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Erro de Fagner ofusca estreia de Gerson e Cruzeiro cai para o Democrata-GV

O Cruzeiro perde por 1 a 0 para o Democrata-GV nesta quinta-feira (22), em Governador Valadares, e vê a estreia milionária de Gerson ser ofuscada por um erro defensivo. A falha de Fagner no segundo tempo decide a partida do Campeonato Mineiro e acende o alerta às vésperas do clássico com o Atlético-MG.

Estreia de Gerson esbarra em paredão e em falha fatal

Gerson entra em campo como símbolo de uma nova era celeste. Contratado por 30 milhões de euros junto ao Zenit, da Rússia, o meio-campista é apresentado como a maior negociação da história do futebol brasileiro. O cenário é ideal para um roteiro de afirmação: estádio lotado em Governador Valadares, time dominante, jogo transmitido em rede nacional. O desfecho, porém, vai na direção oposta.

O Cruzeiro se impõe desde o início. Empurra o Democrata-GV para o próprio campo, acumula escanteios, finaliza de toda a parte. O primeiro tempo termina com 13 cobranças de escanteio e a sensação de que o gol é apenas questão de tempo. A equipe de Tite circula a bola com paciência e fecha a noite com 81% de posse, 582 passes certos contra apenas 126 dos anfitriões. Os números, no entanto, não encontram eco no placar.

O protagonista silencioso do jogo veste a camisa do Democrata-GV. O goleiro Thulio começa a se destacar ainda antes do intervalo e cresce à medida que o Cruzeiro aperta. Defende cabeceios, chutes de média distância, cruzamentos venenosos. Na etapa final, brilha em finalização de bicicleta de Kaio Jorge e em chute forte de Gerson, que tenta assumir o papel de líder técnico e chamar a responsabilidade no último terço do campo.

O volume ofensivo cruzeirense não encontra recompensa. A equipe finaliza 29 vezes, mas esbarra na própria ansiedade e na atuação segura do sistema defensivo rival. O Democrata-GV, acuado, responde com organização atrás da linha da bola. São 76 rebatidas e 13 bloqueios, números que traduzem o esforço coletivo para suportar a pressão.

Falha individual muda o jogo e amplia pressão sobre o Cruzeiro

O roteiro muda aos 15 minutos do segundo tempo. Fagner, lateral experiente, ex-Corinthians, recebe a bola na direita de defesa, sem grande pressão. Tenta recuar para o goleiro reserva Otávio, que havia entrado no intervalo após a lesão de Cássio. O passe sai fraco, na direção da meia-lua, e transforma um lance simples em convite para o desastre.

Bryan lê a jogada antes dos defensores cruzeirenses. Arranca nas costas da zaga, invade a área e toca na saída de Otávio. A bola entra lenta, mas definitiva. O estádio explode, e o Democrata-GV abre 1 a 0 com seu único chute claro na etapa final. A falha de Fagner, somada à troca forçada no gol, desmonta o controle emocional do Cruzeiro.

Cássio, que começa a partida como titular, deixa o campo no intervalo com dores e aparece no banco com os dedos enfaixados. A imagem preocupa a comissão técnica às vésperas do clássico contra o Atlético-MG, marcado para domingo (25), às 18h, na Arena MRV. Um dirigente admite nos bastidores que a situação inspira cautela: “Vamos avaliar com calma, mas é óbvio que ficamos apreensivos às vésperas de um jogo desse tamanho”.

A partir do gol, o jogo se transforma em teste psicológico para um elenco ainda em formação. O Cruzeiro segue cercando a área rival, mas passa a errar decisões simples. Cruzamentos se acumulam, chutes saem tortos, e o relógio corre contra o time da capital. Thulio mantém a segurança e ganha ainda mais confiança com cada defesa. No banco, Tite cobra velocidade na circulação de bola e pede calma, enquanto Gerson tenta acelerar as jogadas por dentro.

O peso simbólico da derrota vai além dos três pontos. A equipe sofre seu segundo revés sob o comando de Tite e vê a vantagem na liderança do grupo diminuir. O Democrata-GV chega a 7 pontos e assume a segunda colocação da chave, atrás apenas da URT, com 8. O Cruzeiro estaciona em 6, ainda líder, mas agora com a margem reduzida e sob pressão extra para o clássico.

Clássico com o Galo ganha tensão extra e teste para Gerson

A noite em Governador Valadares transforma o próximo compromisso em prova de maturidade. O Cruzeiro chega ao duelo com o Atlético-MG pressionado por resultado, com dúvidas no gol e com a defesa exposta por um erro individual. O episódio com Fagner alimenta debates sobre a segurança do sistema defensivo, ponto que Tite vinha tratando como prioridade desde a pré-temporada.

Gerson sente na estreia a face mais dura da expectativa. O jogador mais caro já negociado por um clube brasileiro participa da construção, aparece para o jogo, finaliza, mas sai de campo sem vitória, sem gol e com a sensação de que precisará responder já no clássico. A partida contra o Atlético-MG tende a ser o primeiro grande julgamento público de sua contratação.

O Democrata-GV vive o extremo oposto. Com apenas 19% de posse de bola, o time aproveita ao máximo o erro rival e converte disciplina tática em resultado. A vitória por 1 a 0 diante de um gigante nacional injeta confiança e reposiciona o clube na disputa por vaga na fase decisiva do Campeonato Mineiro. A atuação de Thulio ganha status de referência para o elenco, que encara a sequência do estadual com outro peso.

No Cruzeiro, a comissão técnica se fecha para avaliar danos e caminhos de reação. O departamento médico corre para definir a real situação de Cássio e estabelecer prazo para retorno. A análise de desempenho se debruça sobre o volume de finalizações e a baixa eficiência ofensiva, enquanto a psicologia do elenco passa a ser tão importante quanto o ajuste tático.

O clássico de domingo surge como divisor de águas precoce na temporada. Uma vitória pode aliviar a pressão, recolocar Gerson e o projeto milionário nos trilhos e reduzir o impacto da noite em Governador Valadares. Um novo tropeço, com ou sem Cássio, tende a ampliar as dúvidas sobre o equilíbrio defensivo e a capacidade do Cruzeiro de transformar domínio em resultado em 2026.

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