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Gabigol marca no fim, Santos empata com Corinthians na Vila em jogo tenso

Santos e Corinthians empatam por 1 a 1 na Vila Belmiro, nesta quinta-feira (22), pelo Campeonato Paulista. Yuri Alberto marca, perde pênalti e vira protagonista. Gabigol aproveita falha de Hugo Souza nos acréscimos e salva o Peixe diante da torcida.

Clássico quente, domínio corintiano e castigo no fim

O clássico começa acelerado, com 15 minutos que concentram o roteiro de uma noite nervosa em Santos. Aos 12, Yuri Alberto deixa a zaga para trás, invade a área e é derrubado por Zé Ivaldo. O árbitro Lucas Canetto Bellote aponta o pênalti, sob forte reclamação dos santistas.

O centroavante do Corinthians pega a bola, encara Gabriel Brazão e manda para fora, à esquerda do gol. Dois minutos depois, o mesmo camisa 9 se recusa a sair de cena. Matheus Bidu chuta forte da esquerda, Brazão solta rebote no meio da área e Yuri domina com calma, corta para a perna esquerda e finaliza no contrapé do goleiro, abrindo o placar aos 14 minutos.

O gol consolida o controle corintiano na primeira etapa. Dorival Júnior incha o meio-campo com cinco jogadores, adianta as linhas e prende o Santos no próprio campo. As inversões constantes entre Matheuzinho, pela direita, e Bidu, pela esquerda, empurram o Peixe para trás, enquanto Yuri Alberto vence a maioria dos duelos com os zagueiros.

A pressão é territorial, não numérica no placar. O Corinthians ronda a área, mas esbarra em finalizações travadas e cruzamentos interceptados. O Santos quase não ameaça Hugo Souza e vai para o intervalo em desvantagem por 1 a 0, sustentado mais pela falta de precisão do rival que pela própria organização defensiva.

O segundo tempo muda de tom. A bola rola menos e as faltas multiplicam o clima de irritação em campo. Em pouco mais de 15 minutos, Bellote distribui sete cartões amarelos: quatro para jogadores do Santos, três para atletas do Corinthians. Os dois técnicos também recebem advertência, sintoma da pressão em um início de temporada que não permite respirar.

O Corinthians ainda encontra o primeiro lance de perigo da etapa final. Raniele avança pela esquerda, a bola sobra para Yuri Alberto, que entra na área e cruza rasteiro. A bola atravessa a pequena área sem desvio. Em seguida, André arrisca de fora, mas facilita a defesa de Brazão.

O Santos desperta a partir daí. O time acerta o posicionamento, adianta os pontas e encurrala o Corinthians em uma sequência de três escanteios. Nas duas melhores chances, a bola sobra para Gabigol dentro da área. Na primeira, o chute trava em Yuri Alberto, já recuado para ajudar a defesa. Na segunda, o atacante manda para fora, diante do suspiro aliviado da defesa alvinegra.

Gol polêmico, falha de Hugo e tabela embolada

O Corinthians volta a respirar no ataque apenas aos 42 minutos. Gustavo Henrique faz lançamento longo, Bidu invade a área pela esquerda e bate forte. Brazão defende em dois tempos e mantém o Santos vivo na partida que parece caminhar para um 1 a 0 corintiano sem sustos finais.

Os acréscimos reescrevem o roteiro. Já nos minutos finais, Gustavo Henrique disputa bola na entrada da área com o ataque santista. Bellote marca falta para o Santos, em lance imediatamente cercado por jogadores corintianos. A reclamação é intensa, e a marcação alimenta o debate nas redes sociais sobre o critério da arbitragem.

Gabigol coloca a bola na marca, ajeita com cuidado e encara a barreira. O relógio passa dos 45 minutos quando o camisa 10 bate forte, à meia altura. A bola sai em direção ao canto de Hugo Souza, que se posiciona, cai atrasado e deixa a bola passar. O empate por 1 a 1 nasce tanto da precisão de Gabigol quanto da falha evidente do goleiro corintiano.

O lance finaliza uma noite em que os protagonistas se alternam. Yuri Alberto deixa o gramado com um pênalti perdido, um gol marcado e participação defensiva decisiva. Gabigol, discreto por boa parte do jogo, aparece com o chute que define o placar e transforma vaia em alívio na arquibancada.

O resultado mantém o equilíbrio entre os rivais também na tabela. Com o empate, Santos e Corinthians chegam aos mesmos 5 pontos no Campeonato Paulista. O Corinthians assume a 8ª posição, enquanto o Santos aparece logo atrás, em 9º, separados apenas pelos critérios de desempate.

A divisão dos pontos impede que qualquer um dos dois se aproxime com força da parte de cima da classificação neste início de temporada. Ao mesmo tempo, afasta um prejuízo maior para o Corinthians, que segura o rival direto fora de casa, e para o Santos, que evita a primeira derrota em casa no estadual graças ao gol nos acréscimos.

Pressão crescente e próximos desafios no Paulistão

O clássico na Vila Belmiro reforça a leitura de um Campeonato Paulista mais nivelado em 2026. A noite expõe as virtudes e fragilidades de dois clubes em reconstrução, sob a expectativa de reação imediata após um 2025 irregular. A atuação de Yuri Alberto anima o Corinthians, enquanto a dependência de lampejos de Gabigol acende o alerta no Santos.

Os próximos jogos carregam peso extra. Pela quinta rodada, o Santos volta a campo no domingo (25), às 16h (de Brasília), na Vila Belmiro, contra o Red Bull Bragantino. O duelo em casa vira teste para saber se o empate dramático diante do Corinthians funciona como ponto de virada ou apenas como alívio momentâneo.

O Corinthians encara sequência fora de São Paulo. No mesmo domingo, às 20h30, o time de Dorival Júnior visita o Velo Clube, no estádio Benito Agnelo Castellano, em Rio Claro. A equipe leva na bagagem a sensação de que deixa escapar dois pontos na Vila, mas também a certeza de que volta a competir em alto nível em um dos estádios mais hostis do estado.

O Paulistão ainda vive a sua quinta rodada, mas o ritmo de cobrança já é de meio de temporada. Cada lance como a falta marcada sobre Gustavo Henrique, cada falha como a de Hugo Souza, entra na conta que dirigentes, torcedores e técnicos fazem quando projetam o resto do ano. A resposta de Santos e Corinthians a esse empate, dentro e fora de campo, ajuda a explicar até onde cada um pode ir em 2026.

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