Gabigol marca no fim, e Santos arranca empate com o Corinthians
Santos e Corinthians empatam por 1 a 1 na Vila Belmiro, na noite desta quinta-feira (22), pela 4ª rodada do Campeonato Paulista. Yuri Alberto abre o placar após perder pênalti, e Gabigol arranca o empate em falta nos acréscimos, diante de 13.693 torcedores.
Clássico tenso, redenção e empate no limite
O clima de clássico aparece desde os primeiros minutos em Santos. O time da casa tenta pressionar, ocupa o campo ofensivo e chega a balançar a rede aos 8 minutos, com Gabriel Barbosa, mas o assistente aponta impedimento e o gol é anulado. A Vila reage com um misto de frustração e confiança de que o ídolo, de volta ao time titular, ainda vai decidir.
O Corinthians responde com mais controle de bola e eficiência nas transições. Aos 10 minutos, Yuri Alberto arranca do campo de defesa, passa pela zaga santista e sofre pênalti de Zé Ivaldo. Na cobrança, desloca Gabriel Brazão, mas exagera na medida e manda para fora. A explosão de alívio nas arquibancadas vira provocação. O camisa 9, revelado pelo Santos, escuta vaias a cada toque na bola.
O ressentimento dura pouco. Aos 16 minutos, o Corinthians insiste pelo lado direito e empurra o Santos para dentro da própria área. Yuri finaliza primeiro, Brazão defende. No rebote, Matheus Bidu bate forte e o goleiro salva de novo. No terceiro chute, Yuri completa para o gol e abre o placar. A comemoração é tensa: o atacante provoca, a torcida responde, e o clássico esquenta de vez.
Os números reforçam a sina do Peixe com o antigo cria. Em dez jogos contra o Santos, Yuri marca sete vezes. O comportamento da arquibancada muda. As vaias se dividem entre o centroavante corintiano e Zé Ivaldo, que falha no pênalti e participa mal da jogada do gol. O Santos se desorganiza, e o Corinthians domina a partida até o intervalo.
O time de Dorival Júnior controla a bola, adianta a marcação e ainda cria boas chances. Gustavo Henrique testa para fora em cobrança de escanteio. Matheuzinho se projeta com liberdade pela direita e cruza com perigo. A melhor oportunidade surge após dura falta de Igor Vinícius em André, que rende apenas cartão amarelo ao lateral santista. Na cobrança, Matheuzinho chuta por cima, para alívio de Brazão.
O Santos tenta reagir com Rollheiser, Gabigol e Barreal, mas encontra um Corinthians compacto, bem protegido por Raniele e Breno Bidon no meio-campo. As tentativas aparecem em chutes de média distância e cruzamentos, quase sempre neutralizados. A ponto de Gabriel Brazão avançar até o meio-campo para orientar o time, em cena que expõe a desorganização ofensiva do Peixe.
Pressão nas arquibancadas e 14 cartões em noite nervosa
O segundo tempo começa com o mesmo roteiro: Corinthians mais seguro, Santos travado e impaciente. A cada passe errado, as vaias crescem na Vila. As substituições de Juan Pablo Vojvoda, como a entrada de Lautaro Díaz na vaga de Thaciano, também viram alvo de protestos. A temperatura sobe nas arquibancadas e se reflete à beira do campo.
Vojvoda recebe o primeiro cartão amarelo desde que assume o Santos, em discussão com a arbitragem comandada por Lucas Canetto Bellote. Do outro lado, Dorival Júnior também é advertido após pedir revisão no vídeo por entrada dura de Barreal em Matheuzinho. O clássico soma 14 cartões amarelos, distribuídos entre jogadores e treinadores, e se torna mais truncado que jogado.
O Corinthians ainda encontra espaço para ameaçar o segundo gol. Rodrigo Garro entra no lugar de Carrillo e dá cadência ao meio-campo. Raniele arrisca de fora, e Matheus Bidu quase amplia em chute de esquerda, que obriga Brazão a espalmar para escanteio. A sensação, àquela altura, é de que o Timão administra o resultado e se aproxima de uma vitória madura fora de casa.
O Santos, empurrado mais pela urgência do que pela organização, acumula atacantes em campo. Miguelito e Robinho Jr. se juntam a Gabigol, Barreal e Lautaro Díaz. O time passa a rondar a área corintiana na base das bolas paradas e cruzamentos. As organizadas mantêm os protestos, com gritos que pedem “mais honra à camisa”, enquanto o relógio se aproxima dos 50 minutos.
O lance decisivo surge já aos 48 minutos do segundo tempo, em falta na entrada da área. Gabigol ajeita a bola com calma, encara o goleiro Hugo Souza e escolhe a batida rasteira. A bola passa por baixo do arqueiro, quica no gramado e entra. O erro do goleiro corintiano transforma vaias em gritos de alívio. A Vila explode em festa, e o atacante é cercado pelos companheiros.
O gol recoloca Gabigol no centro da narrativa santista. Depois de semanas sob questionamento, o camisa 10 volta ao time titular e decide um clássico em casa. A atuação ainda oscila, com impedimentos e finalizações bloqueadas, mas o chute final pesa. Para boa parte da torcida, ele reafirma a condição de protagonista em jogos grandes.
Empate mantém equilíbrio no Paulista e aumenta pressão
O 1 a 1 mantém Santos e Corinthians em posições próximas na tabela do Campeonato Paulista e prolonga o clima de equilíbrio entre os rivais. A renda da partida, de R$ 928.598,57, confirma o peso financeiro do clássico, mesmo com público aquém da capacidade máxima da Vila Belmiro. O resultado, porém, tem leituras distintas nos dois vestiários.
O Santos celebra o empate como alívio e ponto de virada emocional. O time de Vojvoda evita a segunda derrota em casa e ganha fôlego num ambiente tenso, marcado por vaias e cobranças constantes. O gesto dos jogadores, que permanecem em campo após o apito final para aplaudir os torcedores, busca reconstruir a relação com a arquibancada e sinaliza união em meio à turbulência.
O Corinthians deixa o gramado abatido. O elenco sabe que deixa escapar dois pontos nos acréscimos, depois de comandar o jogo por boa parte dos 90 minutos. A atuação de Matheus Pereira como titular, a estreia na temporada de Garro após cirurgia no punho esquerdo e a segurança da dupla de zaga indicam caminhos promissores, mas a falha de Hugo Souza na reta final pesa na avaliação geral.
Yuri Alberto vive noite de protagonista complexo. Perde pênalti, suporta vaias, provoca a torcida e marca o gol corintiano. Contra o ex-clube, mantém média alta de desempenho, com sete gols em dez jogos. O desempenho técnico agrada a comissão de Dorival, mas o tom das provocações alimenta a rivalidade e deve seguir em pauta nos próximos encontros.
O empate também interfere na gestão de elenco dos dois lados. Vojvoda ganha argumento para manter Gabigol como referência ofensiva, agora com gol decisivo em clássico. Dorival tende a reforçar a disputa no gol após o erro de Hugo, enquanto observa a evolução de jovens como André, de 19 anos, que soma minutos importantes em um cenário de pressão.
Próximos capítulos da rivalidade e disputa no Estadual
O Paulistão segue com rodada cheia no fim de semana, e Santos e Corinthians voltam a campo já sob o impacto deste empate dramático. O Peixe tenta transformar o gol de Gabigol em ponto de virada na temporada, com a expectativa de um time mais organizado e menos refém das bolas paradas. A diretoria acompanha de perto o ambiente nas arquibancadas, atenta ao tom dos protestos.
O Corinthians ajusta rota com a sensação de que tinha a vitória nas mãos. Dorival analisa a gestão física de titulares, como Yuri e Matheuzinho, e o encaixe de reforços recentes, caso de Matheus Pereira. O objetivo imediato é consolidar desempenho e pontuação para chegar ao mata-mata do Paulista em posição de força.
O clássico na Vila deixa uma certeza em comum: a rivalidade entre Santos e Corinthians segue intacta, alimentada por gestos, falhas individuais e gols que mudam jogos nos últimos segundos. A próxima vez em que se encontrarem, com a lembrança da falta de Gabigol e da frustração corintiana ainda fresca, a pergunta será quem aprende mais com a noite em que ninguém sai plenamente satisfeito.
