Esportes

Vasco vende Rayan por valor recorde e acima do mercado

O Vasco da Gama acerta nesta sexta-feira (23) a venda de Rayan para o Bournemouth, da Inglaterra, por 35 milhões de euros (R$ 217 milhões). O negócio supera em 10 milhões de euros a avaliação de mercado do atacante de 19 anos e se torna a maior transferência da história do clube cruz-maltino.

Negócio acima da curva e nova vitrine para São Januário

A operação coloca o Vasco em outro patamar nas negociações internacionais. O clube segura o jogador por meses, recusa sondagens anteriores e, agora, transforma a principal joia recente da base em um ativo bilionário em reais. A cifra final supera em larga margem a avaliação do Transfermarkt, plataforma que estima o valor de mercado de atletas.

Segundo o site especializado, Rayan está cotado em 25 milhões de euros (R$ 155 milhões), valor 10 milhões abaixo do que o Bournemouth aceita pagar. Na prática, o Vasco capitaliza o aquecimento do mercado por jovens brasileiros e mostra capacidade de impor preço em conversas com a Europa. A diretoria entende que o pacote de desempenho, idade e projeção justifica a pedida alta.

O clube vive um momento em que cada movimento financeiro pesa. A receita de 35 milhões de euros representa um fôlego imediato no caixa e abre margem para reorganizar prioridades esportivas e administrativas. A transferência também reforça o discurso interno de que a base volta a ser um pilar central do projeto esportivo e econômico de São Januário.

Rayan deixa o Vasco no auge de sua valorização. Desde julho de 2023, quando aparece no Transfermarkt avaliado em 1,5 milhão de euros, o atacante multiplica por mais de vinte vezes seu preço de tela. Em junho de 2024, já atinge 6 milhões de euros, e a partir dali embarca em uma sequência de seis revisões de valor até chegar aos atuais 25 milhões, registrados em dezembro de 2025.

A diferença entre o valor de mercado e o valor da transação é vista internamente quase como um bônus de negociação. A avaliação pública serve de referência, mas não define o preço final. Entra na conta o apetite do comprador, a concorrência de outros clubes, o momento da janela europeia e a própria necessidade de caixa dos times brasileiros. “Cotação não é sentença, é ponto de partida”, costuma repetir quem atua nesse mercado.

Recorde histórico, impacto no elenco e efeito no mercado

Com os 35 milhões de euros, Rayan supera Paulinho e Andrey Santos e assume o topo do ranking de vendas do Vasco. Até então, a maior negociação era a de Paulinho para o Bayer Leverkusen, em 2018, por 18,5 milhões de euros. Depois vinham Andrey Santos para o Chelsea, em 2023, por 12,5 milhões, e as saídas de Marlon Gomes para o Shakhtar e Douglas Luiz para o Manchester City, ambas por 12 milhões. Gabriel Pec completa o grupo com os 9,3 milhões de euros pagos pelo LA Galaxy em 2024.

O contraste é explícito. Em menos de uma década, o topo da lista praticamente dobra de valor, mesmo sem correção cambial. O dado ajuda a dimensionar o efeito da janela atual sobre o futebol brasileiro. O Vasco observa essa curva e tenta se posicionar como fornecedor de talentos com preço de vitrine, não de liquidação.

Rayan deixa o país também em posição de destaque no cenário nacional. No Brasileirão, ele figura entre os jogadores mais valiosos e só ficaria atrás de Vitor Roque, do Palmeiras, avaliado em 35 milhões de euros, caso permanecesse no campeonato. Na fotografia internacional, aparece entre os 50 brasileiros mais caros do mundo, empatado com nomes como Endrick, Douglas Luiz e Rodrigo Muniz, e se iguala a Endrick no recorte de sub-20.

A venda obriga o Vasco a agir rápido no mercado. A diretoria já encaminha a chegada de Brenner, que desembarca no Rio para assinar contrato, e de Hinestroza, e estuda a contratação de mais um atacante para compor o setor. Rayan deixa um vazio técnico, mas também abre espaço para reformulação ofensiva e aumento de competitividade no elenco.

Internamente, o discurso é de reposição qualificada. O clube tenta equilibrar a necessidade de manter um time forte no Campeonato Carioca e no Brasileirão com a obrigação de aproveitar uma proposta que dificilmente se repete no curto prazo. A ideia é distribuir a bolada entre redução de dívidas, reforços imediatos e investimento na base.

O que muda para o Vasco, para Rayan e para o mercado

Para o Vasco, os 35 milhões de euros significam mais do que um número bonito no balanço. A receita cria margem para honrar compromissos, destravar negociações e proteger o clube de vendas apressadas de outros talentos. A mensagem para o mercado é clara: o patamar de saída das joias cruz-maltinas sobe.

O movimento também mexe com a régua de preço do futebol brasileiro. Clubes formadores passam a ter um novo exemplo para defender pedidas mais altas por jogadores sub-20. A tendência é que os europeus encontrem menos barganhas e mais negociações duras, sobretudo com atletas já testados em jogos de grande exposição, como clássicos e mata-matas.

Para Rayan, a ida ao Bournemouth representa um salto de vitrine e responsabilidade. O clube inglês não é protagonista na Premier League, mas atua em um dos campeonatos mais vistos do planeta. O atacante de 19 anos chega com status de investimento pesado e passa a conviver com a pressão de justificar cada euro gasto.

O desafio esportivo é imediato. Rayan precisa se adaptar a um novo país, a um calendário intenso e a um estilo de jogo mais físico, sem perder as características que o tornaram cobiçado. Se responde em campo, abre caminho para voos ainda maiores na Europa. Se oscila, vira símbolo de aposta cara demais para o estágio atual da carreira.

O desfecho da negociação ajuda a contar uma história recente do Vasco. Em poucos anos, o clube volta a revelar, valorizar e vender jogadores em cifras que rivalizam com as maiores do país. A trajetória de Rayan, da primeira cotação de 1,5 milhão de euros ao acordo final por 35 milhões, condensa essa virada. A partir de agora, a resposta para torcedores e dirigentes passa por uma nova pergunta: o clube saberá transformar esse recorde em resultados dentro de campo?

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