Pesquisa Apex/Futura mostra Flávio e Tarcísio à frente de Lula em 2026
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecem à frente do presidente Lula em cenários de segundo turno para 2026, segundo pesquisa Apex/Futura feita entre 15 e 19 de janeiro em 849 cidades.
Bolsonaristas avançam em cenários de segundo turno
O novo levantamento da Apex/Futura, com 2.000 entrevistas presenciais em todo o país, registra vantagem de dois aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre Lula em simulações de segundo turno. A pesquisa, registrada no TSE sob o protocolo BR-03024/2026, indica um ambiente eleitoral competitivo e já marcado por forte rejeição aos principais nomes dois anos antes da disputa presidencial.
No primeiro cenário testado, o senador Flávio Bolsonaro alcança 48,1% das intenções de voto, contra 41,9% de Lula. Brancos, nulos e respostas como “ninguém” somam 8,9%, enquanto 1,1% dos entrevistados não sabe responder. Os números colocam o filho do ex-presidente à frente do petista fora da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Em outra simulação, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também aparece numericamente à frente do presidente. O ex-ministro da Infraestrutura marca 46,1%, contra 41,3% de Lula. Eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em “ninguém” chegam a 10,2%, e 2,3% dizem não saber em quem votariam.
Ao todo, o instituto testa onze cenários de segundo turno, combinando Lula com diferentes potenciais adversários da direita e do centro-direita. Em parte deles, o petista aparece numericamente atrás, mas empatado dentro da margem de erro com nomes como Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, e Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás, dois dos quadros mais cortejados por partidos que buscam se viabilizar nacionalmente.
Rejeição elevada trava espaço dos principais nomes
Os números de intenção de voto se cruzam com um dado que preocupa tanto governo quanto oposição: a rejeição alta das principais lideranças. Segundo a mesma pesquisa, 51,7% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparece logo em seguida, rejeitado por 43,4% do eleitorado.
Outros sete nomes testados — Eduardo Leite, Ratinho Jr., Romeu Zema, Tarcísio de Freitas, Aldo Rebelo, Ronaldo Caiado e Renan Santos — figuram em um bloco intermediário, com rejeição entre 12,8% e 15,7%, todos tecnicamente empatados. Embora ainda distantes do patamar de Lula e de Flávio, esses índices funcionam como alerta para candidaturas que tentam se apresentar como alternativa à polarização.
A sondagem mostra ainda um grupo de eleitores sem aderência a nenhum dos políticos colocados. Entre os entrevistados, 2,8% rejeitam todos os nomes citados, 0,9% dizem não rejeitar ninguém e 2,1% não sabem ou não respondem. O espaço é pequeno, mas ajuda a dimensionar o desafio de qualquer projeto de terceira via em um cenário já ocupado por figuras conhecidas.
Os dados se somam a outras pesquisas recentes que apontam desgaste do governo e do campo bolsonarista, ainda que em graus diferentes. Um levantamento anterior da própria Apex/Futura já mostrava Lula e Flávio à frente em simulações de primeiro turno, com o presidente liderando por pouca margem e o senador consolidado como principal herdeiro político do pai. A combinação de alta exposição, recall eleitoral e rejeição elevada tende a cristalizar posições e reduzir a margem para surpresas de última hora.
Polarização persiste e pressiona estratégias para 2026
Os resultados reforçam a leitura de que a eleição de 2026 caminha, neste momento, para uma nova disputa polarizada. A presença de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas à frente de Lula em simulações de segundo turno indica que o eleitorado de direita mantém capacidade de organização nacional, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e as incertezas jurídicas em torno de sua elegibilidade.
Para o governo, os 41% registrados por Lula nos dois cenários testados funcionam como alarme antecipado. O presidente aparece competitivo, mas enfrenta uma barreira sólida de rejeição. Com mais da metade do eleitorado dizendo não votar nele em hipótese alguma, o Planalto é pressionado a mostrar resultados econômicos concretos, reduzir conflitos políticos e recuperar confiança em segmentos que migraram para o bolsonarismo nos últimos anos.
No campo oposicionista, a pesquisa tende a reorganizar forças internas. A vantagem de Flávio no confronto direto com Lula, aliada ao desempenho expressivo de Tarcísio, deve alimentar disputas por protagonismo em torno do legado de Bolsonaro. Governadores como Ratinho Jr. e Caiado, que aparecem tecnicamente empatados com Lula dentro da margem de erro, ganham argumento para se apresentar como alternativas viáveis em um segundo turno, com menor rejeição e potencial de diálogo com o centro.
O quadro também abre espaço para negociações partidárias mais agressivas nos próximos meses. Dirigentes de siglas do centrão, hoje próximos ao governo, acompanham com atenção o avanço de nomes da direita em pesquisas nacionais. O movimento pode influenciar alianças estaduais, distribuição de comandos partidários e até a formação de uma frente conservadora com mais de um presidenciável testado até a reta final de 2026.
Margem de manobra e incertezas até a eleição
A Apex/Futura aplica a pesquisa com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os resultados não definem a eleição, mas funcionam como termômetro antecipado do humor do eleitorado e ponto de partida para as estratégias de comunicação e de alianças. Com quase dois anos até o primeiro turno, variáveis como economia, segurança pública, impacto de investigações judiciais e eventuais crises internacionais podem redesenhar o mapa eleitoral.
A disputa de narrativas, porém, já está em curso. Aliados de Lula devem minimizar os números, alegando distância do calendário eleitoral e aposta em programas sociais e retomada do crescimento. Articuladores de Flávio e de Tarcísio vão usar o levantamento como prova de que o campo bolsonarista continua vivo, com força para voltar ao Planalto. Entre a consolidação da polarização e o surgimento de novas lideranças, a pergunta que permanece é se o eleitor estará disposto, em 2026, a repetir o embate entre lulismo e bolsonarismo ou se buscará, enfim, uma saída fora desse eixo.
