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Fuvest e Enem-USP divulgam aprovados e abrem matrícula para 2026

A Fuvest divulga nesta quinta-feira (23) a lista de aprovados no vestibular 2026 e no Enem-USP, dando início ao calendário de matrícula virtual para ingresso na Universidade de São Paulo. Milhares de candidatos passam, a partir de hoje, da expectativa para a corrida contra o relógio para garantir uma das 11.147 vagas oferecidas pela instituição.

Corrida por vagas e calendário apertado

A consulta aos resultados está disponível nos sites oficiais da Fuvest (www.fuvest.br) e da USP (www.usp.br). A partir da divulgação, o foco dos aprovados deixa a prova para trás e se volta integralmente ao cumprimento dos prazos de matrícula. Cada janela perdida implica, de forma direta, na perda da vaga conquistada.

O processo de ingresso ocorre em duas etapas virtuais. A pré-matrícula começa às 8h de 27 de janeiro e segue até as 12h de 30 de janeiro. Essa fase funciona como uma confirmação inicial de interesse na vaga e exige o envio de documentos pela plataforma indicada pela universidade. A matrícula efetiva, que consolida o vínculo com o curso, deve ser feita entre as 8h de 23 de fevereiro e as 12h de 25 de fevereiro de 2025.

Quem não conclui qualquer uma dessas etapas tem o nome retirado do processo e abre espaço para os aprovados nas chamadas seguintes. O cronograma pressiona os estudantes a organizarem, em poucos dias, documentação, acesso à internet e acompanhamento constante dos avisos oficiais. Em muitos casos, o resultado da Fuvest também define a decisão sobre outros vestibulares e matrículas em universidades privadas.

Fuvest, Enem-USP e a disputa por 11,1 mil vagas

A USP oferece, para o ingresso em 2026, 11.147 vagas em cursos de graduação. Desse total, 8.147 são preenchidas pelo vestibular tradicional da Fuvest. Outras 1.500 vagas regulares são reservadas ao Enem-USP, modalidade que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio como porta de entrada para a instituição.

Os resultados do Enem-USP são divulgados paralelamente aos da Fuvest, em consulta on-line. Na prática, isso concentra em um único dia a definição do futuro acadêmico de candidatos que apostam em mais de uma via de acesso à mesma universidade. Em muitos cursos, a nota do Enem pesa tanto quanto a prova específica da Fuvest no desenho do perfil das turmas.

A USP mantém ainda o Provão Paulista como terceira forma de ingresso. Somados, os três processos alimentam a mesma política de reserva de vagas: 50% das cadeiras de cada curso e turno são destinadas a egressos de escolas públicas. A regra vale para todas as formas de seleção e se tornou um dos pilares da estratégia de inclusão social da universidade.

A divisão de vagas por origem escolar muda o perfil das salas e pressiona a instituição a revisar práticas acadêmicas e de permanência estudantil. O vestibular deixa de ser apenas uma prova de conhecimento e passa a funcionar também como instrumento de política pública, voltado a reduzir desigualdades de acesso ao ensino superior de alta qualidade.

Redação redesenhada e disputa por equidade

O vestibular 2026 da Fuvest chega às listas de aprovados depois de uma mudança relevante na prova de redação. Pela primeira vez, os candidatos puderam escolher entre duas propostas de texto, elaboradas a partir de uma mesma coletânea. Uma das opções seguia o modelo dissertativo-argumentativo, mais tradicional. A outra exigia a produção de uma carta, gênero menos comum em exames desse porte.

Segundo Gustavo Monaco, diretor-executivo da Fuvest, a mudança vem acompanhada de um cuidado redobrado na correção. “Ter conseguido manter a equidade foi importante e estamos bastante tranquilos quanto a esse ponto”, afirma. A afirmação busca responder a dúvidas de estudantes e professores sobre eventuais vantagens de um formato em relação ao outro.

A abertura para dois gêneros amplia o leque de estratégias dos candidatos, mas também exige preparo mais diverso por parte das escolas. Em sala de aula, a mudança tende a deslocar o foco de modelos engessados de redação para o domínio mais amplo da argumentação e da adaptação da linguagem a diferentes contextos.

O redesenho da prova acompanha um movimento mais amplo de universidades públicas que revisam seus vestibulares para refletir mudanças sociais, currículos mais flexíveis no ensino médio e a entrada de públicos com trajetórias escolares marcadas por desigualdade. A equidade citada pela direção da Fuvest não se restringe à correção; ela se projeta sobre quem consegue, de fato, disputar uma vaga.

Impacto sobre estudantes e redes de ensino

A divulgação das listas da Fuvest e do Enem-USP encerra um ciclo de preparação que, para muitos estudantes, começa com anos de antecedência. A cada novo calendário, cursinhos, escolas públicas e privadas e famílias organizam rotinas, investimentos e expectativas em torno de uma prova que ainda simboliza, para grande parte do país, a principal porta de entrada para carreiras de alto prestígio.

Em colégios de periferia e no interior, a política de destinar metade das vagas a egressos da rede pública altera planos de vida. Jovens que antes descartavam a USP pela distância simbólica e material agora se veem, de fato, competindo por cadeiras em cursos como medicina, engenharia e direito. O efeito imediato aparece na ocupação das vagas; o impacto de longo prazo se traduz em maior diversidade social, racial e regional dentro da universidade.

O resultado da Fuvest também influencia o calendário de outras instituições. Universidades estaduais e particulares ajustam prazos de matrícula e oferta de bolsas de acordo com o fluxo de candidatos aprovados na USP. Quem conquista a vaga pública tende a desistir de processos seletivos pagos, liberando cadeiras e redefinindo projeções financeiras de faculdades privadas.

Nas redes sociais, a divulgação das listas vira termômetro do humor de uma geração. Histórias de superação, frustração e dúvida circulam em tempo real, muitas vezes antes mesmo de qualquer comunicado oficial detalhado. Essa pressão por informação rápida obriga Fuvest e USP a reforçar canais digitais e a adotar linguagem clara, sob o risco de alimentar boatos e confusões em um período sensível.

Chamadas seguintes e a disputa que continua

Quem não aparece na primeira chamada ainda não está fora do jogo. A Fuvest prevê a divulgação da segunda lista de aprovados em 3 de fevereiro e da terceira em 10 de fevereiro. Entre 19 e 20 de fevereiro, abre o prazo para manifestação de interesse na lista de espera, etapa decisiva para preencher vagas remanescentes em cursos e turnos menos óbvios para a primeira opção dos candidatos.

A dinâmica de chamadas sucessivas mantém a tensão até a véspera do início das aulas. Estudantes que se veem em dúvida entre aceitar uma vaga em curso menos desejado ou aguardar uma eventual convocação em carreira mais concorrida precisam tomar decisões rápidas, muitas vezes sem todas as informações sobre bolsas, moradia estudantil ou possibilidades de transferência futura.

O calendário de 2026 expõe de forma nítida o desafio central da USP e da Fuvest: equilibrar excelência acadêmica, inclusão social e previsibilidade para quem está do lado de fora dos muros da universidade. As próximas semanas dirão, na prática, quantos dos aprovados conseguirão transformar o nome na lista em presença efetiva na sala de aula.

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