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Fluminense desfalca Lelê e Keno na estreia do Carioca em meio a negociações

O Fluminense entra em campo desfalcado na estreia do Campeonato Carioca de 2026. Lelê e Keno ficam fora do duelo contra o Nova Iguaçu, nesta sexta-feira (23), por estarem em negociação com outros clubes.

Fluminense decide segurar dupla em meio à janela agitada

A opção de não relacionar os dois atacantes parte da diretoria tricolor, que prefere evitar riscos enquanto discute possíveis saídas. A situação de Keno é a mais avançada: o Vitória manifesta interesse em um empréstimo ainda para o primeiro semestre, e as conversas correm desde o início da semana, em reuniões no Rio de Janeiro.

Lelê também entra no radar de outros clubes brasileiros, que sondam valores e condições de negócio. As partes tratam os diálogos como “em andamento” e evitam cravar desfechos antes da estreia. O resultado é imediato no campo: o técnico do Fluminense precisa remontar o ataque às vésperas do jogo que abre o ano para o atual campeão brasileiro.

Estreia decisiva com elenco em transição

O calendário aperta o clube. A estreia no Carioca, contra o Nova Iguaçu, ganha peso extra porque marca o primeiro teste oficial de 2026, ano em que o Fluminense volta a mirar títulos nacionais e protagonismo na Libertadores. Lelê e Keno participam de forma importante na rotação ofensiva desde 2023, com gols decisivos em jogos de mata-mata e no próprio estadual.

Em 2025, a dupla soma participação direta em mais de 20 gols, entre bolas na rede e assistências, segundo números internos do clube. A ausência repentina muda o desenho ofensivo e empurra para a titularidade jogadores que, até aqui, atuam poucos minutos. A comissão técnica passa a semana testando formações, com ao menos duas mudanças no setor de ataque em relação à base de 2025.

A decisão de preservar Keno e Lelê também expõe um dilema recorrente no futebol brasileiro: priorizar a saúde financeira durante a janela de transferências ou manter força máxima desde o primeiro jogo. Ao retirar os atletas da partida, o Fluminense evita lesões que possam travar um possível empréstimo ou venda, mas assume o risco esportivo de começar o estadual sem duas peças experientes.

Impacto esportivo e pressão sobre a diretoria

O duelo com o Nova Iguaçu não vale apenas três pontos. A partida serve como termômetro da relação entre arquibancada e diretoria depois de um fim de ano intenso, com títulos, saídas e chegada de reforços. A opção de deixar Keno e Lelê fora do jogo, mesmo sem acordo fechado, tende a alimentar debates sobre o planejamento tricolor para 2026.

Nos bastidores, dirigentes defendem cautela. A avaliação é que um empréstimo de Keno para o Vitória, com contrato até dezembro e opção de compra, pode aliviar a folha salarial e abrir espaço para reforços pontuais em posições consideradas carentes. A mesma lógica vale para Lelê: uma transferência bem conduzida ajudaria a equilibrar o orçamento em ano de calendário cheio, que inclui pelo menos três competições de alto nível.

Torcedores cobram transparência e rapidez. A indefinição prolongada, com negociações em aberto e jogadores afastados de jogos, costuma desgastar a confiança no comando do futebol. Cada dia de espera sem confirmação encerra a preparação com uma dúvida a mais: a diretoria realmente conseguirá repor a saída de dois atacantes em plena construção da temporada?

Próximos passos na janela e no campo

As conversas com o Vitória e com outros interessados devem avançar nos próximos dias, quando representantes dos clubes voltam a se reunir para discutir valores e duração de contratos. O cenário mais provável, hoje, é a definição do futuro de Keno ainda em janeiro, para que o atacante se apresente a um novo elenco antes do fim do mês e tenha tempo mínimo de adaptação.

O Fluminense trabalha com um prazo curto. Internamente, a diretoria quer ter o desenho do elenco de 2026 praticamente fechado até a primeira quinzena de fevereiro, quando a sequência do Carioca ganha jogos mais duros e o planejamento para competições nacionais entra em fase decisiva. A atuação contra o Nova Iguaçu, sem Lelê e Keno, funciona como ensaio forçado de um Fluminense possível para o restante da temporada.

O que o time apresentar em campo, com um ataque remodelado às pressas, deve influenciar o tom da cobrança sobre dirigentes e comissão técnica. Se o resultado convencer, a torcida tende a aceitar melhor as saídas e a aposta em novos nomes. Se o desempenho decepcionar, a ausência de Lelê e Keno deixará de ser apenas episódio da janela de transferências e passará a simbolizar uma pergunta central: o Fluminense de 2026 vai conseguir manter o nível competitivo sem duas de suas peças mais usadas nos últimos anos?

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