Ciencia e Tecnologia

Battlefield 6 lidera vendas nos EUA em 2025 e desbanca Call of Duty

Battlefield 6 é o jogo mais vendido nos Estados Unidos em 2025, segundo relatório final da Circana divulgado em janeiro de 2026. O título da Electronic Arts supera a franquia Call of Duty, rival histórica no mercado de tiro em primeira pessoa.

Virada em um mercado dominado por Call of Duty

O levantamento, assinado pelo diretor executivo Mat Piscatella, confirma um resultado que até pouco tempo atrás soa improvável. Em um mercado há anos dominado por Call of Duty, Battlefield 6 assume o topo do ranking anual de vendas no maior mercado de games do mundo. A vitória ocorre em um ano de competição intensa, com lançamentos de peso e um consumidor mais seletivo diante de preços em alta.

A conquista tem peso simbólico e econômico. Battlefield vive uma relação irregular com o público desde meados da década passada, alternando lançamentos elogiados e estreias problemáticas. Em 2025, a estratégia da EA e da Battlefield Studios se concentra em entregar um jogo tecnicamente sólido no lançamento, com campanha de marketing mais contida e foco na recepção da comunidade. O resultado aparece nos gráficos de vendas do ano inteiro, não apenas em um pico de estreia.

Disputa ponto a ponto no ranking anual

O relatório da Circana mostra que Battlefield 6 fecha 2025 à frente de NBA 2K26, que ocupa a segunda posição, e de Borderlands 4, em terceiro lugar, mesmo com os problemas técnicos que marcam seu lançamento. Monster Hunter Wilds aparece em quarto, consolidando a força da marca no Ocidente. Call of Duty: Black Ops 7 surge apenas em quinto no acumulado do ano, ainda que lidere as vendas de dezembro.

Os dados reforçam que a disputa não se limita ao tiro em primeira pessoa. O top 5 mistura um shooter militar, um simulador de basquete, um RPG de ação em mundo compartilhado e um jogo de caça a monstros. A lista sinaliza um público disposto a alternar entre gêneros, mas ainda muito concentrado em franquias conhecidas. Em meio a essas marcas consolidadas, Battlefield 6 quebra a lógica recente de liderança quase automática de Call of Duty nos relatórios anuais do mercado americano.

Entre os dez mais vendidos, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é, ao lado de Monster Hunter Wilds, um dos poucos títulos fora da rota de tiro ou esporte anual a furar o bloqueio. Ghost of Yotei, nova aposta da Sucker Punch, fica em 11º lugar e confirma boa recepção crítica e comercial. O veterano Grand Theft Auto V, lançado originalmente em 2013, permanece no radar ao fechar o ano na 20ª posição, um indicativo de fôlego raro para um jogo de console e PC.

Crescimento modesto, preços altos e disputa por atenção

O desempenho de Battlefield 6 acontece em um cenário de expansão moderada. O mercado americano de games movimenta US$ 60,7 bilhões em 2025, alta de 1,4% em relação ao ano anterior. O avanço vem sobretudo de jogos para celular, venda de hardware e serviços de assinatura, e não da simples venda de jogos completos. Piscatella ressalta, no relatório, que esse crescimento não significa necessariamente mais jogadores, mas uma conta mais cara para quem já está dentro do ecossistema.

Os aumentos de preço de jogos AAA, que chegam à faixa de US$ 70 nos lançamentos, e os reajustes em assinaturas de serviços como passes mensais e anuais pressionam o consumidor. Em um ambiente de gasto mais calculado, um jogo que erra no lançamento pode não ter segunda chance. Battlefield 6 se beneficia justamente do movimento inverso: estabilidade técnica, boas avaliações no boca a boca e atualizações constantes ajudam a manter o interesse ao longo de 2025, reduzindo a fuga de jogadores para concorrentes diretos.

A performance também fortalece a posição da EA em um segmento onde a Activision tradicionalmente dita o ritmo. Ao assumir a dianteira nos Estados Unidos, a empresa mostra que ainda consegue disputar o centro da conversa em shooters competitivos, área que concentra audiências em plataformas de streaming e competições de esportes eletrônicos. O título amplia a base ativa de jogadores e, com isso, a receita recorrente com itens cosméticos e passes de temporada.

Pressão sobre a concorrência e próximos capítulos

O resultado de 2025 tende a provocar ajustes estratégicos nos principais estúdios. A Activision, dona de Call of Duty, convive agora com um rival que prova ser capaz de quebrar uma sequência de supremacia anual no maior mercado de consoles e PC. A tendência é que os próximos capítulos da franquia apostem em mudanças mais visíveis, seja na campanha, no multiplayer ou na política de conteúdo pós-lançamento, para recuperar o topo do ranking.

Para a EA e a Battlefield Studios, o desafio muda de natureza. Depois de reconquistar terreno, a preocupação passa a ser sustentar o padrão de qualidade e de serviços em torno de Battlefield 6, evitando quedas bruscas na experiência online. A base instalada de jogadores, atraída por um produto mais estável em 2025, espera novos mapas, modos competitivos ajustados e um calendário claro de atualizações. A forma como a empresa responde a essas expectativas ajuda a definir se o desempenho recorde de 2025 inaugura uma nova fase da franquia ou permanece como ponto fora da curva.

O comportamento do mercado em 2026 também entra na conta. Com a combinação de preços em alta, assinaturas mais caras e um consumidor saturado de lançamentos anuais, cresce a pressão por jogos que entregam mais conteúdo e mais tempo de uso. Battlefield 6 abre o ano seguinte como referência de virada em um gênero consolidado, mas precisa provar que consegue manter fôlego em um ambiente em que a lealdade do jogador é, cada vez mais, uma conquista diária.

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