Nasa marca para 2026 primeiro voo tripulado do programa Artemis
A Nasa programa para a janela de 6 a 11 de fevereiro de 2026 o lançamento da Artemis II, primeiro voo tripulado do novo programa lunar. A missão leva quatro astronautas a uma viagem de cerca de dez dias ao redor da Lua, sem pouso, para testar a espaçonave Orion em condições reais de espaço profundo.
Foguete segue para a plataforma e programa entra em reta final
No Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o foguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion já deixam o edifício de montagem em direção à plataforma 39B. O deslocamento marca a reta final de preparação para o voo que pretende recolocar humanos nas imediações da Lua pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972. As primeiras oportunidades de lançamento anunciadas pela agência vão de 6 a 11 de fevereiro de 2026.
A bordo estarão três astronautas da Nasa — Reid Wiseman, comandante; Victor Glover, piloto; e Christina Koch, especialista de missão — e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. O grupo forma a tripulação encarregada de validar, em voo tripulado, cada sistema crítico da Orion antes de o programa avançar para pousos na superfície lunar. “Os astronautas em seu primeiro voo a bordo da espaçonave Orion da Nasa confirmarão que todos os sistemas da espaçonave operam conforme projetado, com a tripulação a bordo no ambiente real do espaço profundo”, afirma a agência em nota oficial.
Missão de teste evita pouso e reduz risco
A Artemis II nasce com uma função clara: provar que a Orion está pronta para missões mais longas e ambiciosas. O voo não prevê pouso na Lua porque o veículo não inclui um módulo de descida, nem foi desenhado para isso. “A resposta curta é porque não tem capacidade para isso. Não se trata de um módulo de pouso lunar”, diz Patty Casas Horn, vice-líder de Análise de Missões e Avaliações Integradas da Nasa, em entrevista à CNN.
Horn destaca que a estratégia segue uma lógica consolidada na história da agência, que fragmenta objetivos em etapas para reduzir riscos. “Ao longo da história da Nasa, tudo o que fazemos envolve um certo risco, e por isso queremos garantir que esse risco faça sentido e aceitar apenas o risco necessário, dentro de limites razoáveis”, afirma. “Desenvolvemos uma capacidade, testamos, desenvolvemos outra capacidade e testamos novamente. E chegaremos a pousar na Lua, mas o programa Artemis II é realmente sobre a tripulação”, completa.
Na prática, a Orion e o estágio superior do SLS completam dois giros ao redor da Terra logo após a decolagem, ainda “perto de casa”, como descreve a Nasa. A fase inicial serve para checar sistemas de navegação, controle, energia e suporte à vida ainda a uma distância relativamente segura, permitindo correções rápidas em caso de anomalia. Confirmado o desempenho, a missão segue para uma trajetória de retorno livre em direção à Lua.
Nesse perfil de voo, a cápsula usa a combinação dos campos gravitacionais da Terra e da Lua para ir e voltar sem grandes manobras de propulsão. É um caminho pensado para consumir menos combustível e aumentar a previsibilidade do retorno. A Nasa calcula que a tripulação viaje cerca de 4.700 milhas, o equivalente a 7.562 quilômetros, além do lado oculto da Lua, antes de iniciar o caminho de volta.
Impacto científico, político e simbólico do voo
Mesmo sem pouso, a Artemis II assume papel central no esforço de retomada da presença humana no satélite natural. A missão vai testar, pela primeira vez com pessoas a bordo, os sistemas de suporte à vida que precisam funcionar de maneira contínua e redundante em ambiente de radiação mais intensa e maior distância da Terra do que na órbita baixa ocupada pela Estação Espacial Internacional. “Esta missão provará que os sistemas essenciais de suporte à vida da Orion estão prontos para sustentar nossos astronautas em missões de maior duração à frente e permitirá que a tripulação pratique operações essenciais para o sucesso da Artemis III e além”, diz a Nasa.
O desempenho da cápsula, da navegação e das comunicações, somado ao treinamento da tripulação, define o grau de segurança das próximas etapas do programa. Um voo bem-sucedido reduz incertezas técnicas e políticas sobre o investimento bilionário na arquitetura Artemis, que prevê pousos na Lua, eventual uso de recursos locais e, no longo prazo, apoio a missões rumo a Marte. A participação de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, reforça a aposta em cooperação internacional e consolida o Canadá como parceiro estrutural da empreitada.
No plano simbólico, a volta de astronautas à vizinhança lunar mais de meio século após o fim das Apollos funciona como demonstração de capacidade tecnológica dos Estados Unidos em meio à competição com China, Rússia e outras potências espaciais. Para agências, universidades e empresas privadas, o programa abre uma nova frente de contratos, pesquisas e desenvolvimento de tecnologias de navegação, comunicação, materiais e medicina espacial, com impacto direto em setores civis.
Próximo passo para pousos e presença duradoura na Lua
A Artemis II é tratada como o último grande ensaio antes das operações mais complexas do programa, que incluem a Artemis III, desenhada para levar astronautas de volta à superfície lunar ainda nesta década. O cronograma depende da performance da Orion, do SLS e de sistemas complementares, como módulos de pouso fornecidos por empresas privadas e uma futura estação em órbita lunar. Uma missão bem-sucedida em 2026 libera a agência para validar janelas de lançamento seguintes, definir alvos científicos e detalhar como pretende estabelecer uma presença sustentável na Lua.
Do ponto de vista do público, a viagem deve reacender o interesse por ciência, tecnologia e exploração espacial, área que volta ao centro do debate geopolítico. A pergunta que fica, enquanto o SLS se posiciona na plataforma 39B e a tripulação entra na fase final de treinamentos, é quanto tempo levará para que as imagens de uma nave apenas orbitando a Lua sejam substituídas, novamente, pela visão de astronautas caminhando sobre o solo lunar.
