O meia figura ainda entre os dez maiores campeões da história do clube, com duas Libertadores, além de títulos brasileiros, estaduais e de copas nacionais no currículo. A possível despedida, portanto, representa mais que uma troca de camisa: marca o fim de um ciclo vitorioso em uma das eras mais vencedoras do clube.
O interesse estrangeiro surge no momento em que o Palmeiras enfrenta semanas decisivas. O time entra em campo para clássicos pelo Campeonato Paulista, como o duelo com o São Paulo, e encara o Atlético-MG em compromissos que testam o elenco sob pressão por desempenho. Mesmo com a agenda cheia, a diretoria dedica parte da atenção às conversas com representantes do jogador e emissários mexicanos.
Impacto para Palmeiras, América e mercado sul-americano
A possível ida de Veiga ao América mexe com a estrutura do meio-campo alviverde e com o mercado regional. O Palmeiras perderia um especialista em jogos grandes e em decisões de pênalti, peças raras em elencos de alto nível. Em compensação, ganharia fôlego financeiro e flexibilidade para ir ao mercado na janela do meio do ano, com espaço para um investimento pontual em jogador de impacto imediato.
No México, Jardine receberia um meia pronto para assumir a camisa 10 e dividir protagonismo ofensivo. Veiga traria experiência em Libertadores, Mundial de Clubes e finais nacionais, além de índice de participação em gols que o mantém entre os principais meias ofensivos do país nos últimos anos. O encaixe em um calendário menos congestionado pode prolongar o auge físico e técnico do atleta, que vê na mudança uma forma de preservar a carreira e recuperar sequência como titular absoluto.
Grêmio monitora a situação e já buscou informações sobre o jogador, mas não apresenta proposta formal. A postura prudente indica um cenário em que clubes brasileiros, limitados pelo orçamento, observam com atenção a movimentação de times mexicanos, que operam com maior poder de compra no continente. Uma eventual saída de Veiga para o exterior tende a reforçar essa tendência de exportação de protagonistas do futebol nacional para centros médios, e não apenas para a Europa.
Próximos passos e o futuro do camisa 10
Os próximos dias devem ser dedicados ao ajuste de modelo de negócio e condições esportivas. Palmeiras e América discutem valores de salário, divisão de encargos e parâmetros de uma opção de compra que não inviabilize a operação. O staff de Veiga participa diretamente das conversas, com a missão de garantir estabilidade contratual e um projeto esportivo que justifique a ruptura com uma história de 109 gols e dez taças.
O desfecho pode redefinir o papel do meia no cenário sul-americano. Se permanecer, Veiga seguirá como referência técnica e peça importante na rotação de Abel Ferreira, ainda que com pressão renovada por desempenho em alto nível. Se partir para o México, abre mão do protagonismo em um dos clubes mais vitoriosos do continente nos últimos anos para liderar um projeto em outro mercado. A resposta para qual caminho prevalece começa a ser construída agora, em uma janela que pode marcar um ponto de virada na carreira do camisa 10 e no planejamento do próprio Palmeiras.
