Inmet emite alerta vermelho de chuva para 397 cidades em MG
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emite alerta vermelho de chuva intensa para 397 cidades de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, até 23h59 de sábado (24). A previsão indica acumulados acima de 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia, com risco elevado de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas em áreas urbanas e rurais.
Chuva forte coloca Minas em estado de atenção máxima
O aviso de “grande perigo” coloca praticamente metade de Minas em estado de atenção máxima. O mapa do Inmet sobre o Sudeste aparece coberto por uma faixa contínua sobre o território mineiro, com destaque para a Região Metropolitana de Belo Horizonte e cidades já conhecidas por episódios recorrentes de enchentes e deslizamentos.
O alerta vale até as 23h59 de sábado, 24 de janeiro de 2026, e atinge desde grandes centros urbanos até pequenos municípios do interior. Técnicos do instituto falam em volumes de chuva capazes de provocar enxurradas em poucos minutos e acumular água suficiente para saturar o solo em várias regiões do estado.
O comunicado oficial do Inmet descreve a possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia. Esses números, que para muitos parecem abstratos, significam na prática ruas rapidamente alagadas, córregos transbordando e encostas instáveis cedendo depois de horas de aguaceiro contínuo.
Metereologistas explicam que o cenário combina altas temperaturas, grande umidade vinda da Amazônia e a atuação de sistemas de baixa pressão sobre o Sudeste. “É a combinação perfeita para temporais de forte intensidade e grande volume em curto espaço de tempo”, resume, em caráter técnico, a nota do instituto. O órgão orienta que a população acompanhe as atualizações “hora a hora”.
Impacto direto na rotina e risco de novas tragédias
As 397 cidades sob alerta somam milhões de moradores expostos a algum nível de risco. Em Belo Horizonte, onde parte da malha urbana cresce sobre fundos de vale e encostas íngremes, qualquer chuva acima da média tende a pressionar sistemas de drenagem já sobrecarregados. Vias importantes podem ser fechadas em poucos minutos, com reflexos imediatos no trânsito, no transporte público e no acesso a hospitais.
A experiência recente pesa. Em anos anteriores, episódios de chuvas intensas com acumulados semelhantes deixaram rastros de destruição na capital e em cidades da Região Metropolitana, com casas interditadas, famílias desabrigadas e comércio paralisado por dias. Em várias comunidades, moradores ainda convivem com cicatrizes de deslizamentos e enxurradas que arrastaram carros, muros e parte de construções erguidas à beira de córregos.
A Defesa Civil municipal e estadual entra em regime de prontidão. As orientações se repetem, mas ganham urgência diante do grau máximo do alerta. “Quem mora em área de encosta, perto de barrancos ou às margens de córregos precisa ficar atento a qualquer sinal de movimento de terra, rachaduras em paredes, portas emperradas ou água barrenta surgindo onde não surgia”, reforça a recomendação alinhada às diretrizes do Inmet.
Autoridades admitem reservadamente que o sistema de drenagem de muitas cidades não acompanha o ritmo da urbanização e do aumento de extremos climáticos. Ruas asfaltadas sem previsão adequada de escoamento, ocupação de áreas de várzea e descarte irregular de lixo agravam um quadro que, com chuva acima de 100 milímetros em 24 horas, costuma se tornar explosivo.
O alerta também deve atingir serviços básicos. Linhas de ônibus podem ser desviadas ou suspensas em função de alagamentos. Interdições em rodovias estaduais e federais, sobretudo nas entradas e saídas da capital, tendem a afetar o transporte de cargas e o abastecimento. Em áreas mais isoladas, quedas de energia e interrupção de sinal de telefone e internet são efeitos esperados quando o volume de chuva persiste por muitas horas.
Próximas horas serão decisivas para Minas Gerais
Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, prefeituras e governo do estado acompanham em tempo real os dados do Inmet e de outros centros meteorológicos. Técnicos cruzam informações de radar, imagens de satélite e séries históricas para identificar, quase em tempo real, os pontos mais vulneráveis. A avaliação é dinâmica: bairros antes considerados de médio risco podem passar a ser prioridade caso a chuva se concentre por mais tempo em determinadas áreas.
O alerta vermelho também abre caminho para a mobilização rápida de recursos estaduais e federais, caso desastres sejam registrados. Em situações de emergência, municípios podem pedir reconhecimento federal de calamidade e acessar verbas específicas para socorro, assistência às famílias e reconstrução de infraestrutura danificada, como pontes, estradas vicinais e equipamentos públicos.
Especialistas em clima lembram que episódios como o de agora tendem a se tornar mais frequentes. O aquecimento global aumenta a capacidade da atmosfera de reter umidade e intensifica eventos extremos, como ondas de calor e tempestades severas. Minas, com relevo acidentado e ocupação urbana irregular, sente esse impacto de forma direta a cada temporada chuvosa.
Nas próximas horas, a recomendação central é simples, mas difícil de seguir em uma rotina já pressionada pela necessidade de trabalho e deslocamentos diários. Permanecer em casa sempre que possível, evitar travessias em locais alagados, não enfrentar enxurradas de carro ou a pé e buscar abrigo em locais seguros podem significar a diferença entre um susto e uma tragédia.
O sábado termina com a promessa de novas atualizações. O Inmet deve revisar os mapas ao longo do dia e, dependendo do comportamento das nuvens de chuva, manter, ampliar ou reduzir as áreas de risco. A pergunta que permanece, para moradores e autoridades, é até quando as cidades conseguirão apenas reagir a cada alerta, em vez de se antecipar com obras estruturais e planejamento urbano capaz de enfrentar um cenário climático cada vez mais extremo.
