Esportes

Torcida do Botafogo protesta com pichações contra dono Larry Textor

Torcedores do Botafogo amanhecem nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, com o muro do centro de treinamento pichado com ataques a Larry Textor. As frases escancaram a revolta com o proprietário do clube em meio à crise financeira e ao bloqueio para registrar reforços.

Muro vira painel do descontentamento

O CT do Botafogo, na zona oeste do Rio, desperta como cenário de protesto. Em letras pretas e vermelhas, mensagens contra Larry Textor cobrem parte do muro principal, visível da rua, em um trecho de quase 30 metros. A ação ocorre na madrugada desta sexta, poucas horas depois de novas notícias sobre dificuldades para quitar salários atrasados e acordos com credores.

Moradores relatam movimentação de pequenos grupos por volta das 2h. Motoristas que passam cedo pela região registram as frases e espalham as imagens pelas redes sociais. O tom é direto: cobrança por transparência, críticas à promessa de investimento e ataques à gestão do proprietário americano. Em uma das pichações, o recado resume o clima: “Texto, cumpra o que prometeu”. Em outra, a pressão é ainda mais dura: “Botafogo não é brinquedo de gringo”.

Crise financeira alimenta revolta

O protesto não nasce de um episódio isolado. O clube convive com uma combinação explosiva: dificuldades de caixa, aumento das dívidas de curto prazo e restrições impostas por um transfer ban, punição que impede o registro de novos jogadores por descumprimento de obrigações financeiras. Na prática, o Botafogo entra em janeiro sem conseguir inscrever reforços, enquanto rivais anunciam contratações em série para a temporada.

O clima se agrava nas últimas semanas. Parte dos salários de funcionários e jogadores sofre atrasos, premiações prometidas ainda não são quitadas, e fornecedores passam a cobrar publicamente o cumprimento de contratos. Em grupos de torcedores organizados, a paciência se esgota. A sensação é de quebra de confiança em relação ao projeto vendido desde a chegada de Textor, que assumiu o controle da SAF com promessas de aporte milionário, modernização da estrutura e elenco competitivo em nível nacional e internacional.

Da euforia da SAF ao desgaste atual

O início da era SAF traz expectativa de transformação rápida. O Botafogo volta a disputar títulos, aumenta a receita com bilheteria e amplia parcerias comerciais. A lua de mel, porém, perde força à medida que as contas se acumulam e decisões de gestão geram dúvidas. Torcedores reclamam de falta de clareza sobre investimentos prometidos, condições de empréstimos e prioridades de pagamento.

Especialistas em gestão esportiva ouvidos em outros momentos por veículos do setor já alertam para o risco de dependência excessiva de um único investidor. A situação do Botafogo, agora sob pressão, vira exemplo concreto desse alerta. Sem acesso pleno a crédito, travado no mercado de transferências e cobrado em diferentes instâncias da Justiça Desportiva, o clube vê o campo esportivo ser contaminado pela instabilidade fora das quatro linhas. A torcida identifica Larry Textor como principal responsável e leva essa leitura para o muro do CT.

Impacto em campo e fora dele

O ambiente no centro de treinamento, já afetado pela incerteza sobre reforços e pela insegurança quanto a pagamentos, ganha mais um elemento de tensão. Jogadores e comissão técnica chegam para treinar sob o olhar das frases de protesto, que circulam em portais, programas esportivos e perfis de influenciadores. Dirigentes avaliam internamente o impacto na imagem da SAF, sobretudo em um momento em que o clube tenta renegociar contratos de patrocínio e atrair novos parceiros.

Empresas que analisam investir no futebol costumam considerar não apenas números de audiência e exposição de marca, mas também a percepção de estabilidade institucional. O quadro que se forma ao redor do Botafogo, com protestos físicos no CT e campanhas digitais com hashtags contra Textor, tende a pesar nessa conta. A crise extrapola a relação entre arquibancada e diretoria e passa a afetar diretamente a capacidade de o clube gerar receita e planejar a temporada.

Torcida se organiza também nas redes

Grupos de torcedores ampliam a mobilização. Perfis com dezenas de milhares de seguidores convocam protestos para os próximos jogos e cobram explicações públicas do proprietário. A narrativa que ganha força é de que o Botafogo corre risco de retroceder anos caso não haja uma solução rápida para o transfer ban e para a reestruturação das dívidas.

Em mensagens que circulam nos grupos, a cobrança é clara: “Queremos transparência, números na mesa e um plano real de recuperação”, diz o texto atribuído a uma das principais torcidas organizadas. A pressão mira não só Textor, mas também executivos e conselheiros que participam das decisões estratégicas da SAF. Internamente, a preocupação é com o efeito em cascata: ambiente pesado, elenco inseguro, patrocinadores reticentes e um torcedor que se sente traído por promessas não cumpridas.

Próximos movimentos e incertezas

A diretoria é cobrada a se pronunciar ainda nesta sexta-feira. A expectativa entre conselheiros e aliados políticos é de que Larry Textor ou um porta-voz da SAF apresente prazos concretos para reduzir a dívida imediata, destravar o transfer ban e garantir regularidade nos pagamentos. Sem esse gesto, a tendência é de escalada dos protestos, com novas ações no CT, no estádio e em eventos públicos ligados ao clube.

O caso do Botafogo se insere em um debate maior sobre a sustentabilidade dos modelos de clube-empresa no país e o nível de responsabilidade que investidores estrangeiros precisam assumir. Enquanto essa discussão se intensifica, o muro pichado no CT funciona como termômetro visível de uma crise que ultrapassa resultados em campo. A pergunta que fica para os próximos dias é se a gestão será capaz de transformar esse painel de cobrança em ponto de virada ou se ele marcará apenas o início de um desgaste ainda mais profundo entre torcida e proprietário.

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