Deslizamento soterra acampamento na Nova Zelândia e deixa desaparecidos
Um deslizamento de terra atinge, nesta quinta-feira (22/1), um acampamento aos pés do Monte Maunganui, no norte da Nova Zelândia. Trailers e a área de chuveiros são soterrados pela lama após fortes chuvas, e várias pessoas seguem desaparecidas sob os escombros.
Resgate sob risco em terreno instável
A tranquilidade do acampamento na Ilha Norte se desfaz em minutos quando a encosta cede e uma massa de terra, pedras e árvores desaba sobre a área ocupada por trailers e instalações de banho. Imagens divulgadas pela imprensa local mostram o setor de chuveiros completamente tomado por lama espessa, com estruturas retorcidas e veículos parcialmente enterrados.
Equipes de emergência chegam pouco depois e ainda encontram sinais de vida sob os destroços. “Os serviços de emergência disseram ter ouvido vozes sob os escombros”, informam as autoridades locais, descrevendo um cenário de buscas feitas inicialmente às pressas, com as próprias pessoas no local tentando cavar com as mãos e ferramentas improvisadas.
A operação, porém, esbarra na instabilidade do terreno, encharcado por dias de chuva intensa que castigam o norte do país em pleno verão do Hemisfério Sul. O delegado-adjunto de polícia Tim Anderson afirma que, enquanto houver chance de sobreviventes, o trabalho segue com caráter de resgate, não de recuperação de corpos. “Enquanto o solo continuar se movendo, eles estarão em missão de resgate”, diz o policial a repórteres. Ele evita cravar um número de desaparecidos. “Não posso dar números. O que posso dizer é que é um número pequeno”, afirma.
Antes da chegada dos bombeiros, campistas relatam gritos e pedidos de socorro vindos da área soterrada, o que ajuda a orientar as primeiras buscas. O comandante do Corpo de Bombeiros, William Pike, confirma que os profissionais também escutam vozes. “Nossa primeira equipe de bombeiros chegou e também ouviu”, relata, reforçando a urgência de avançar sobre a lama apesar do risco evidente de novos movimentos de terra.
Chuvas extremas expõem vulnerabilidade do acampamento
O deslizamento atinge uma área turística conhecida, aos pés do vulcão extinto Monte Maunganui. O local recebe, todos os verões, famílias em trailers e motorhomes, atraídas por trilhas, praias e pela vista do antigo cone vulcânico. A combinação de encostas íngremes, solo saturado e ocupação intensa amplia o impacto do episódio.
Nas últimas semanas, a Ilha Norte enfrenta sucessivas frentes de chuva forte, com acumulados elevados em poucas horas. Esse tipo de precipitação intensa aumenta a pressão sobre encostas e taludes, sobretudo em áreas onde o solo já está fragilizado por intervenções humanas, como abertura de trilhas, estradas de acesso e áreas de camping, ou pela simples retirada da vegetação nativa.
No acampamento atingido, a lama alcança diretamente a fileira de trailers e os banheiros coletivos, estruturas consideradas essenciais para o funcionamento do espaço. A destruição parcial dessas instalações paralisa a rotina do local e provoca corrida por abrigo seguro. Campistas são orientados a deixar o perímetro atingido e se deslocar para áreas mais altas, longe da encosta, enquanto engenheiros avaliam o risco imediato de novos deslizamentos.
Para a comunidade da região, o desastre funciona como um alerta sobre a exposição a eventos extremos, que tendem a se tornar mais frequentes e intensos em um cenário de aquecimento global. A Nova Zelândia já registra, nos últimos anos, temporais e inundações consideradas históricas, que pressionam governos locais a revisar planos de uso do solo, sistemas de drenagem e regras de construção em áreas sujeitas a deslizamentos e enchentes.
Especialistas ouvidos pela imprensa neozelandesa lembram que terrenos próximos a encostas, mesmo em áreas turísticas consolidadas, exigem monitoramento constante em períodos de chuva. O episódio de 22 de janeiro reforça essa percepção ao atingir justamente uma área formal de camping, com infraestrutura permanente, e não uma ocupação irregular ou improvisada.
Suspensão das buscas e expectativa por respostas
Com o solo ainda se movendo e as chuvas persistindo sobre a região, as equipes de resgate tomam uma decisão difícil: suspender temporariamente parte das operações de busca. A área mais instável é evacuada para proteger bombeiros, policiais e moradores que seguem no entorno. A pausa, que pode se estender por horas, aumenta a angústia de familiares e amigos das pessoas dadas como desaparecidas.
As autoridades trabalham com a perspectiva de retomar as buscas assim que engenheiros geotécnicos considerarem o local minimamente seguro. Técnicos avaliam a possibilidade de instalar sensores de movimento de solo e barreiras temporárias para reduzir o risco de novos escorregamentos durante a ação. Enquanto isso, policiais isolam a região e orientam curiosos e voluntários a se manterem afastados.
No curto prazo, o impacto recai sobre quem perde parentes, amigos, veículos e o próprio senso de segurança em um espaço de lazer tradicional. No médio prazo, a tragédia pressiona administradores locais e o governo neozelandês a revisar protocolos de fechamento preventivo de áreas de camping em dias de chuva extrema, além de reforçar sistemas de alerta antecipado para deslizamentos.
Autoridades ainda não divulgam um balanço consolidado de vítimas, o que mantém em aberto uma das principais perguntas deste episódio: quantas pessoas estão sob a lama. A resposta depende da estabilização do terreno e da retomada das buscas em plena capacidade. Até lá, o Monte Maunganui, símbolo de paisagem e descanso para muitos neozelandeses, se transforma em cenário de incerteza e de espera por notícias concretas.
