West Ham aceita oferta do Fla por Paquetá, mas trava em modelo de negócio
O West Ham aceita a proposta do Flamengo por Lucas Paquetá, mas a negociação emperra no modelo de negócio. As divergências sobre valores fixos, bônus, prazos e data de liberação mantêm o acerto em suspenso neste 23 de janeiro de 2026.
Oferta reduzida, impasse mantido
O clube inglês abre mão da pedida inicial e concorda em vender Paquetá por cerca de 40 milhões de euros, algo próximo de R$ 249,2 milhões. A quantia representa redução em relação aos 45 milhões de euros, cerca de R$ 280,4 milhões, exigidos na largada das conversas. O ajuste no valor coloca a negociação em outro patamar, mas não resolve os pontos que agora se tornam centrais.
Os dois clubes divergem sobre o que entra como pagamento garantido e o que fica condicionado a metas futuras, como número de jogos, títulos ou desempenho em competições. Flamengo tenta limitar o valor fixo e ampliar a fatia atrelada a bônus, movimento comum em transferências de alto impacto para reduzir risco imediato no caixa. West Ham resiste e pressiona por uma parcela maior assegurada desde a assinatura do contrato.
Data de liberação vira disputa de forças
A discussão mais sensível sai do campo financeiro e entra no calendário. O West Ham insiste em liberar Paquetá apenas após o fim da Premier League, a partir de 25 de maio. O clube inglês entende que, mesmo lesionado, o meia segue como peça importante em um elenco que tenta se manter competitivo na reta final da temporada nacional. A diretoria enxerga o jogador como ativo técnico e econômico até o último dia possível.
O Flamengo adota posição oposta e trabalha para ter o reforço de imediato, ainda no primeiro semestre. A direção rubro-negra avalia que a presença de Paquetá desde o início da temporada é decisiva para encaixar o meio-campo, definir hierarquias no elenco e reforçar a equipe em momentos-chave de Campeonato Carioca, Brasileirão e Libertadores. O clube da Gávea trata a operação como movimento estratégico, tanto esportivo quanto comercial, e tenta antecipar a apresentação do meia para aproveitar o impacto junto à torcida e patrocinadores.
Forma de pagamento entra no tabuleiro
Além do valor e do calendário, o formato de pagamento também entra na mesa. O West Ham prefere receber quantias mais concentradas, em prazos curtos e com menor parcelamento. Flamengo, por sua vez, tenta alongar os pagamentos ao máximo, distribuindo as parcelas ao longo de vários anos, como tem feito em outras grandes contratações recentes. A engenharia financeira da operação precisa ainda considerar câmbio, fluxo de caixa e limites de endividamento do clube brasileiro.
As diferenças empurram a diretoria rubro-negra para uma nova rodada de reuniões internas. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, discute com seus pares ajustes no desenho da oferta. A ideia é manter a base de 40 milhões de euros, mas redistribuir os blocos de pagamento, calibrar bônus e buscar algum meio-termo na data de liberação. A cúpula vê a negociação como um jogo de paciência, no qual o limite financeiro está mais claro do que o formato ideal de execução.
Jogador pressiona com desejo de voltar
Enquanto as diretorias tentam se entender, Paquetá e seu estafe reforçam ao West Ham o desejo de voltar ao Flamengo. O meia, formado na base rubro-negra e identificado com o clube, indica preferência pela transferência e não esconde a vontade de retomar a carreira no Brasil em um momento ainda de auge técnico. O movimento pesa no clima da negociação, ainda que não seja suficiente, sozinho, para forçar a saída.
O jogador está fora da partida contra o Sunderland, pela Premier League, por causa de dores nas costas. O técnico Nuno Espírito Santo confirma a ausência e evita ampliar a temperatura pública da novela. “Todos sabem minha opinião sobre o Lucas, já falei sobre isso, mas para esse jogo ele não será relacionado. Nós temos de lidar com a situação dia a dia, e tentar encontrar uma solução. Espero que Lucas e o clube possam achar uma solução para que possamos seguir adiante”, afirma o treinador português.
Impacto esportivo e político nos clubes
A possível volta de Paquetá ao Flamengo mexe com o mercado brasileiro e inglês. No Brasil, a contratação recoloca o clube em um patamar ainda mais alto de elenco e aumenta a pressão sobre rivais diretos, que observam um reforço de nível europeu aterrissar novamente no país. Um investimento de 40 milhões de euros em um único jogador, mesmo com pagamento parcelado, reforça a distância financeira entre o Fla e boa parte da concorrência.
Na Inglaterra, a saída de Paquetá reabre discussões internas sobre o projeto esportivo do West Ham. O clube equilibra a necessidade de fazer caixa com a preocupação de não desidratar o time em meio à temporada. A diretoria tenta mostrar ao torcedor que, ainda que venda o meia, o fará de forma vantajosa, com cifras robustas e no momento considerado menos danoso para o desempenho em campo.
Próximos passos e cenário possível
Flamengo prepara uma nova proposta, com ajustes no modelo de negócio, para tentar destravar os três pontos de impasse: repartição entre valor fixo e bônus, data de liberação e formato de pagamento. A tendência é de novas conversas ainda nos próximos dias, em ritmo intenso, mas sem a pressa típica de janelas em fase final. Os dirigentes rubro-negros contam com o desejo público e privado de Paquetá como trunfo político e emocional.
A novela ainda não tem data para acabar, mas caminha para um desfecho em que nenhum dos lados aceita perder. Flamengo tenta encaixar a maior contratação de sua história recente sem romper seus limites internos. West Ham protege seu calendário e seu caixa. No centro, Paquetá aguarda a definição que vai redesenhar os próximos anos de sua carreira, entre permanecer na liga mais badalada do mundo ou assumir o protagonismo absoluto em casa.
