Alianza Lima afasta Trauco e suspende Zambrano e Peña após denúncia
O Alianza Lima afasta o lateral Miguel Trauco e suspende temporariamente Carlos Zambrano e Sergio Peña após denúncia de abuso sexual durante pré-temporada em Montevidéu, em janeiro de 2026. A decisão, anunciada em meio à preparação para o novo ano, expõe o clube peruano ao centro de um debate urgente sobre violência sexual e responsabilidade no futebol profissional.
Clube sob pressão em plena pré-temporada
A denúncia parte de uma mulher que acusa Trauco de abuso sexual em Montevidéu, onde o elenco faz a preparação para a temporada 2026. O caso chega às autoridades locais e desencadeia, em poucas horas, uma reação interna no Alianza Lima, que decide tirar o lateral das atividades com o grupo e afastá-lo do planejamento esportivo imediato.
Zambrano e Peña são suspensos de forma preventiva para colaborar com as investigações e preservar, segundo o clube, o andamento do processo. A medida vale por prazo indeterminado e atinge três jogadores com histórico de convocações para a seleção peruana, todos vistos como pilares do time para as competições nacionais e continentais deste ano.
O episódio estoura em um momento sensível. O Alianza Lima tem, em janeiro, uma janela de cerca de 30 dias para definir a base da equipe que disputará o Campeonato Peruano e a fase preliminar da Libertadores. A ausência de três nomes de peso obriga a comissão técnica a redesenhar o elenco às pressas, ainda no Uruguai.
Em nota enviada à imprensa, a direção trata o caso como “grave” e promete cooperação total com as autoridades. Dirigentes evitam entrevistas longas, mas, nos bastidores, admitem preocupação com o alcance internacional da denúncia e com o impacto na imagem institucional do clube, um dos mais tradicionais do Peru, fundado em 1901.
Impacto esportivo e pressão por responsabilidade
Trauco chega ao Alianza com status de reforço-chave para 2026, depois de passagem de destaque pela seleção peruana. Zambrano, zagueiro experiente, e Peña, meia de criação, compõem o núcleo mais rodado do elenco, com salários entre os mais altos do grupo. O afastamento simultâneo mexe na hierarquia do vestiário e na estratégia traçada para o ano.
A comissão técnica trabalha com dois cenários. Um considera a ausência prolongada dos três atletas, com contratações de emergência até o fim da janela de transferências. Outro projeta um eventual retorno, dependendo do avanço das investigações e de decisões judiciais. O orçamento do clube, já apertado, entra na conta: rescisões, eventuais punições contratuais e reposições no mercado podem alterar previsões financeiras traçadas para os próximos 12 meses.
Fora de campo, a repercussão é imediata. Organizações de defesa dos direitos das mulheres cobram posicionamento firme de clubes e federações em casos de violência sexual. Especialistas em direito esportivo lembram que, nos últimos cinco anos, ligas da Europa e da América do Norte adotam protocolos mais rígidos de prevenção e resposta a denúncias, com suspensão automática em determinadas situações e exigência de programas internos de treinamento e educação.
O caso Alianza Lima passa a ser observado como teste para o futebol sul-americano. A Confederação Sul-Americana de Futebol e a federação peruana são pressionadas a estabelecer regras claras para situações semelhantes, incluindo prazos, critérios de afastamento e acompanhamento às vítimas. A discussão vai além da esfera disciplinar e atinge o debate sobre segurança em concentrações, uso de álcool, visitas a hotéis e controle do ambiente em pré-temporadas.
Debate sobre cultura do futebol e próximos passos
O clube enfrenta agora um duplo desafio. Precisa responder às exigências esportivas de um calendário apertado e, ao mesmo tempo, mostrar que compreende a gravidade de uma denúncia de abuso sexual. Dirigentes estudam rever códigos internos de conduta, reforçar orientações aos jogadores e criar canais formais para denúncias, inclusive anônimas, envolvendo funcionários e atletas.
Advogados que acompanham o caso afirmam que as investigações em Montevidéu devem avançar nas próximas semanas, com oitivas, coleta de provas e eventuais perícias. Dependendo dos resultados, os jogadores podem enfrentar processos criminais, acordos judiciais ou arquivamento, cada cenário com impacto direto na carreira de todos os envolvidos e na relação com o Alianza Lima.
Em paralelo, o episódio alimenta uma discussão mais ampla na América do Sul sobre a responsabilidade social de clubes que movimentam orçamentos milionários e influenciam milhões de torcedores. Afastar jogadores diante de uma denúncia deixa de ser apenas uma decisão tática ou jurídica e passa a ser entendido como parte de uma política mínima de proteção, ainda em construção em grande parte do continente.
A temporada 2026 mal começa e o Alianza Lima já convive com um caso que pode redefinir padrões internos e servir de referência para outros clubes. As próximas decisões, dentro e fora dos tribunais, indicarão se o episódio será tratado como um ponto de ruptura ou apenas mais um escândalo a ser esquecido quando a bola rolar.
